Caros irmãos e irmãs,
Estamos a começar, a recomeçar, a retomar esta caminhada que nos levará ao anúncio de Cristo vivo aos irmãos e às irmãs do mundo inteiro. O que eu vos queria pedir, neste dia, nesta hora, nestas circunstâncias, é para fazermos um esforço por esquecer que já sabemos como tudo vai acabar.
A adesão não é a mesma do que quando estamos a assistir em direto, sem sabermos aquilo que vai, verdadeiramente, acontecer. E, naquilo que significa a vivência da Semana Santa, da Semana Maior, também temos de fazer esse esforço. Porque, senão, pode ter um bocadinho de fastio estarmos a ouvir, estarmos a assistir, estarmos a celebrar, quando já não temos qualquer abertura para aquilo que é a esperança do que vai acontecer.
Porque já sabemos tudo. E desligamos. E, por isso, o que eu vos peço é, e também faço o esforço pessoal, de nos deixarmos levar por cada palavra, por cada leitura, por cada rito, por cada sinal, e façamos isso acompanhados e acompanhando alguém que viveu tudo de modo muito especial e doloroso.
Maria. Maria, Mãe da Esperança. Em latim, até fica bonito. Mater Spei.
Esta jovem que, desde o anúncio do anjo, que foi vivendo a sua vida, dando-a, consagrando-a, aquilo que foi o projeto que Deus lhe propôs. Nada mais, nada menos, que ser a mãe do Filho de Deus.
Mas como é que vai ser isso se eu não conheço o homem? E, a partir daí, Deus foi providenciando. E a jovem Maria sempre na expectativa, na curiosidade, na confiança, do que é que iria acontecer. E o menino nasce, nas circunstâncias que todos já sabemos, fora da sua terra, ou seja, em Belém, em razão do recenseamento.
Depois, José tem o sonho para fugirem para o Egito. Depois, regressam do Egito. Depois, o jovem cresce em estatura e em doença.
Depois, há um casamento, todos nos lembrámos, em que esta Maria, esta jovem, a Mãe de Jesus, pede que ele intervenha porque ia acontecer uma desgraça, ia acabar um vinho na festa de casamento. E Jesus diz-lhe, “Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora”.
E Nossa Senhora, com toda a confiança e com toda a esperança, desta resposta diz aos empregados: “fazei tudo o que Ele vos disser”. E assim continuamos.
Até que estamos nesta porta, neste pórtico, que nos vai levar a esta Paixão do Senhor. E em que Maria também acompanha todos os momentos, sempre com o coração, enfim, eu queria dizer, a arder naquilo que é a expectativa, a esperança, a confiança.
O que é que vai acontecer ao seu filho? O que é que vai acontecer ao meu muito amado filho? Houve uma confusão, foi preso. Houve uma confusão, levaram-no não sei para onde.
Estão a bater-lhe, estão a castigá-lo, estão a fazer pouco dele, estão a arrastá-lo. Leva uma cruz não sei para onde, vai acontecer não sei o quê. Está aos pés da Cruz na expectativa de que Deus, mais uma vez, providencie.
Colocam-no morto no seu regaço. Depositam-no no sepulcro. E sempre esta expectativa de se entregar e confiar na providência de Deus. Maria, Mãe da Esperança.
E é esta esperança que eu queria que cada um de nós colocasse no seu coração nesta Semana Santa. E esqueçamos que já sabemos tudo. Ou tenhamos consciência que de facto não sabemos nada.
E cada celebração, cada leitura, cada rito que o vivamos de mãos dadas e de coração com Maria, Mãe da Esperança. A nossa esperança não é uma filosofia, não é uma ideologia, não é uma política qualquer. A nossa esperança é uma pessoa. É Cristo. É Cristo vivo. E Maria é a Mãe de Jesus. Maria é a Mãe de Deus. Teo totus. Maria é a Mãe da Esperança.
Que neste ano jubilar, em que somos peregrinos de esperança, que também esta peregrinação também significa que fazemos caminho com Maria, fazemos caminho com ela, por ela, de mãos dadas, coração a coração, para que de facto, quando formos a correr até ao sepulcro, ele esteja verdadeiramente vazio e possamos testemunhar a alegria da melhor notícia do mundo que podemos dar aos irmãos e às irmãs: que Cristo vive, vive verdadeiramente no coração de todos e Maria é a Mãe da Esperança.
Assim seja.




