Diocese de Setúbal institui dois acólitos no Domingo de Pentecostes

Mai 25, 2026

No Domingo de Pentecostes, a Igreja do Seminário de S. Paulo, na Diocese de Setúbal, vestiu-se de festa e comunhão para acolher a instituição de acólitos dos seminaristas Miguel Carlos e Alexandre Cardoso. A celebração, presidida pelo Cardeal D. Américo Aguiar, contou com a forte presença dos três vigários-gerais da diocese, de diversos sacerdotes e de largas dezenas de fiéis que quiseram testemunhar este passo significativo na caminhada vocacional dos dois jovens. Numa atmosfera de profunda espiritualidade, o prelado sadino aproveitou a Solenidade do Espírito Santo para lançar pistas e desafios cruciais sobre a identidade e a missão do futuro clero.

D. Américo Aguiar focou grande parte da sua homilia na necessidade urgente de os futuros sacerdotes manterem acesa a chama interior, contrapondo o dinamismo do Espírito à rigidez das rotinas e das convenções institucionais. O Cardeal relembrou que a celebração deste ministério no dia em que a Igreja celebra o Pentecostes ajuda a compreender que toda a vocação nasce e se sustenta na força do Espírito Santo, alertando que, sem Ele, “o ministério transforma-se facilmente numa função, a liturgia torna-se um conjunto de ritos exteriores e a Igreja perde o fogo interior que lhe dá vida e missão”. Dirigindo-se especificamente aos dois seminaristas, o Bispo de Setúbal enfatizou que a aproximação ao altar da Eucaristia vai muito além da pura aprendizagem mecânica de funções litúrgicas, sendo antes uma imersão na própria “lógica de Cristo”, que se traduz pela entrega total, pelo serviço humilde e por um amor oferecido até ao fim, transformando a vida de cada um numa verdadeira oferta para Deus e para os irmãos.

O diagnóstico que o prelado fez da sociedade atual serviu de mote para definir o perfil humano e espiritual que o povo católico anseia encontrar nos pastores de hoje. Segundo o Cardeal, o mundo contemporâneo e os crentes rejeitam frontalmente uma liderança eclesial distante ou excessivamente institucionalizada, procurando, em contrapartida, figuras de proximidade e empatia. “O povo de Deus espera sacerdotes próximos, humanos e disponíveis”, afirmou convictamente D. Américo Aguiar, acrescentando que “o nosso tempo não precisa de funcionários do sagrado nem de homens fechados em estruturas; precisa de discípulos apaixonados por Jesus Cristo”, homens que sejam verdadeiramente capazes de escutar, acolher e caminhar lado a lado com as pessoas reais, partilhando as suas alegrias e as suas feridas mais profundas. Recordando o ensinamento de São Paulo sobre a diversidade de ministérios sob o mesmo Senhor, o Bispo reiterou que a autoridade cristã só se legitima através do serviço, exigindo do ministro a capacidade de “desaparecer para que Cristo apareça”.

A dimensão da autenticidade e o cuidado com a vida espiritual interior foram também eixos centrais da mensagem deixada na igreja do Seminário de S. Paulo. Com uma tónica de grande proximidade e afeto, D. Américo Aguiar recordou que a comunidade cristã deteta com extrema facilidade o estado de espírito e a verdade do seu pastor, notando rapidamente “quando encontra um sacerdote feliz e quando encontra um sacerdote cansado de Deus”. O apelo à oração e ao recolhimento foi, por isso, veemente, instando os jovens a cultivarem a amizade com Jesus e o silêncio interior, sem medos face à fragilidade humana, mas com um receio profundo da superficialidade espiritual, até porque um sacerdote não se sustenta apenas pela mera eficiência pastoral, mas sim pela sua intimidade com Deus. A concluir a sua homilia, o Cardeal afirmou que “a Diocese de Setúbal precisa de sacerdotes com coração grande, capazes de acolher sem julgar, de anunciar a verdade sem agressividade e de amar a Igreja concreta, real e imperfeita”, algo que assumiu só ser exequível se o fogo de Pentecostes se mantiver permanentemente vivo no âmago de cada um deles.

Ser serviço e proximidade junto do altar e do povo

No final da celebração, o sentimento de gratidão e a consciência da responsabilidade assumida marcaram os discursos dos novos acólitos, que partilharam na primeira pessoa o significado profundo deste passo. Miguel Carlos expressou a alegria de ver o seu percurso confirmado pela Igreja, sublinhando o desejo de traduzir o gesto litúrgico em atitude de vida permanente perante a comunidade diocesana. “Isto não é receber um título ou uma dignidade para nos isolar no presbitério, mas sim um compromisso de nos fazermos mais pequenos para servir melhor”, afirmou o seminarista, vincando que o seu propósito diário passa por “aprender, todos os dias, a inclinar o coração para as necessidades daqueles que Deus coloca no nosso caminho”. O jovem finalizou lembrando o papel central do Seminário de S. Paulo e de todos os fiéis que têm rezado ativamente pelas vocações na diocese, assumindo que este ministério é também fruto desse amparo comunitário invisível mas constante.

Por seu turno, Alexandre Cardoso reforçou as palavras de exortação do Cardeal D. Américo Aguiar, focando-se no desafio pessoal e espiritual de combater o funcionalismo e a tibieza na caminhada para o sacerdócio. “Tocar nas coisas sagradas exige de nós uma conversão constante, um cuidado diário para que a rotina não apague o espanto do primeiro encontro com Jesus”, partilhou abertamente com os presentes. O seminarista acrescentou ainda que a instituição como acólito o impulsiona a procurar uma maior intimidade na oração e a uma entrega sem reservas à realidade territorial e humana da Diocese de Setúbal. “Queremos ser este reflexo de uma Igreja acolhedora e próxima que o nosso Bispo nos pediu. Levar Cristo aos outros exige que estejamos verdadeiramente configurados com Ele, na mesa da Eucaristia e na vida de todos os dias, junto dos que mais sofrem”, concluiu, visivelmente emocionado perante o abraço dos familiares, formadores e amigos que enchiam a igreja do seminário.

Texto: Ricardo Perna (com suporte de IA)
Fotos: Ricardo Perna

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