Conferência “Um coração aberto ao mundo inteiro: Acolhemos? Protegemos? Promovemos? Integramos?” promovida pela Comissão Diocesana de Justiça e Paz da Diocese de Setúbal

Jan 27, 2025

No dia 25 de janeiro, a Comissão Diocesana de Justiça e Paz de Setúbal realizou uma importante conferência dedicada ao tema “Um coração aberto ao mundo inteiro: Acolhemos, protegemos, promovemos, integramos”, refletindo sobre os desafios e as oportunidades dos movimentos migratórios e a integração de migrantes em Portugal.

A abertura foi feita pela presidente da Comissão, Dra. Elsa Melo, que sublinhou a importância de uma sociedade justa e inclusiva, onde os direitos e a dignidade dos migrantes sejam assegurados. O evento foi enriquecido com a atuação do coro de Nossa Senhora de Muxima, da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Setúbal, que proporcionou um momento musical inspirador.

 

 

 

Refugiados e Movimentos Migratórios: A Perspetiva de Portugal

O Professor Gonçalo Saraiva Matias da Universidade Católica trouxe uma análise detalhada sobre os movimentos migratórios e as necessidades demográficas e económicas de Portugal. O professor destacou o impacto positivo da emigração desde 2019 no aumento da população residente e a necessidade de manter ou aumentar a percentagem de população emigrante para garantir a sustentabilidade económica e social do país. Ele mencionou que cerca de 1 milhão de emigrantes seriam necessários para manter a estabilidade populacional, com estimativas indicando que 30% seriam brasileiros. A realidade portuguesa é marcada por 15-20% da população residente ser emigrante, dos quais metade fala português.

O professor apresentou três modelos de integração: multiculturalismo, assimilação e cosmopolitismo. Defendeu este último como o mais apropriado, dado que promove a construção de uma sociedade na diversidade, respeitando o espaço comum e contribuindo para um projeto social inclusivo.

 

O Papel da Igreja no Acolhimento e Integração

A Dra. Tânia Moreira, do Secretariado Pastoral das Migrações da Diocese de Setúbal, partilhou as várias iniciativas e atividades promovidas pela igreja para acolher e integrar os migrantes. Destacou o papel essencial da igreja na criação de comunidades acolhedoras e referiu exemplos de integração baseados nas escrituras bíblicas, mostrando como a igreja continua a ser um pilar de apoio para os migrantes.

 

Educação e Integração no Sistema Escolar

O Dr. Tiago Machete, professor de português como língua não materna, falou sobre os desafios que os alunos migrantes enfrentam no sistema educativo português. Ressaltou as dificuldades que os alunos dos PALOP e outros, que chegam sem conhecimento da língua, têm ao tentar integrar-se, e sublinhou a necessidade de mais apoio educacional para facilitar a sua inclusão.

 

 

 

Testemunhos de Imigrantes

Dois testemunhos emocionantes foram partilhados: Gabriel, um estudante brasileiro, relatou as suas dificuldades iniciais com a língua e a importância da integração num grupo cristão para se sentir acolhido. Peregrina, uma mãe angolana, falou sobre a vinda da sua família em busca de melhores condições de vida e como a comunidade paroquial foi crucial na sua adaptação.

 

Intervenção de D. Américo Aguiar

No final da conferência, o Bispo de Setúbal, D. Américo Aguiar, proferiu uma palavra de agradecimento pela iniciativa da Comissão Diocesana e sensibilizou os presentes para a importância de reconhecer que a integração de migrantes é uma obrigação moral de todos. D. Américo reforçou que a questão migratória não deve ser instrumentalizada por partidos políticos ou outros grupos da sociedade, apelando para que o acolhimento seja um esforço genuíno e desinteressado, fundamentado na dignidade humana e no espírito cristão de solidariedade.

 

 

 

Encerramento com Música

A conferência terminou com uma nova apresentação do coro de Nossa Senhora de Muxima, que encerrou o evento com uma mensagem de esperança, união e solidariedade, reafirmando a importância de uma sociedade aberta e acolhedora pois um emigrante não deixa a sua terra, traz a sua terra consigo.

Este evento sublinhou a necessidade de um esforço coletivo na integração dos migrantes e reforçou o papel fundamental das instituições na promoção de uma sociedade inclusiva e justa, onde todos possam encontrar o seu lugar e contribuir para o bem comum.

 

 

 

Artigo: Comissão Diocesana de Justiça e Paz
Fotografias: Lara Franquelim Alves

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