Queridos irmãos e irmãs,
Hoje, junto ao apóstolo Santiago, escutamos uma palavra exigente de Jesus. Quem não carrega a sua Cruz e não renuncia a todos os seus bens não pode ser meu discípulo. Não são palavras fáceis, mas são claras. Seguir a Cristo é pô-lo em primeiro lugar e escolher o essencial é viver com a valentia da fé.
O apóstolo Santiago compreendeu, deixou tudo e foi discípulo até dar a sua vida. E nas suas dificuldades, a Virgem Maria apareceu-lhe em Saragoça sobre um pilar de pedra. Nossa Senhora do Pilar foi para ele fortaleza e consolo. Também nós precisamos desse pilar: Maria sustém-nos no caminho da fé.
Aqui mesmo, nesta catedral, também ressoou a voz dos Papas: João Paulo II, em 1982 e 1989, pediu à Europa que voltasse às suas raízes cristãs. Como é tão atual e urgente fazê-lo nos dias de hoje… Depois, Bento XVI, em 2010, recordou que em Santiago encontramos Cristo Vivo, que nos envia em missão.
Há 700 anos, em 1325, também a Rainha Santa Isabel de Portugal veio como peregrina até Compostela. Ela, mulher de paz e de reconciliação, quis deixar aqui o seu testemunho de fé e de confiança no Apóstolo. Hoje, a sua memória ilumina o nosso caminho e recorda-nos que a peregrinação une os povos, fortalece a fé e abre o coração à paz. À paz na Ucrânia, na Terra Santa… uma paz para todos, todos, todos.
Queridos irmãos e irmãs, em especial vós, peregrinos da nossa amada diocese de Setúbal, a vossa presença aqui é um testemunho de fé e de esperança. O vosso esforço no Caminho é uma catequese viva: recordais a todos que ser cristão é caminharmos juntos, com a cruz aos ombros e a alegria no coração.
Peregrinar a Compostela não é apenas chegar aqui, é decidir viver como discípulos. Que o Apóstolo Santiago nos anime, que Nossa Senhora do Pilar nos sustenha, que Santa Isabel de Portugal interceda por nós, e que Carlo Acutis e Pier Giorgio Frassati inspirem, sobretudo aos jovens, a pormos Cristo sempre em primeiro lugar.
Assim seja.




