O Cardeal D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal, presidiu hoje à Missa Crismal na Sé de Setúbal, assinalando o início do Tríduo Pascal. Na sua homilia, o prelado destacou três palavras-chave: “Ungido”, “Enviado” e “Mater Spei” (Mãe da Esperança), numa celebração que reuniu diáconos, padres, religiosos, seminaristas e fiéis leigos da diocese.
“Hoje é um dia particularmente belo, não apenas porque iniciamos o Tríduo Pascal – celebrações tão especiais e nucleares naquilo que é a nossa Fé – mas também porque celebramos a Missa Crismal, momento em que nos reencontramos todos à volta do altar”, afirmou D. Américo no início da sua homilia.
Durante a celebração, o bispo de Setúbal fez uma referência especial aos padres Ivan, José Maria e Miguel Aguiar, que celebram este ano as suas bodas de prata sacerdotais.
Refletindo sobre o significado da unção sacerdotal, D. Américo recordou o momento da ordenação, “aquele momento em que, deitados no chão, entregámos tudo. Tudo o que erámos, tudo o que tínhamos, cheios de esperança e de confiança. E depois aquele gesto simples, mas tão forte, a unção das mãos com o óleo do Crisma.”
O Cardeal sublinhou que “ser ungido é aceitar ser de Cristo” e reconhecer que “a nossa vida não é nossa”, destacando que a unção sacerdotal implica também aceitação da “ferida”, de dar-se onde por vezes “não há reconhecimento ou gratidão, onde há indiferença ou cruz”.
Quanto à segunda palavra-chave, “Enviado”, D. Américo Aguiar exortou os presentes a serem “a Igreja em saída”, fazendo eco do apelo constante do Papa Francisco. “Somos enviados não para os salões das certezas, mas para os becos das dúvidas, para as estradas sem saída, para os cruzamentos da vida real, os lugares onde o Evangelho ainda não chegou porventura”, afirmou.
Dirigindo-se aos sacerdotes, o bispo pediu-lhes que não tenham “medo de tocar as feridas com as mãos ungidas” e que se “ajoelhem diante do povo, como o Senhor se ajoelhou aos pés dos Seus discípulos”.
Por fim, referindo-se a Maria como “Mater Spei”, D. Américo destacou o papel maternal de Nossa Senhora na vida da Igreja e dos sacerdotes. “No meio de tudo o que nos acontece, não estamos sozinhos. Eu não estou sozinho, nenhum de vós está só. Maria caminha connosco. E, em Setúbal, queremos caminhar de mãos dadas com Ela”, referiu.
Numa menção especial aos sacerdotes mais idosos, nomeadamente ao “Padre Eduardo, o padre Manuel e o padre Júlio”, o Cardeal agradeceu o testemunho daqueles que “deram tudo o que tinham e continuam a dar-nos o testemunho do que significa ser ungido e enviado”.
A Missa Crismal, que antecede o início das celebrações do Tríduo Pascal, é o momento em que são benzidos os Santos Óleos que serão utilizados nos sacramentos ao longo do ano na diocese e em que os sacerdotes renovam as suas promessas de ordenação.
D. Américo Aguiar concluiu a sua homilia apelando a que todos se deixem abraçar por Maria, a Mãe da Esperança, para que esta “nos devolva a alegria do dia da nossa ordenação”.




