Saudações fraternas a todos os diocesanos de Setúbal,
Com o coração cheio de alegria e gratidão pelos dias que vivi com os nossos jovens em Roma (o meu OBRIGADO ao secretário diocesano da pastoral da juventude e à sua equipa, bem como aos cerca de 500 jovens peregrinos sadinos, aos seus párocos, às suas paróquias, familiares e benfeitores), partilho convosco a graça que me é concedida de peregrinar até à Arquidiocese de São Salvador da Baía, no Brasil, a convite do seu Arcebispo, Dom Sérgio da Rocha, e do Presidente da Irmandade da Devoção do Senhor do Bonfim. Esta visita, profundamente simbólica e fraterna, assinala os 280 anos da chegada da réplica da imagem do Senhor do Bonfim àquela terra irmã, vinda de Setúbal pelas mãos e pela devoção do capitão-de-mar-e-guerra Theodósio Rodrigues de Faria.
Na Baía, a presença do Senhor do Bonfim tornou-se sinal de unidade, fé e esperança para o povo brasileiro, profundamente enraizado na religiosidade popular e na identidade daquele lugar. Essa história, que começou no nosso território sadino, foi abraçada e multiplicada além-mar, testemunhando a força transformadora da fé e da devoção.
Ao pisar o solo da Baía, levo comigo cada um de vós, membros da amada diocese sadina. Levo o vosso rosto, as vossas esperanças, as vossas lutas e alegrias. Levo também a memória daquele gesto fundacional, em 1745, quando uma imagem saída do nosso coração sadino encontrou novo lar em terras brasileiras, tornando-se ponte entre dois povos, entre dois continentes, entre duas expressões do mesmo amor ao Senhor.
Quero, nesta ocasião, evocar também a figura de D. Pedro Fernandes Sardinha, primeiro bispo do Brasil, Bispo da Baía, Primaz do Brasil, natural de Setúbal, enviado como Pastor ao então nascente território eclesial brasileiro no século XVI. A sua memória é para nós motivo de orgulho e inspiração. Que a sua entrega e missão nos encorajem a renovar o compromisso com o anúncio do Evangelho em todos os tempos e geografias.
Esta peregrinação não é apenas uma viagem física, mas espiritual e pastoral. É expressão viva da catolicidade da Igreja e da comunhão entre as Igrejas locais. É também ocasião propícia para celebrarmos os laços históricos e afetivos que unem Portugal e o Brasil, Setúbal e a Baía, o nosso povo e aquele que ali louva o Senhor do Bonfim com tanta devoção.
A vós, irmãos e irmãs, peço que me acompanheis com a oração, unidos neste caminho de fé. Que esta celebração nos inspire a redescobrir, em cada comunidade, a beleza da tradição que se faz missão, da memória que se transforma em esperança e da fé que constrói pontes.
Sob o olhar terno da Virgem Maria, Mater Spei, e com o coração confiado ao Senhor do Bonfim, peçamos juntos que o nosso Pai do Céu continue a abençoar esta Diocese de Setúbal e a tornar fecunda a semente que daqui partiu há 280 anos.
Com amizade, oração e esperança,
+ Américo, Cardeal
Bispo de Setúbal
Setúbal, 7 de agosto de 2025




