Realizou-se em Fátima a Jornada Nacional da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), sob o lema “Cuidar a Esperança com Profecia”, reunindo docentes e especialistas para refletir sobre os desafios contemporâneos da educação moral e religiosa. O encontro destacou o papel insubstituível da EMRC na formação integral da pessoa, em diálogo com a cultura e a cidadania.
A sessão de abertura contou com a intervenção de D. António Augusto Azevedo, presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, do constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia, de Carlos Costa Gomes, presidente do Centro de Estudos de Bioética e reconhecido professor e investigador, do Prof. Carlos Costa Gomes, de Ernesto Diaco, diretor do Serviço Nacional para a Escola da Conferência Episcopal Italiana e de António Roura, diretor do Departamento de Pastoral do Ensino e da Universidade da Conferência Episcopal Espanhola.
No âmbito das atividades programadas para esta semana, todos os professores de EMRC foram convidados a participar, via on-line, na sessão “30 minutos nossos… EMRC”, às 21 horas do dia 29 de maio (Quinta-feira da Ascensão). Esta sessão incidiu sobre a temática “EMRC: Cuidar a Esperança” e foi dinamizada pelo Monsenhor José Pinheiro, Vigário-Geral da Diocese. O Senhor Pe. José Pinheiro começou por referir a necessidade que todos os professores e professoras de EMRC têm de cuidar da esperança nas comunidades de que fazem parte, na família e na escola. Ser professor de EMRC também é ser missionário e ser missionário implica viver e incarnar a própria Esperança na vida da escola, ou seja, cuidar da Esperança junto dos alunos que frequentam as aulas de EMRC, mas sem esquecer toda a comunidade educativa.
Podemos tirar da esperança apenas uma ideia de otimismo: desejo permanente de conseguir certas coisas: comprar carro novo, uns ténis melhores, acabar um mestrado, mudar de casa, poder viajar… «Mas para os cristãos a Esperança é outra coisa, nasce de um sepulcro vazio: o de Jesus.» (1) Este grande e misterioso detalhe faz toda a diferença: viver a Esperança pede uma alegria luminosa única: («A esperança é aprender a mover-se na escuridão. A luz está lá, embora por um momento estejamos mergulhados nas trevas. O bem existe, se bem que a maldade humana tantas vezes o ofusque») (2) .
O Monsenhor José Pinheiro desafiou os professores/professoras de EMRC a cuidar bem desta Esperança na escola; porque o Senhor chama sem cessar para esta missão: olha para cada um – para cada pessoa – tal como olhou para Mateus e chama: «Segue-me.» (Mateus 9, 9/; Lc 5,27). E a nossa atitude só pode ser igual à do conhecido cobrador de impostos: deixar se cativar, levantar-se na hora e seguir atrás de Jesus. O Pe. José Pinheiro usou este trecho do evangelho (Vocação de Mateus) e uma catequese do Papa Francisco sobre o mesmo tema para nos entusiasmar de novo. Com efeito, andamos frequentemente muito cansados e oprimidos pelas nossas obrigações diárias, aqui e ali de tão desanimados já nem cristãos parecemos, mas autómatos sentados nas nossas bancas de trabalho improvisadas…
É preciso recuperar ânimo, ouvir a voz do Senhor, deixar que ele fixe em nós o seu olhar e fazer como Ele faz, percorrer os caminhos da nossa vida: ruas, salas, corredores, recreios, intervalos… e oferecer ramos belíssimos (luminosos) de Esperança. Obrigado, Senhor Pe. Monsenhor José Pinheiro. Escutámos todas as suas palavras e estamos muito mais animados para continuar a viver e a trabalhar na escola com e pela Esperança.
A Jornada foi também momento de partilha de boas práticas e experiências pedagógicas, num ambiente de esperança ativa, onde a missão educativa foi reafirmada como profética, ao serviço da dignidade humana e da construção de uma sociedade mais fraterna. Num tempo marcado por crises e incertezas, a EMRC reafirma-se como proposta educativa humanizadora e profética, abrindo horizontes de esperança e compromisso.
(1) Pe. Jorge Fernandes in Contacto, Missionários do verbo Divino, Maio-Junho, p.10
(2) Pe. Jorge Fernandes id., ibid.
Artigo: António Manuel Diogo Rodrigues e José Manuel Leite Teixeira






