“Pertencemos à geração dos que tiveram o privilégio de conhecer um verdadeiro discípulo de Jesus”

Abr 21, 2025

 

O Cardeal D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal, presidiu esta segunda-feira à celebração eucarística em sufrágio pelo Papa Francisco, falecido hoje aos 88 anos na residência de Santa Marta, no Vaticano. Na homilia, o prelado português recordou a proximidade que manteve com o Sumo Pontífice, particularmente durante a preparação da Jornada Mundial da Juventude Lisboa2023.

“Sinto-me órfão, como se devem sentir tantos irmãos no sacerdócio, tantos leigos e leigas que dedicam as suas vidas à vida da Igreja. Mas também sinto a enorme responsabilidade que resulta do privilégio de ter conhecido tão de perto o Papa Francisco”, confidenciou o Cardeal durante a celebração.

D. Américo Aguiar recordou o pedido que o Papa argentino fez ao mundo desde o primeiro momento do seu pontificado: “Rezem por mim”. Este apelo, sublinhou o Bispo, “teve um eco diário, em todos os corações que batem ao ritmo da nossa Fé, assim como em tantos outros, sem distinção de raça ou credo”.

 

O pontificado de Francisco, que durou 12 anos, foi descrito pelo Cardeal português como “extraordinariamente rico por tudo o que nos disse e fez”. Na sua homilia, D. Américo destacou a coragem reformadora do Papa que acabou de falecer: “Vemos isso nas escolhas práticas como ir viver para a casa de Santa Marta ou a escolha de ser transportado num carro o mais simples possível, até às grandes decisões que provocaram as maiores reformas de sempre na Cúria Romana”.

O Cardeal evocou com especial emoção a presença do Papa na Jornada Mundial da Juventude em Lisboa, no verão de 2023. “Já em Portugal, o Papa Francisco revelou-se um autêntico jovem, cheio de coragem, de alegria e de determinação”, recordou.

D. Américo sublinhou também como a expressão “todos, todos, todos”, proferida por Francisco durante o evento, “tornou-se uma referência e abriu as portas às mais distintas realidades da vida atual, expressando assim e de forma inabalável a convicção de que, na Igreja, há lugar para todos sem exceção”.

Sobre a sua relação pessoal com o Pontífice, o Bispo de Setúbal partilhou: “Tal como aconteceu com muitas e muitas pessoas, senti a alegria e a ternura do abraço do Papa. Este abraço assegurava que não estava sozinho, que não estamos sozinhos”.

Na sua homilia, D. Américo Aguiar recordou as origens de Francisco, “um homem que ‘veio do fim do mundo’ para tornar o mundo mais próximo, mais justo e fraterno”. O Cardeal português destacou ainda o percurso do Papa antes de chegar ao Vaticano: “Um homem que sempre foi ao encontro dos mais frágeis, que celebrava a Missa nos bairros mais pobres de Buenos Aires. Um homem que andava de autocarro, que vivia sozinho num pequeno apartamento”.

A concluir a sua intervenção, D. Américo Aguiar pediu aos fiéis que continuem a rezar pelo Papa Francisco e que sejam “capazes de dar continuidade aos sonhos de Francisco, todos eles centrados na pessoa de Jesus, que veio ao mundo para nos salvar”.

A missa de sufrágio contou com a presença de mais de um milhar de fiéis, dezenas de membros do clero de Setúbal e representantes de várias instituições, unidos em oração pelo 266º Papa da Igreja Católica, que será sepultado, segundo o seu testamento, na Basílica Papal de Santa Maria Maior, em Roma.

 

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