Queridos irmãos e irmãs,
Reverendo Padre José Sisto,
Caro Diácono Reis,
Queridos jovens, famílias, crianças e idosos desta comunidade,
Saudações fraternas a todos, todos, todos!
É com muita alegria que iniciamos esta Visita Pastoral à Paróquia de São José Operário. E a Palavra de Deus que hoje escutámos ajuda-nos a perceber o sentido mais profundo daquilo que estamos a viver.
Nos Actos dos Apóstolos vimos uma comunidade em movimento. Filipe desce à Samaria, anuncia Cristo, aproxima-se das pessoas, cura, escuta, acompanha… e o resultado é muito bonito: “houve muita alegria naquela cidade”.
Reparemos nisto: quando o Evangelho chega ao coração das pessoas, nasce alegria. Não uma alegria superficial, mas aquela alegria profunda que vem de nos sentirmos amados, acompanhados e salvos por Deus.
É isso que a Igreja é chamada a fazer ainda hoje. Não ficar fechada. Não viver distante. Não falar apenas para dentro. Mas sair, aproximar-se, caminhar com as pessoas, tocar as feridas humanas com a esperança do Evangelho.
Uma Visita Pastoral é precisamente isso. Não é uma inspeção. Não é um protocolo. É um encontro. É a Igreja a dizer: “queremos caminhar juntos”.
Nestes dias quero estar convosco, escutar-vos, aprender convosco e rezar convosco. Quero encontrar as famílias, os idosos, os jovens, os trabalhadores, os doentes, as crianças, os agentes pastorais, os movimentos e as instituições. Porque a Igreja vive na vida concreta do povo.
E nesta comunidade isso torna-se ainda mais significativo sob a proteção de São José Operário. São José ensina-nos o valor do trabalho, da simplicidade, do silêncio fiel, do cuidado da família e da confiança em Deus mesmo quando nem tudo é fácil ou claro.
Ainda há poucos dias tivemos a alegria de celebrar juntos o vosso padroeiro e de caminhar em procissão pelas ruas desta paróquia. Foi bonito ver um povo que reza, que canta, que caminha unido. Foi bonito perceber que a fé continua viva no coração das pessoas.
No Evangelho de hoje, Jesus deixa-nos uma frase maravilhosa: «Não vos deixarei órfãos».
Talvez esta seja uma das frases mais importantes para o nosso tempo.
Há tanta gente que vive hoje como órfã: órfã de esperança, de sentido, de escuta, de proximidade. Há solidões escondidas, dores silenciosas, cansaços interiores que ninguém vê.
Na recente Nota Episcopal “Cuidar com o coração”, procurei precisamente recordar isto: somos chamados a ser uma Igreja da presença, da proximidade e do cuidado. Uma Igreja que não foge da fragilidade humana. Uma Igreja que permanece ao lado dos que sofrem.
E Jesus hoje garante-nos: “Não vos deixarei órfãos.”
Ele permanece connosco.
No Espírito Santo.
Na Palavra.
Na Eucaristia.
Na comunidade.
Nos irmãos.
Caríssimos irmãos e irmãs,
A segunda leitura dizia-nos também: «Estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança.» O mundo de hoje precisa de cristãos assim: não perfeitos, mas credíveis. Pessoas que, mesmo nas dificuldades, continuam a acreditar. Pessoas que não espalham medo nem divisão, mas esperança.
Queridos jovens: a Igreja precisa muito de vós. Não tenhais medo de fazer parte desta caminhada. Não fiqueis à margem. Cristo vivo continua a chamar-vos.
Queridas famílias: não desanimeis. Continuai a ser lugares de amor, de perdão e de recomeço.
Queridos idosos e doentes: obrigado pelo vosso testemunho, pela vossa oração e pela vossa fidelidade.
Queridos agentes pastorais: obrigado pelo vosso serviço tantas vezes escondido e silencioso.
E a todos vos digo: esta Visita Pastoral só fará sentido se nos ajudar a caminhar mais unidos, mais próximos e mais disponíveis para a missão.
Que o Espírito Santo — o Paráclito prometido por Jesus — nos acompanhe nestes dias e faça crescer nesta comunidade a alegria do Evangelho.
Confiamo-nos à intercessão de São José Operário, para que nos ensine a viver com humildade, fidelidade e coração disponível para Deus e para os irmãos.
Conto convosco. Contai comigo. Caminhemos juntos.
Assim seja.




