Depois da Visita Pastoral, estivemos à conversa com o Pe. Luís Ferreira do Amaral, pároco de S. Francisco Xavier e membro da comunidade jesuíta que ali habita. Tempo de balanço e de graças pelo acolhimento de todos e pelas pontes que podem ser construídas entre a paróquia e a comunidade.
Que balanço faz da visita pastoral aqui a S. Francisco Xavier?
Acho que faço um balanço bastante positivo. Foi muito intenso, foi bastante intenso e cansativo ao mesmo tempo. Mas também, ligado a isso, foi um balanço muito positivo. Fez-me lembrar aquela expressão do Papa Francisco de uma igreja em saída. E, portanto, de ir ao encontro das pessoas, desde logo ao encontro das pessoas que estão dentro da Igreja e ao encontro das pessoas que estão fora da Igreja.
Não é que tenham já recebido pelo menos um primeiro anúncio do Evangelho, mas, tendo já recebido e não querendo aprofundar, de estabelecer pontos de colaboração e tudo isso. Como pároco, se calhar ainda tenho que digerir e ver melhor. Mas, como eu disse na missa final, acho que uma das coisas é abrir contactos e abrir portas. Sendo o D. Américo uma pessoa conhecida, uma pessoa mediática, permitiu abrir portas para instituições que, de outra maneira, seria para mim mais difícil chegar e com as quais podemos estabelecer alguma cooperação no futuro.
O que é que esteve na génese da preparação da visita?
Aquilo que já tinha ouvido dos outros párocos é que o Sr. Bispo gostava de visitar todas as instituições e, portanto, o princípio foi ser exaustivo no contacto com todas as instituições que temos aqui. Lembrei-me logo das escolas, obviamente, e do Instituto Piaget, mas todas as outras, como o Hospital, os Centros de Saúde ou as ligadas à Ponte 25 de Abril. Então, foi esse o princípio de visitar todas as que foi possível.
Também grandes empresas como a Sovena, por exemplo, ligando ao que eu estava a dizer há bocado, foi um contato que abriu uma possibilidade de colaboração a nível social, desde logo de procura de emprego, sendo que eles recrutam, e alguma possibilidade de responsabilidade social, seja da Sovena, seja das outras. Portanto, o princípio foi esse. E eu posso dizer que, durante os nove dias da visita, foi muito cansativo fisicamente, mas para mim, se calhar, foi mais cansativo ainda as semanas anteriores, porque gerir esta agenda, contactar as instituições… Acho que até foi mais duro.
Depois, quando começou a visita, eu entrei um bocado em velocidade cruzeiro e, para surpresa minha, funcionou tudo bem, não é? (risos)

Como é que foi o acolhimento das pessoas ao convite da visita pastoral?
Pois, aqui posso confessar a minha surpresa, que não estava à espera que o acolhimento fosse tão positivo. Quer dizer, para ser sincero, com os convites não foi assim tão imediato, nem tão automático, por causa da burocracia, mas depois percebi, que não falta de vontade de acolher, foi mais por burocracia.
Quanto ao acolhimento ao vivo, fiquei sinceramente impressionado com a boa vontade. Não sei quantas pessoas seriam crentes ou não, a conversa não foi por aí, nem tinha que ter ido, mas fiquei muito bem impressionado com o modo como as pessoas acolheram o D. Américo e todos nós. Tanto assim, que eu estou agora ainda de responder, a agradecer, mas já recebi da parte deles, anteciparam-se a mim, um agradecimento pela visita do D. Américo.
Olhamos para fora, mas também para dentro. A Visita Pastoral também procura reforçar a vida da comunidade, e ver, pessoalmente, como é que a comunidade funciona. Como é que foi aqui dentro o acolhimento?
Estava a falar, de facto, para fora da igreja, mas para dentro da igreja, e para dentro aqui da paróquia, foi algo muito positivo, algo para reacender o fogo, dar nova energia, porque era grande a expectativa, com a vinda do cardeal D. Américo Aguiar. Então as pessoas quiseram preparar as coisas, e perguntavam muitas vezes, e estavam ansiosas por saber o programa. O programa demorou a ser elaborado, e, portanto, várias vezes me perguntavam o que é que ia acontecer, o que é que ia visitar, quando se podiam ter acesso ao programa.
Pudemos ver o entusiasmo dos vários grupos daqui da paróquia e da Assembleia Eucarística, de modo geral, das visitas aos bairros, que foi muito positiva. Portanto, acho que foi… Isso eu já sabia de outras visitas, a visita pastoral de um bispo é uma altura de dar novo ânimo e novo fogo ao trabalho pastoral que fazemos.
Aqui nesta paróquia, muito marcada pelos problemas com os bairros que se foram criados, houve aqui uma presença particular nesses bairros, dentro dessa realidade. Como é que foi também essa vivência?
Foi muito bonito de ver. Não tínhamos propriamente um plano, quer num bairro, quer num outro. Eu avisei só algumas pessoas, e o itinerário era para onde calhasse. E estou-me a lembrar, por exemplo, do bairro de Alfazina/Raposo, onde o próprio D. Américo se meteu, ou pediu para entrar numa festa de aniversário que estava a ter lugar numa das casas. Foi bonito ver isso, e bonito ver o acolhimento das pessoas todas.

Olhando agora para a visita que passa, para os desafios que ficam, o que é que sente que efetivamente fica de desafio da visita?
Bom, não podemos ter ilusões, uma coisa é uma visita pastoral, e o ambiente, o espírito, a energia dessa visita é algo particular. Mas nós pensamos a longo prazo, o nosso trabalho é mais de maratona, mas como eu disse há pouco, há algumas portas abertas, alguns horizontes, o recordar desta ideia, que se quer pôr em prática, desta Igreja em saída de ir ao encontro, quer de quem é crente, quer de quem não ouviu a mensagem do Evangelho, quer de quem ouviu e sequer não parece estar tão interessado, mas com os quais podemos colaborar, e quer de quem o ouviu já e que quer aprofundar.
Acho que essa ideia de estabelecer pontes é uma das coisas que eu tenho presente, certo que ao mesmo tempo com o realismo, que nem sempre é fácil conjugar tudo, o dia tem só 24 horas, para nós também, e por isso nem sempre é fácil uma igreja ou uma paróquia com tantas necessidades conseguir responder de uma forma que consideramos satisfatória em todos os campos, mas acolhemos esse desafio.
Entrevista e fotos: Ricardo Perna




