D. Américo Aguiar em Turim: “O diálogo autêntico não enfraquece a fé, universaliza-a”

Mar 8, 2026

No âmbito do encontro “Diálogo com os jovens – A Fraternidade como laço para a Paz”, o Cardeal D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal, presidiu este domingo à Eucaristia na Igreja do Arsenal da Paz, em Turim. A homilia, proferida num contexto de preparação para a Jornada Mundial da Juventude de Seul 2027, serviu de manifesto para um diálogo inter-religioso e intercultural assente na “coragem da identidade” e na “hospitalidade da diferença”.

Refletindo sobre o Evangelho da Samaritana, D. Américo Aguiar classificou o encontro de Jesus junto ao poço como “um dos diálogos mais revolucionários” da Escritura. O Cardeal sublinhou que Jesus quebrou três barreiras fundamentais — de género, étnica e religiosa — ao falar com quem, por norma, “não devia falar”.

Para o Bispo de Setúbal, a lição para os jovens de hoje é clara: o diálogo não deve partir de uma posição de força.

  • “Não se parte da superioridade, mas da necessidade, das exigências do viver quotidiano”.

  • “O diálogo verdadeiro nasce quando reconhecemos que também nós temos sede”.

Um dos pontos centrais da intervenção foi a rejeição do relativismo. D. Américo defendeu que dialogar não implica “diluir a própria identidade” ou “dizer que tudo é igual”. Citando o Documento sobre a Fraternidade Humana de Abu Dhabi, recordou que é necessária a coexistência entre a fidelidade às próprias raízes e o acolhimento do outro. “Jesus mantém-se enraizado na sua história. Mas não usa a verdade como uma muralha defensiva. Serve-se dela como ponte”.

O Cardeal alertou ainda para o perigo do “coração endurecido”, afirmando que a verdadeira alternativa atual não é entre religiões diferentes, mas entre “coração endurecido e coração aberto”.

Dirigindo-se especificamente aos jovens presentes, o Cardeal destacou que o diálogo intercultural não é uma “competição entre igrejas, templos ou mesquitas”, mas uma busca comum pela “fonte”. Instou os participantes a evitarem a tentação de reduzir estes encontros a meros “projetos culturais” ou “iniciativas sociais”, apelando a uma transformação interior profunda.

Na Oração dos Fiéis, rezou-se especificamente por aqueles que trabalham na união entre culturas e religiões, para que saibam “unir fidelidade à própria identidade e coração aberto ao encontro, construindo pontes de paz e de verdade”.

O mundo, concluiu D. Américo, precisa de jovens capazes de estar “entre as diferenças sem medo”, demonstrando com a própria vida que a fraternidade é o caminho para a paz.

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