O Florista do Montijo que decorou a Casa do Papa Francisco

Fev 20, 2025

 

Luís Sabóia é voluntário na Vigararia do Montijo desde a infância, vindo de uma família de voluntários da Igreja, desde muito cedo despertou uma paixão pela Arte Floral. Hoje fundou a sua própria florista, “Verde e Cor «e a mão do Senhor»”. No último dia 2 de fevereiro, Luís Sabóia foi convidado a integrar a equipa de floristas residentes do Vaticano para a decoração da Festa da Apresentação do Senhor no Templo. De volta a Portugal, conta-nos agora um pouco da sua experiência e do seu percurso.

 

Luís Sabóia nasceu e cresceu numa família de voluntários da Igreja, na paróquia do Samouco, cresceu sempre dentro da Igreja, “sempre como o meu espaço habitual, como sendo a minha segunda casa”, explica o próprio.
A sua avó tratava das flores e foi ela quem encorajou Luís, apenas com nove anos, a decorar sozinho o seu primeiro andor. A partir daí desenvolveu-se a sua paixão pela arte floral, ainda vista apenas como um “hobby”.

“Há aqui uma reviravolta na minha vida (…) Quando fiquei desempregado, já fazia aqui voluntariamente a decoração da Igreja Matriz do Montijo e as pessoas todas diziam: «Mas fica tudo tão bem, porque é que não aproveitas o teu desemprego para fazer disto profissão?». Pronto, e eu, olha, fui e aproveitei aquele tempo do desemprego para fazer formação e abrir depois este espaço”.

A Loja Verde e Cor “e a mão do Senhor” abriu ao público em 2015 e desde então tem realizado casamentos, batizados e continua voluntariamente a decorar algumas Igrejas da Vigararia do Montijo.

O convite para a participação na decoração da Festa da Apresentação do Senhor no Templo, que se realizou no Vaticano a 2 de fevereiro surgiu “de uma série de anos de conversa com este chefe de equipa, que é o António Frezzotti”. Desde que se puseram em contacto no âmbito da visita do Papa Francisco a Fátima no Centenário das Aparições, António Frezzotti já teria reiterado este convite inúmeras vezes, porém Luís confessa: “Em épocas como o Natal e a Páscoa é sempre complicado. Eu faço voluntariado em várias paróquias aqui, já não faço só no Montijo, faço mais paróquias aqui à volta, e no Natal e na Páscoa, é complicadíssimo sair de cá. Então, agora veio este convite num tempo vazio destas festas nossas locais e eu adoraria. Fui logo muito pronto a responder”.

Assim, Luís integrou durante este tempo a equipa residente do Vaticano, uma equipa que contava com cerca de nove pessoas, chegando até a ser confiado com algumas responsabilidades maiores. “A certa altura, nos dias que eu estive no Vaticano, o responsável disse-me «passas o teu ensinamento à minha equipa». Para mim foi o máximo do respeito pelo meu trabalho, por mim e pelo que eu sei a nível de técnica e de arte no geral”, contou Luís.

Da sua estada no Vaticano, Luís relembra com especial carinho a celebração das Vésperas, rezada na véspera do evento pelo Papa Francisco e um dos trabalhos, montado na casa de Santa Marta, casa do Papa Francisco. “No final foi-me dito: «tens noção que eu em 30 anos nunca trouxe um florista convidado aqui? Podes dizer que foste o único florista convidado a entrar na casa do Santo Padre». E eu fiquei assim um bocado… como é que eu agradeço uma coisa destas? Agradeci simbolicamente ao Sr. Frezotti, mas agradeço muito, muito a Deus esta oportunidade”.

Da sua experiência em 2017 no Centenário das Aparições de Fátima, Luís afirma que levou, principalmente as aprendizagens daquilo que foi a organização de um grande evento e da capacidade de adaptação em tempo real. “Nas equipas que tivemos em Fátima, que foram várias equipas, estávamos focados em vários sítios, tanto na Basílica, como na parte do recinto, depois outra na parte da Capelinha das Aparições e mais uma na Basílica da Santíssima Trindade. E eu, nesse projeto, fiz, com mais duas colegas, a gestão de todas as compras para este evento, bem como trabalhei em várias destas equipas, sendo que o ponto alto foi a elaboração do andor para a procissão do Centenário”.

De volta a Lisboa e ao seu estabelecimento, Luís continua a demonstrar a sua paixão pela arte floral das mais diversas formas, fazendo dela a sua forma de vida: “Este fim de semana, o nosso cardeal José Tolentino de Mendonça em Roma, falou sobre os artistas e sobre a forma como a arte leva a Deus. É só isto, é usar a arte para levar a Deus e nós sermos meramente instrumentos”.

 

 

 

Artigo: Lara Franquelim Alves
Fotografias: Verde e Cor

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