O Bispo de Setúbal, Cardeal D. Américo Aguiar, considera que “é decisivo para a sociedade que os professores sejam pessoas de referência, que sejam respeitados”, até porque, reforçou, “cada um de vós pode mudar o rumo da vida de um aluno para sempre, nunca se esqueçam disso”. O prelado falava num encontro promovido pelo próprio no âmbito do Jubileu do Mundo Educativo, que decorreu hoje no Santuário de Cristo Rei, das direções de escolas públicas e privadas.
O evento juntou mais de 1500 alunos e professores de Educação Moral e Religiosa Católica do 2º, 3º ciclo e secundário (com alguns alunos do 1º ciclo de dois colégios), numa demonstração de vitalidade de uma disciplina que nem sempre é tida em conta em todas as escolas. D. Américo Aguiar considera importante que a diocese sensibilize à participação dos alunos na disciplina, e explicou que a intenção é que “os professores percebam que a disciplina não é para replicar a catequese”. “A disciplina tem um papel fundamental na convivência entre as religiões e na construção da Paz, na relação entre as pessoas”, disse aos mais de 50 membros de direções de agrupamentos escolares ali presentes.
O bispo de Setúbal considerou que “é uma mais valia a escola contar com esta disciplina”, e reconheceu que “é difícil ter os alunos suficientes, por um lado, e por outro lado, algumas das escolas facilitarem para que haja de facto condições para ter a disciplina”. D. Américo Aguiar defende a necessidade da presença da religião nas escolas, pois “um estado laico não é um estado que proíbe a religião, antes respeita todas e permite e promove que possam estar presentes nas escolas, todas”, ao contrário do que definiu como “um estado laicista”, “que é o que encontramos por vezes, com um sentimento contra a religião”, criticou.

O prelado confessou a sua preocupação, afirmando que “os nossos miúdos estão cada vez mais alheados destas realidades”, pelo que apelou a que os alunos, nas escolas, “sejam colocados perante diversas realidades, não apenas na religião, mas na política também, para que não sejam manipulados por preconceitos”. “Pedir-vos que as nossas escolas abram as portas, que proporcionem o conhecimento sobre os assuntos. O objetivo é que tenham consciência que à sua volta existem valores e sensibilidades diferentes”, concluiu.
D. Américo Aguiar criticou o facto de “a família ter vindo a abdicar das suas obrigações [de educar] e a delegar tudo na escola”, afirmando que “tenho consciência do que é hoje uma sala de aula, onde não apenas se transmitem conhecimentos, mas também se educa”. Por outro lado, apesar de se confiar que a escola educa, o facto é que, disse, “a autoridade hoje em dia foi dinamitada, fomos criando a ideia de uma sociedade onde eu é que sei o que quero e ninguém manda em mim”, e por isso terminou reforçando a “gratidão” a todos os professores pelo trabalho e pela “importância que têm na vida dos seus alunos”.
Texto e fotos: Ricardo Perna




