Decorreu hoje em Fátima o Encontro Sinodal Nacional, uma iniciativa da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) que reuniu no Centro Pastoral Paulo VI 300 representantes de todas as dioceses do país, com exceção do Funchal, que não se fez representar. A diocese de Setúbal esteve presente com o Cardeal D. Américo Aguiar e os membros da Comissão Sinodal Diocesana.
Entre leigos, religiosas, sacerdotes, bispos e cardeais, foi replicada a dinâmica sinodal que aconteceu em Roma no passado mês de outubro, com a disposição da sala em pequenos grupos de pessoas de diferentes proveniências que foram convidadas a refletir sobre o Documento Final do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade.
Na sessão de abertura, o presidente da CEP e bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas, pediu que a sinodalidade seja “implementada em toda a Igreja”. “Este documento pode e deve mudar as nossas comunidades, mudar a vida da nossa Igreja em Portugal e no mundo”, referiu D. José Ornelas, na abertura dos trabalhos.
O bispo de Leiria-Fátima assumiu o objetivo de transformação das comunidades católicas, a partir das indicações que resultaram do Sínodo 2021-2024. “O que se quer é mudar mesmo a Igreja (…) mudar o modo como estamos a fazer hoje as coisas, mudar o ritmo de chegar a conclusões, a indicações, sobretudo que nos conheçamos, estimemos e criemos no coração de todos esse movimento de Igreja, sem o qual o Sínodo fica só para a história”, sustentou.
Após a apresentação do Documento Final a todos os participantes, os grupos foram convidados a refletir sobre esse documento, elaborando propostas que gerem consenso e possam já começar a ser implementadas em todas as dioceses, paróquias e comunidades do nosso país.

Desde logo, ressalta das propostas enunciadas pelos diferentes grupos a necessidade de tornar obrigatória a constituição de conselhos pastorais diocesanos e paroquiais, que funcionem em chave de sinodalidade, com formação para todos os seus membros a fim de que o seu funcionamento possa ser mais sinodal e inclusivo.
Depois, alguns dos grupos propuseram também a criação de um ministério da escuta e do acompanhamento, que procure envolver leigos e religiosos, e pediram métodos de avaliação sistemática nas comunidades, que procurem garantir transparência, prestação de contas e responsabilização das diferentes estruturas diocesanas e paroquiais.
Os participantes neste encontro consideraram ainda importante que se disponibilize uma síntese prática do Documento Final do Sínodo a todas as comunidades, para que se possam envolver mais no processo sinodal, e ainda que se revejam os processos de formação da juventude, adolescência e adultos, sem esquecer a formação nos seminários, que pedem que seja mais aberto a experiências missionárias mais alargadas, referem.
Finalmente, foi feita a sugestão de que este encontro se volte a realizar no próximo ano, a fim de que as dioceses possam mostrar o caminho feito e quais os frutos que foi possível perceber, permitindo ao mesmo tempo responsabilizar as dioceses nesse mesmo caminho.
Avaliação positiva do encontro
Presente no encontro esteve a Comissão Sinodal Diocesana de Setúbal, que faz uma avaliação muito positiva deste dia de reflexão.
A Ir. Irene Guia, Escrava do Sagrado Coração de Jesus, explicou que este dia serviu para perceber “como é que continuamos este processo sinodal, através daquilo que já são as conclusões que o Sínodo nos enviou”. “A riqueza está em, de facto, aprender a escutarmos e perceber que temos muitas coincidências e também temos muitas particularidades e que isso é uma das riquezas muito grandes que provavelmente este caminho que continuamos, mas também recomeçamos, nos vai lançar”.
Augusta Delgado, outro dos elementos desta comissão, afirmou que “podemos partir com esta ideia de que é possível colocar as estruturas das dioceses em funcionamento, mas um funcionamento sinodal, com um método sinodal” e destacou a “necessidade fundamental de podermos desenvolver mecanismos de formação para todos aqueles que estão envolvidos para os agentes pastorais, para as lideranças, pôr em funcionamento e criar, de facto, agentes pastorais formados e capacitados para intervir nesta ação”.
Para além disto, é importante, segundo esta responsável, “criar espaços de acolhimento, de escuta, onde efetivamente a Igreja possa ser aquele hospital de campanha que já o Papa Francisco falava”.

O Pe. José Pinheiro, responsável da comissão sinodal diocesana em Setúbal, disse que este foi um encontro “muito positivo, muito fecundo”. “Eu acho que a dimensão da Missão sai muito reforçada deste itinerário sobre a sinodalidade. A missão é o elemento fundamental que nos levou a todo este itinerário e a todo este trabalho de recuperar esta dimensão essencial da sinodalidade da Igreja, sempre, sempre com vista à missão de levar Jesus a todos os homens e mulheres deste tempo, deste século XXI, que é essa a missão de Jesus e a missão que Jesus confiou à sua Igreja”.

Texto e fotos: Ricardo Perna




