Saudações fraternas a todos, todos , todos.
Irmão Cardeal D. Sérgio da Rocha, Arcebispo de Salvador, Primaz do Brasil
Caríssimos sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas,
Membros da Irmandade da Devoção do Senhor do Bonfim,
Estimadas autoridades militares e civis,
Povo amado de Deus,
Hoje celebramos o Dia do Senhor e, com alegria redobrada, celebramos também os 280 anos da chegada desta imagem bendita do Senhor do Bonfim a esta cidade de Salvador, vinda da minha querida diocese de Setúbal, em Portugal. Esta imagem atravessou o mar para se tornar presença de Cristo no coração do povo baiano. E, hoje, ao ouvir as leituras, percebemos como esta história é também uma catequese viva.
Na primeira leitura, o povo de Israel recorda a noite da libertação. Esperaram com confiança, firmes na promessa de Deus. Esta é também a nossa experiência: a fé mantém-nos de pé nas noites escuras, nas travessias difíceis, nos momentos de incerteza. A vossa devoção ao Senhor do Bonfim é isso mesmo: uma fé que espera, que confia, que aguarda o amanhecer com a certeza de que Deus cumpre a sua palavra.
O salmo de hoje convida-nos à alegria: “Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança”. Olho para esta assembleia e penso: quanta felicidade verdadeira nasce quando reconhecemos que somos escolhidos e amados por Deus. Não por mérito nosso, mas por graça.
Na carta aos Hebreus, recordamos a fé de Abraão: deixou a sua terra sem saber para onde ia, confiando apenas em Deus. E penso nos missionários que, ao longo da história, deixaram Portugal para vir anunciar o Evangelho no Brasil. Entre eles, o primeiro Bispo do Brasil, D. Pedro Fernandes Sardinha, natural da região de Setúbal. Vieram com a mesma fé que moveu Abraão: confiança nas promessas de Deus. A Esperança não engana, não desilude, como nos exortou o Papa Francisco na Bula de Proclamação do Ano Santo Jubilar atual.
O Evangelho (Lc 12) recorda-nos que o nosso tesouro deve estar no Céu. Jesus convida-nos à vigilância, a estar preparados, porque o Senhor virá. Esta imagem do Senhor do Bonfim, de braços abertos, é como um lembrete constante: o tesouro da nossa vida é este amor que acolhe, que perdoa, que salva.
E nesta terra não posso deixar de recordar Santa Dulce dos Pobres, o Anjo da Baía, que fez da sua vida um tesouro no Céu. Ela rezava diante de Jesus e depois ia ao encontro dos pobres, dos doentes, dos esquecidos. A sua vida mostra-nos que a verdadeira devoção nunca é estéril: transforma-se sempre em serviço.
Hoje, esta celebração convida-nos a viver como irmandade viva: unidos na fé, vigilantes na esperança, ativos na caridade. Tal como a imagem que atravessou o Atlântico, também nós somos chamados a atravessar barreiras, ir ao encontro, levar Cristo, Cristo Vivo, onde Ele ainda não foi acolhido.
Ao celebrarmos os 280 anos desta imagem, agradecemos a Deus pelo tesouro da fé que une Setúbal e Salvador, Portugal e Brasil, Igreja e povo.
Que esta Eucaristia nos fortaleça para viver como servos vigilantes e fiéis. E que possamos repetir, não só com palavras, mas com a vida: com Jesus, tudo acaba em Bonfim.
Amém.
Cardeal Américo, Bispo de Setúbal




