A Visita Pastoral do Cardeal Américo Aguiar à Paróquia de São Francisco Xavier teve início este fim de semana, com um programa dedicado sobretudo ao encontro com as crianças, jovens e agentes da catequese, culminando este domingo com a celebração da Eucaristia de abertura, marcada por um forte apelo à misericórdia, ao perdão e à confiança em Deus.
Na homilia da Missa dominical, o Bispo de Setúbal sublinhou que as leituras do dia constituem um convite a redescobrir o rosto misericordioso de Deus e a traduzir essa experiência na relação com os outros. “Temos que crescer muito nesta capacidade de encaixarmos no nosso dia-a-dia esta capacidade de perdoar. De perdoar e de ajudar quem faz caminho connosco a recuperar, a levantar-se quando comete alguma falha”, afirmou.
Partindo da Palavra proclamada, D. Américo recordou que Deus “é amor, Deus é misericórdia, Deus é cuidado”, contrariando imagens de um Deus distante ou castigador. Nesse contexto, insistiu na dignidade de cada pessoa, independentemente da sua condição ou história de vida. “Cada um de nós vale Deus, independentemente do nosso aspeto, da nossa condição social, da nossa história de vida ou da fase em que estamos”, disse aos fiéis.
Outro dos temas centrais da reflexão foi a confiança em Deus, evocando a figura bíblica de Abraão. O prelado destacou a atitude de quem faz a sua parte e confia que o Senhor continuará a agir: “Não sabemos quando, não sabemos quem, não sabemos como, mas sabemos que Deus vai providenciar.”

Num momento em que a Diocese vive a Visita Pastoral como tempo de proximidade e renovação, o Cardeal Américo Aguiar desafiou ainda a comunidade a tornar concretos os apelos do Evangelho através de gestos de misericórdia no quotidiano. “A palavra-chave desta semana que o Senhor nos oferece é exatamente a misericórdia e o perdão”, afirmou, acrescentando que este caminho deve começar nas relações mais próximas: “Vamos começar por perto para a gente chegar longe”, pediu.
O Bispo de Setúbal usou a profecia de Abraão, de que seria pai de muitas nações, para explicar que, hoje, a profecia se concretiza nas nossas comunidades. “Olhem como nós estamos aqui, em paz uns com os outros, oriundos das mais diversas geografias, quer do país, quer do mundo. Eu há dias visitava uma escola que tinha meninos e meninas de 43 países diferentes. Por isso, quando nós descobrimos Cristo na nossa vida, quando o colocamos no nosso coração, os outros não são estrangeiros, são irmãos”, referiu, acrescentando que, “a partir daí, tudo é diferente”.

Uma Igreja missionária e próxima
Na mensagem de abertura da Visita Pastoral, que decorre entre 6 e 14 de junho, o Bispo de Setúbal apresentou este tempo como uma oportunidade privilegiada para fortalecer a comunhão e renovar a esperança. “Venho como pastor e irmão, desejoso de vos encontrar, escutar, conhecer e caminhar convosco”, escreveu.
Dirigindo-se à comunidade confiada aos Jesuítas, D. Américo destacou o significado especial de realizar esta visita sob a proteção de São Francisco Xavier, recordando-o como “grande missionário da Igreja, homem de fronteiras, de encontros e de anúncio corajoso do Evangelho”. “A sua vida continua a recordar-nos que a Igreja existe para a missão, para sair ao encontro das pessoas e para levar a todos a alegria de Cristo”, salientou.
O Bispo enquadrou ainda esta visita à luz da nota pastoral “Cuidar com o coração: presença, esperança e vida no mistério da dor”, manifestando o desejo de reforçar na comunidade “a cultura do cuidado, da escuta e da proximidade”.
Primeiro dia dedicado às crianças e aos jovens
O início da visita aconteceu de forma informal no sábado, com encontros dedicados às crianças da catequese, aos catequistas e aos jovens que se preparam para receber o sacramento da Confirmação.
Na Missa das Crianças, presidida pelo Cardeal Américo Aguiar, o bispo agradeceu o trabalho dos catequistas e de todos os voluntários envolvidos na transmissão da fé. “Quero agradecer aos catequistas, ao padre Luís, aos padres jesuítas, a todos os voluntários, tudo aquilo que fazem para que seja possível os meninos e meninas e os jovens conhecerem a Jesus”, afirmou.
Reconhecendo a dedicação daqueles que colocam o seu tempo ao serviço da comunidade, acrescentou: “Quero dizer muito obrigado a todos, todos, todos.”
Na mesma celebração, retomou uma imagem frequentemente utilizada pelo Papa Francisco para explicar a atitude cristã perante as fragilidades dos outros. “Quando alguém cai, quando alguém falha, quando alguém peca, nós todos devemos ajudar a levantar”, afirmou, lembrando que “a única vez que qualquer um de nós olha para os outros de cima para baixo é quando está a ajudar a levantar”.

Catequese como testemunho de oração
No encontro com os catequistas, D. Américo Aguiar alertou para a importância do testemunho pessoal na educação da fé, defendendo que a catequese não pode limitar-se à transmissão de conteúdos. “Que estas crianças levem daqui, no mínimo, o testemunho de oração do catequista que com ele fez caminho”, afirmou.
O Bispo observou que, em algumas realidades, “a catequese é uma aula de transmissão, com aulas e testes, mas não há testemunho”, insistindo que o contacto com catequistas que rezam e vivem a fé pode marcar decisivamente a vida das crianças.
“Que estes miúdos, em momentos de tristeza ou alegria na sua vida ou da sua família, possam ter no seu coração o testemunho de oração que lhes permita usar isso para dar graças ou pedir intercessão, conforme o que precisarem”, acrescentou.
Crisma como compromisso para a vida
Já no encontro com os crismandos, o Cardeal Américo Aguiar apresentou o sacramento da Confirmação como uma ajuda para discernir a vida à luz do Evangelho. “O Crisma ajuda-nos a que, na nossa vida, o que nos acontece seja visto sob a pergunta: ‘O que é que Jesus faria?’”, afirmou.
Dirigindo-se aos jovens, recordou que a vivência da fé depende da liberdade e da adesão pessoal de cada um: “É uma escolha vossa, e nada acontecerá se vós não quiserem.”
Ao mesmo tempo, deixou um apelo para que a caminhada cristã não termine com a celebração do sacramento. “Pedir-vos que depois de domingo não desapareçam, que é o que acontece muitas vezes”, advertiu.
Respondendo à pergunta de uma crismanda sobre como manter a ligação à Igreja depois do Crisma, apontou a participação regular na Eucaristia como um caminho concreto de perseverança. “A verdade é que o Espírito Santo pode fazer a diferença na nossa vida, e se nós nos habituarmos a estar presentes, melhoramos a nossa capacidade de reagir a essas coisas, porque sentimos Deus nas nossas vidas”, afirmou.
Para além destes grupos, o Cardeal Américo Aguiar esteve ainda reunido com o Conselho Pastoral e com o Conselho dos Assuntos Económicos da paróquia, e terminou o dia a presidir à eucaristia na Capela de Alfazina.
A Visita Pastoral prossegue ao longo da próxima semana com encontros com diversos grupos da comunidade, instituições e realidades sociais da paróquia, num itinerário que pretende reforçar os laços entre o pastor diocesano e o povo que lhe está confiado.




