Francisco e o Seu Amor Pelos Migrantes e Refugiados

Abr 22, 2025

O Pontificado de Francisco foi marcado desde o inicio por um olhar especial sobre os mais frágeis e desfavorecidos, incluindo todos os migrantes e refugiados. Até naquela que, sem sabermos, seria a sua última mensagem, no Domingo de Páscoa, o Papa disse-nos “Quanto desprezo se sente por vezes em relação aos mais fracos, marginalizados e migrantes! Neste dia, gostaria que voltássemos a ter esperança e confiança nos outros, mesmo naqueles que não nos são próximos ou que vêm de terras distantes com usos, modos de vida, ideias e costumes diferentes dos que nos são familiares, porque somos todos filhos de Deus!”.

Não foi por acaso que a sua primeira viagem apostólica foi a Lampedusa, símbolo das tragédias do Mediterrâneo, onde nos falou da “globabização da indiferença” e da forma como a sociedade se desresponsabiliza perante o sofrimento do outro, como se perdeu a capacidade de chorar, “de padecer com” (o outro). Em 2016 criou o Dicastério para o Serviços Humano Integral cujas competências e de modo particular são nas áreas relacionadas com as migrações, com os necessitados, os enfermos e excluídos, os marginalizados e as vítimas dos conflitos armados e desastres naturais, os encarcerados, os desempregados e as vítimas de qualquer forma de escravidão e de tortura, visando apoiar a Igreja – a nível local, regional e internacional – no acompanhamento das pessoas em todas as etapas do processo migratório. A seção dos Migrantes e Refugiados inicialmente esteve sobre direta supervisão do Papa Francisco dada a relevância que sempre deu a esta temática.

Em 2018 na sua mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, o Papa apresentou-nos quatro verbos que devem orientar a missão de todos e de cada um, católicos e pessoas de boa vontade, no cuidado com os nossos irmãos migrantes – acolher, proteger, promover e integrar. “Cada forasteiro que bate à nossa porta é ocasião de encontro com Jesus Cristo, que Se identifica com o forasteiro acolhido ou rejeitado de cada época (cf. Mt 25, 35.43). O Senhor confia ao amor materno da Igreja cada ser humano forçado a deixar a sua pátria à procura dum futuro melhor”.

Como filha do carisma Scalabriniano não posso deixar de realçar a canonização de João Batista Scalabrini a 9 de Outubro de 2022. “Scalabrini olhava mais além, olhava lá para diante, para um mundo e uma Igreja sem barreiras, sem estrangeiros.”, disse-nos Francisco e lembrou-nos da importância de caminhar juntos, como irmãos.

A temática da mobilidade humana tem atualmente um grande peso em todas as sociedades e, infelizmente, o sentimento geral não é a de construção de pontes mas sim o erguer de muros que continuamente esmagam os sonhos e projetos de tantos que saem da sua zona de conforto em busca de melhores condições de vida ou simplesmente de uma oportunidade para sobreviver.

Enquanto equipa do Secretariado Diocesano da Pastoral das Migrações da Diocese de Setúbal, agradecemos ao Papa Francisco por todo o seu amor para com os migrantes e refugiados. Que inspirados pelo seu exemplo consigamos realizar o nosso trabalho de contribuir para uma Igreja diocesana mais acolhedora e unida. “Não se trata apenas de migrantes, trata-se da nossa humanidade”.

OBRIGADA PAPA FRANCISCO!!

Tânia Moreira
Coordenadora do Secretariado Diocesano da Pastoral das Migrações

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