Queridas irmãs e queridos irmãos de Corroios e Vale de Milhaços,
Saudações fraternas a todos, todos, todos!
Chegamos hoje ao encerramento desta Visita Pastoral, iniciada no passado dia 10 de outubro, e a primeira palavra que vos quero dirigir é de profunda gratidão. Obrigado pelo acolhimento, pela amizade, pela confiança, pela oração e por tantos momentos de encontro e partilha.
Uma palavra especial ao Padre José Maria e ao Padre Daniel Nascimento, Vigário Paroquial, pela dedicação e pelo cuidado com que prepararam esta Visita, bem como a todos os que colaboraram na sua realização.
Foram dias de encontro com as comunidades paroquiais, as crianças, os jovens, os escuteiros, os catequistas, as famílias, os idosos e os doentes. Estivemos nas escolas, nas instituições sociais e de saúde, junto das autarquias, associações, bombeiros, empresas e comércio local. Em cada encontro descobrimos rostos, histórias, dificuldades, generosidade e tantos sinais de esperança.
Na primeira leitura, Deus dirige-se a Ciro e diz-lhe: «Eu te chamei pelo teu nome.» Esta palavra recorda-nos que ninguém é anónimo aos olhos de Deus. Cada pessoa tem um nome, uma história e uma dignidade que devem ser reconhecidos e respeitados.
É esta a missão da Igreja: estar próxima das pessoas, escutar, acompanhar e cuidar, especialmente de quem vive situações de maior fragilidade.
São Paulo, na segunda leitura, agradece a Deus «a atividade da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança». Que bela síntese do que procurámos viver nestes dias! Uma fé que não fica fechada nas igrejas, uma caridade que se transforma em serviço e uma esperança que permanece viva mesmo perante as dificuldades.
Durante esta Visita, houve também momentos em que estive fisicamente ausente. Na tarde de 11 de outubro, participei, na Arquidiocese de Braga, na dedicação do novo Santuário da Beata Alexandrina de Balazar e, nos dias 12 e 13 de outubro, na Peregrinação Aniversária Internacional a Fátima. Mas levei sempre estas comunidades no coração e na oração, porque a comunhão da Igreja ultrapassa a proximidade física.
No Evangelho, Jesus responde àqueles que O procuram colocar à prova: «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.»
Jesus pergunta de quem é a imagem gravada na moeda. A resposta é simples: de César.
Mas podemos perguntar: e nós, de quem trazemos a imagem?
A Sagrada Escritura responde-nos que fomos criados à imagem e semelhança de Deus.
A moeda pode pertencer a César, mas a pessoa humana pertence a Deus!
Por isso, dar a Deus o que é de Deus significa também reconhecer e respeitar a dignidade de cada pessoa. É cuidar dos idosos, acompanhar os doentes, apoiar as famílias, escutar os jovens, acolher quem chega e estar próximo de quem mais precisa.
É esta a Igreja que queremos continuar a construir: uma Igreja próxima, samaritana e missionária, onde há lugar para todos, todos, todos!
E hoje quero dirigir uma palavra muito especial aos jovens e adultos que vão receber o Sacramento do Crisma.
Queridos crismandos, o Espírito Santo que hoje recebeis não vos é dado para ficar guardado apenas no vosso coração. É-vos dado para vos fortalecer e enviar em missão.
Hoje não recebeis apenas um sacramento. Recebeis também uma missão!
Senti-vos enviados, mandatados a anunciar Cristo Vivo nas vossas famílias, nas escolas, nas universidades, nos locais de trabalho e nas redes sociais.
Não tenhais medo de testemunhar a vossa fé. O mundo precisa da vossa coragem, da vossa alegria, da vossa esperança e, sobretudo, do vosso amor.
Que o Crisma não seja o fim de uma etapa, mas o início de uma vida cristã mais consciente, comprometida e missionária.
A Igreja conta convosco! A Diocese de Setúbal conta convosco! E eu, como vosso Bispo, conto convosco!
Queridas irmãs e queridos irmãos, hoje encerramos esta Visita Pastoral, mas não encerramos a nossa caminhada. O que vivemos não pode ficar apenas nas fotografias ou nas recordações. Deve transformar-se em mais proximidade, mais comunhão, mais atenção aos frágeis e mais vontade de sair ao encontro dos outros.
A nossa caminhada diocesana começou em São Tiago de Almada, prosseguindo por Cacilhas, Pragal, Costa da Caparica, Trafaria, Sobreda, Vila Nova de Caparica, Cova da Piedade, São José Operário do Laranjeiro/Feijó, Vale Figueira, São Francisco Xavier, Monte da Caparica e Amora. A estas comunidades juntam-se agora Corroios e Vale de Milhaços.
Nenhuma fica para trás. Todas permanecem no meu coração, na minha oração e nesta caminhada que fazemos juntos.
E o caminho continua! A Visita Pastoral prosseguirá nas Paróquias da Arrentela, Paio Pires e Seixal, levando connosco a riqueza dos encontros já vividos.
Ao terminar, confio estas comunidades à proteção dos seus padroeiros, Santa Maria da Graça, São João Batista e Santa Marta, e à proteção maternal de Nossa Senhora de Fátima.
Que o Espírito Santo nos ajude a reconhecer a imagem de Deus em cada pessoa e nos dê coragem para anunciar Jesus Cristo com a nossa vida.
A Visita Pastoral termina. A amizade permanece. A comunhão fortalece-se. E a missão continua!
E a vós, queridos crismandos, deixo um último desafio: ide em missão! Anunciai Cristo Vivo ao mundo!
Contai comigo. Eu conto convosco. Caminhemos juntos.
Ámen.
+ Cardeal Américo Aguiar
Bispo de Setúbal




