Homilia do nosso Bispo na Missa de Encerramento das Comemorações dos 280 Anos da Chegada da Imagem do Senhor do Bonfim, na Arquidiocese de Salvador da Bahia

Ago 10, 2025

Saudações fraternas a todos, todos , todos.
Irmão Cardeal D. Sérgio da Rocha, Arcebispo de Salvador, Primaz do Brasil
Caríssimos sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas,
Membros da Irmandade da Devoção do Senhor do Bonfim,
Estimadas autoridades militares e civis,
Povo amado de Deus,

Hoje celebramos o Dia do Senhor e, com alegria redobrada, celebramos também os 280 anos da chegada desta imagem bendita do Senhor do Bonfim a esta cidade de Salvador, vinda da minha querida diocese de Setúbal, em Portugal. Esta imagem atravessou o mar para se tornar presença de Cristo no coração do povo baiano. E, hoje, ao ouvir as leituras, percebemos como esta história é também uma catequese viva.

Na primeira leitura, o povo de Israel recorda a noite da libertação. Esperaram com confiança, firmes na promessa de Deus. Esta é também a nossa experiência: a fé mantém-nos de pé nas noites escuras, nas travessias difíceis, nos momentos de incerteza. A vossa devoção ao Senhor do Bonfim é isso mesmo: uma fé que espera, que confia, que aguarda o amanhecer com a certeza de que Deus cumpre a sua palavra.

O salmo de hoje convida-nos à alegria: “Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança”. Olho para esta assembleia e penso: quanta felicidade verdadeira nasce quando reconhecemos que somos escolhidos e amados por Deus. Não por mérito nosso, mas por graça.

Na carta aos Hebreus, recordamos a fé de Abraão: deixou a sua terra sem saber para onde ia, confiando apenas em Deus. E penso nos missionários que, ao longo da história, deixaram Portugal para vir anunciar o Evangelho no Brasil. Entre eles, o primeiro Bispo do Brasil, D. Pedro Fernandes Sardinha, natural da região de Setúbal. Vieram com a mesma fé que moveu Abraão: confiança nas promessas de Deus. A Esperança não engana, não desilude, como nos exortou o Papa Francisco na Bula de Proclamação do Ano Santo Jubilar atual.

O Evangelho (Lc 12) recorda-nos que o nosso tesouro deve estar no Céu. Jesus convida-nos à vigilância, a estar preparados, porque o Senhor virá. Esta imagem do Senhor do Bonfim, de braços abertos, é como um lembrete constante: o tesouro da nossa vida é este amor que acolhe, que perdoa, que salva.

E nesta terra não posso deixar de recordar Santa Dulce dos Pobres, o Anjo da Baía, que fez da sua vida um tesouro no Céu. Ela rezava diante de Jesus e depois ia ao encontro dos pobres, dos doentes, dos esquecidos. A sua vida mostra-nos que a verdadeira devoção nunca é estéril: transforma-se sempre em serviço.

Hoje, esta celebração convida-nos a viver como irmandade viva: unidos na fé, vigilantes na esperança, ativos na caridade. Tal como a imagem que atravessou o Atlântico, também nós somos chamados a atravessar barreiras, ir ao encontro, levar Cristo, Cristo Vivo, onde Ele ainda não foi acolhido.

Ao celebrarmos os 280 anos desta imagem, agradecemos a Deus pelo tesouro da fé que une Setúbal e Salvador, Portugal e Brasil, Igreja e povo.

Que esta Eucaristia nos fortaleça para viver como servos vigilantes e fiéis. E que possamos repetir, não só com palavras, mas com a vida: com Jesus, tudo acaba em Bonfim.

Amém.

Cardeal Américo, Bispo de Setúbal

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