Catequese “Maria acompanha sempre os que sofrem”

Mai 15, 2026

 

Queridos irmãos e irmãs,
queridos peregrinos vindos de Wiltz,
caríssimos emigrantes portugueses espalhados pelo mundo,

Saúdo-vos com enorme carinho nesta peregrinação ao Santuário de Fátima, lugar onde tantos filhos e filhas de Portugal regressam com o coração cheio de saudade, gratidão e esperança.

Hoje, diante de Nossa Senhora de Fátima, queremos meditar sobre esta certeza profunda: Maria acompanha sempre os que sofrem — e acompanha de modo muito especial os emigrantes.

Quantos homens e mulheres deixaram a sua terra à procura de trabalho, dignidade e futuro para as suas famílias. Quantos partiram com a coragem no rosto e as lágrimas escondidas no coração. Quantos conhecem o peso da distância, da saudade da família, da língua, das tradições, da mesa partilhada, das festas da terra, dos pais envelhecidos longe, dos filhos que crescem entre duas culturas.

A emigração traz oportunidades, mas também feridas silenciosas.

Muitos emigrantes vivem o esforço diário da integração, o cansaço do trabalho, as dificuldades económicas, a solidão, a sensação de nunca pertencer completamente nem ao país de origem nem ao país de acolhimento. E, no entanto, continuam a lutar, a trabalhar honestamente, a sustentar famílias, a construir pontes entre povos e culturas.

Por isso, hoje queremos também elevar a Deus uma palavra de gratidão. Portugal guarda no coração uma profunda gratidão para com tantos países do mundo que, ao longo das décadas e dos séculos, acolheram os portugueses que partiram à procura de refúgio, trabalho e condições de vida mais dignas.

Muitos dos nossos emigrantes chegaram apenas com a força do trabalho, a fé e a esperança de oferecer um futuro melhor aos seus filhos. Encontraram povos e nações que abriram portas, ofereceram oportunidades, permitiram recomeços e ajudaram gerações inteiras de portugueses a construir uma vida nova longe da sua terra natal.

Nesta peregrinação dos irmãos vindos de Wiltz, queremos deixar uma palavra de reconhecimento ao Luxemburgo e ao seu povo, como a tantos outros países da Europa e do mundo, que receberam milhares de portugueses com humanidade, respeito e fraternidade.

A memória da nossa própria emigração deve tornar-nos hoje mais conscientes, mais humanos e mais solidários para com todos os migrantes e refugiados que procuram segurança, trabalho e esperança.

Quem já precisou de acolhimento compreende melhor o valor de uma mão estendida.

Maria conhece este caminho.

Ela própria experimentou a condição de refugiada quando, com José e o Menino Jesus, teve de fugir para o Egipto. Também a Sagrada Família conheceu a insegurança, o medo, a necessidade de partir para uma terra estrangeira.

Por isso, nenhum emigrante está longe do coração de Maria.

Quantas vezes, nas casas dos emigrantes portugueses, uma imagem de Nossa Senhora continua acesa ao lado da mesa da cozinha. Quantas vezes o terço rezado em família foi força nos dias difíceis. Quantas vezes Fátima foi o lugar interior onde reencontrámos coragem para continuar.

Maria não abandona os seus filhos emigrantes.

Ela acompanha aqueles que trabalham de madrugada, os que enfrentam o frio e a solidão, os que cuidam dos outros longe da própria família, os que vivem preocupados com os seus em Portugal e os que carregam no coração o sonho de regressar um dia.

Queridos peregrinos de Wiltz, a vossa presença aqui é um testemunho belíssimo de fidelidade à fé e às raízes cristãs. Vindes de longe, mas trazeis Portugal no coração. Vindes com histórias de sacrifício, de trabalho e de amor à família. E a Igreja agradece-vos o testemunho de perseverança e de esperança que dais nas comunidades onde viveis.

Mas Maria ensina-nos também outra coisa importante: quem conhece o sofrimento torna-se mais capaz de compreender o sofrimento dos outros.

Os emigrantes portugueses sabem o que significa ser acolhido — ou não ser acolhido. Sabem o que custa começar de novo. Por isso, não podemos pedir respeito para os nossos emigrantes e depois fechar o coração àqueles que procuram dignidade e paz.

Fátima é uma escola de fraternidade universal.

Nossa Senhora veio lembrar-nos que somos todos irmãos, todos filhos do mesmo Deus, todos peregrinos neste mundo.

Peçamos hoje à Virgem Maria:

* pelos emigrantes portugueses espalhados pelo mundo;
* pelas famílias separadas pela distância;
* pelos que vivem na solidão;
* pelos trabalhadores que enfrentam condições difíceis;
* pelos refugiados e migrantes;
* pelos que perderam a esperança de um futuro melhor.

E peçamos também que nunca percamos a fé, a ternura e a capacidade de cuidar uns dos outros.

Maria acompanha sempre os que sofrem.
Maria acompanha sempre os emigrantes.
Maria acompanha sempre os seus filhos.

Que Nossa Senhora de Fátima vos proteja, vos fortaleça e vos conduza sempre até Jesus.

Ámen.

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