Missa com os jovens da Diocese de Setúbal – Jubileu dos Jovens 2025
Igreja de Santo António de Pádua, Via Merulana – Roma
31 de julho de 2025 – Memória de Santo Inácio de Loyola
Caríssimos jovens peregrinos,
Nesta tarde romana, neste lugar que me é querido como igreja titular, acolho-vos com alegria como irmãos e irmãs em Cristo, peregrinos de esperança, vindos da nossa querida Diocese de Setúbal.
Há dias atrás, estivemos juntos em Assis, terra de paz, de silêncio e de loucura evangélica. Ajoelhámo-nos diante do túmulo de São Francisco, e rezámos junto ao túmulo de um jovem como vós — o Beato Carlo Acutis — que com apenas 15 anos deixou um legado de fé viva, simples e luminosa.
Carlo dizia:
“A Eucaristia é a minha autoestrada para o Céu.”
Como um grão de mostarda, Carlo parecia pequeno — um jovem normal, que jogava à bola, adorava computadores e tinha uma curiosidade pela vida como tantos outros. Mas deixou-se semear. Deixou Deus crescer nele. E hoje, é testemunha de que a santidade é possível com ténis nos pés e fé no coração.
1. O Reino é como um grão
O Evangelho de hoje diz-nos que o Reino dos Céus começa como um grão de mostarda — o mais pequeno de todos. Jesus está a revelar-nos que Deus trabalha com o pequeno, o escondido, o humilde. Queridos jovens: talvez às vezes vos sintais pequenos, inseguros, sem grande influência ou visibilidade. Mas escutai bem: é com gente como vós que Deus escreve história santa. Deus não espera que sejas perfeito. Espera que te deixes plantar.
2. Santo Inácio: da ambição ao discernimento
Celebramos hoje Santo Inácio de Loyola, outro grão que parecia perdido. Soldado ferido, com sonhos de glória, foi no fundo da sua fragilidade que ouviu Deus. Aprendeu a discernir. Aprendeu a escutar. E deixou-se transformar. Fundou a Companhia de Jesus, formou discípulos, iluminou a Igreja com a sua sabedoria espiritual. Ele ensina-nos a perguntar com seriedade:
“Para que fim fui criado?”
E a responder com coragem:
“Para amar e servir.”
3. E vós? O que deixais Deus plantar em vós?
Nesta peregrinação, que não é turismo espiritual, mas caminho de fé, o Senhor pergunta-vos:
Estás disponível para te deixares semear?
Estás disponível para confiar no tempo de Deus, mesmo quando parece que nada muda?
Estás disposto a crescer, a amadurecer, a dar sombra e fruto aos outros?
Não tenhas medo da lentidão do Reino. A pressa é do mundo. O Reino cresce no silêncio. Na Eucaristia. Na oração. No serviço. No perdão.
4. Maria, Mater Spei, acompanha-nos.
E nesta nossa caminhada, está sempre connosco Maria, Mãe da Esperança. Também ela viveu no silêncio, na confiança, na espera. Também ela acolheu a Palavra como um grão e deixou-a germinar no coração. A ela confiamos esta missão de ser jovens que não desistem, que acreditam, que recomeçam, que se deixam conduzir.
5. Voltar a casa com a esperança germinada
Queridos jovens de Setúbal, Estivemos em Assis. Estamos agora em Roma. Setúbal está aqui. Portugal está aqui. A Igreja está aqui. Deus está aqui. E convida-vos, como a Pedro nas águas do lago, a caminhar com coragem. A não ter medo. A ser santos. Sim, a santidade é possível. Com os pés no chão e os olhos no Céu. Mas o mais importante é o que levais dentro. Não regresseis a casa iguais. Levai na mochila a semente da fé. Levai o desejo de ser mais, de servir mais, de rezar mais. Levai o exemplo de Carlo Acutis, de Inácio, de Francisco, de Maria. Se vos deixardes plantar, o Reino vai crescer. Em Setúbal. Em Portugal. No mundo. E vós sereis árvore. Sombra. Esperança.
Ámen.
+ Cardeal Américo, Bispo de Setúbal




