Catedral de Macau – 11 de setembro de 2026
Jubileu dos 450 anos da Diocese de Macau
A caminho da JMJ Seul 2027
Queridos irmãos e irmãs, queridos jovens,
É uma alegria muito especial celebrar hoje nesta Catedral, precisamente no ano em que a Diocese de Macau celebra 450 anos da sua criação. E nós, que chegamos de Portugal, não podíamos passar por Macau como quem faz simplesmente uma escala no caminho para Seul.
Há entre Portugal e Macau laços profundos, tecidos ao longo de séculos: laços de história, cultura, língua, amizade e, de uma maneira muito especial, de fé. Não estamos aqui para viver de nostalgia, mas para agradecer uma história e perguntar o que Deus quer fazer com ela hoje. Por isso, é tão significativo o tema deste Jubileu: «De Macau para o Mundo: 450 Anos de Missão e Misericórdia».
De Macau para o mundo. A fé cristã é assim. Não nos fecha. Põe-nos a caminho. E São Paulo diz-nos hoje com toda a força: «Ai de mim se não evangelizar!»
Paulo encontrou Cristo e percebeu que não podia guardar para si aquilo que tinha recebido. O encontro tornou-se missão. A fé tornou-se caminho. Talvez seja também este o sentido de um Jubileu. Celebrar 450 anos não é apenas olhar para trás. É agradecer e perguntar: E agora? Para onde nos envia o Senhor?
A história desta Diocese ajuda-nos a responder. Macau foi durante séculos uma ponte entre o Ocidente e o Oriente e uma porta missionária para a Ásia. Por aqui passaram missionários que deixaram a sua terra, aprenderam novas línguas, encontraram outras culturas e daqui seguiram por caminhos que chegaram também à Coreia. E isto tem hoje para nós um significado muito especial. Os jovens portugueses que participarão na JMJ Seul 2027 estão a preparar uma peregrinação que os trará precisamente de Portugal a Macau e de Macau a Seul.
Os tempos mudaram. Hoje temos aviões, telemóveis, softwares, aplicações e mapas que nos dizem quase tudo. Mas há uma pergunta que nenhuma aplicação consegue responder: Para que partimos? Podemos viajar milhares de quilómetros e continuar fechados em nós próprios. Ou podemos tornar-nos peregrinos e deixar que o caminho nos transforme. Talvez seja essa a diferença: O turista passa pelos lugares, o peregrino deixa que os lugares passem pelo seu coração. É isso que desejo para os nossos jovens.
Quando vierdes a Macau, olhai, escutai, rezai. Encontrai os jovens desta Igreja. Conhecei a sua história. Deixai-vos surpreender por uma Igreja que há 450 anos procura viver e anunciar o Evangelho neste lugar de encontro entre culturas. E depois parti para Seul disponíveis para encontrar os jovens do mundo, a Igreja que vive na Coreia e na Ásia e o Sucessor de Pedro. Mas, no coração de todos esses encontros, não esqueçamos o essencial: deixarmo-nos encontrar por Jesus Cristo.
São Paulo diz-nos hoje que se fez «tudo para todos» por causa do Evangelho. Não perdeu a sua identidade; aprendeu a aproximar-se do outro. Também a JMJ nos desafia a isso: a não termos medo da diferença. E não podemos esquecer que hoje é 11 de setembro. Há precisamente 25 anos, o mundo assistia com horror aos atentados nos Estados Unidos que tiraram a vida a milhares de pessoas e deixaram feridas que atravessaram povos, religiões e continentes.
Hoje recordamos as vítimas e as suas famílias e fazemos também uma oração pela paz. Porque, vinte e cinco anos depois, permanece diante de nós uma escolha: fazer da diferença um motivo para levantar muros ou uma oportunidade para construir pontes. Nós, cristãos, queremos construir pontes.
A diferença pode tornar-se encontro.
O encontro pode tornar-se fraternidade.
E a fraternidade pode tornar-se missão.
Talvez seja também por isso tão significativo estarmos hoje em Macau, uma cidade marcada pelo encontro entre mundos, a caminho de uma Jornada que reunirá em Seul jovens de tantos povos, culturas e línguas.
Por isso, gosto de pensar nesta peregrinação em três palavras: Portugal. Macau. Seul. Não são apenas três pontos num mapa.
Portugal recorda-nos as raízes.
Macau ensina-nos o encontro.
Seul chama-nos para o futuro.
Há 450 anos, Macau tornou-se uma porta através da qual o Evangelho seguiu para tantos lugares da Ásia. Hoje, chegamos de Portugal a esta porta e daqui olhamos novamente para a Coreia. Mudaram os tempos e mudaram os caminhos. Mas permanece a missão: levar Cristo e deixar-nos encontrar por Ele. E daqui podemos partir levando no coração duas palavras da Escritura. A primeira, de São Paulo: «Ai de mim se não evangelizar!» E a segunda, de Jesus, que nos acompanhará até à JMJ Seul 2027: «Tende coragem: Eu venci o mundo!»
Queridos jovens, honrai as raízes, mas não fiqueis presos a elas. Recebei a memória e transformai-a em missão e continuai a fazer a pergunta: «Senhor, e agora, para onde me envias?» Que este Jubileu dos 450 anos ajude esta Igreja a continuar a viver a sua vocação: «De Macau para o Mundo». E que a nossa peregrinação possa também ser assim:
De Portugal para Macau.
De Macau para Seul.
E de Seul para o mundo.
Que Nossa Senhora nos acompanhe, nos ensine a escutar, a confiar, a levantar-nos e a partir.
Ámen.




