Coreia do Sul, Seoul.
Santuário de Jeoldusan, Basílica dos Mártires da Coreia.
Eucaristia do IV Domingo do Advento.
Celebramos hoje o IV Domingo do Advento, já muito próximos do Natal do Senhor. E permiti-me que vos diga, com simplicidade e emoção, que celebrar esta Eucaristia convosco, aqui, na Basílica dos Mártires de Seul, tem para mim um significado muito especial. Trago comigo muitos rostos, muitas histórias e muitas orações. Trago comigo a JMJ Lisboa 2023, que não ficou para trás, mas que continua viva e caminha agora convosco rumo à JMJ Seul 2027.
A Palavra de Deus deste domingo apresenta-nos São José. Um homem justo, discreto, silencioso. Um jovem com sonhos simples, cuja vida é profundamente transformada quando Deus lhe pede confiança. José não compreende tudo, mas confia. Não tenta controlar, mas entrega-se. E é precisamente por isso que Deus lhe confia o que tem de mais precioso: Maria e Jesus.
“José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa” (Mt 1,20).
Esta palavra — não temas — encontra eco profundo no lema da JMJ Seul 2027:
“Tende coragem: Eu venci o mundo” (Jo 16,33).
Não se trata de um slogan. Trata-se de uma promessa de Jesus. Ele não nos diz que não haverá dificuldades, cruzes ou cansaço. Diz-nos algo muito mais profundo: não tenhais medo, porque Eu estou convosco e já venci.
Foi esta coragem silenciosa que São José viveu. É esta mesma coragem que hoje vos é pedida, a vós que preparais a Jornada Mundial da Juventude.
Posso testemunhar-vos, a partir da experiência da JMJ Lisboa 2023, que esta palavra é verdadeira. Houve noites longas, preocupações, fragilidades e desafios inesperados. Mas houve também uma certeza que nunca nos abandonou: quando os jovens se colocam ao serviço do Evangelho, Deus nunca falha. Vi isso nos voluntários, nas equipas, nas famílias de acolhimento, nos jovens que chegaram de todo o mundo e regressaram a casa com o coração transformado.
Por isso vos digo hoje, com convicção e esperança: Lisboa não terminou. Lisboa continua em Seul. O que o Senhor começou em Portugal, quer agora fazê-lo crescer nesta terra da Ásia, com a vossa cultura, a vossa história e uma fé marcada pelo testemunho dos mártires. A JMJ é um caminho que passa de mão em mão, de coração em coração, como uma chama que não se apaga.
Queridos jovens, a JMJ Seul 2027 já começou. Começou no dia em que dissestes “sim”. Começou nas reuniões, nos planos, nas inquietações escondidas e nas orações feitas em silêncio. Tal como São José, talvez nem sempre vejais tudo com clareza. Mas o Advento lembra-nos que Deus trabalha mesmo quando não O vemos.
São José não diz uma única palavra no Evangelho, mas a sua vida fala alto. Ele ensina-nos que a fé constrói-se mais com gestos do que com palavras, que servir é mais importante do que aparecer, e que a verdadeira grandeza está na fidelidade de cada dia. Esta é também a espiritualidade da Jornada Mundial da Juventude.
Aqui, nesta Basílica dos Mártires, recordamos que a fé na Coreia nasceu do testemunho de leigos, de jovens, de famílias que não tiveram medo de dar a vida por Cristo. Eles são o vosso alicerce e recordam-nos que a Igreja cresce quando alguém confia totalmente em Deus.
A JMJ Seul 2027 será, para muitos jovens do mundo inteiro, o primeiro encontro verdadeiro com Jesus. Alguns virão cansados, feridos, cheios de perguntas. Outros à procura de sentido. E vós sois chamados a preparar uma casa, como José preparou a casa onde Jesus nasceu: não perfeita, mas habitada pelo amor.
O Evangelho diz-nos ainda:
“Ela dará à luz um filho, e chamar-lhe-ás Jesus” (Mt 1,21).
Não somos nós que salvamos o mundo. É Jesus. Como tantas vezes nos recordou o Papa Francisco, a Igreja existe para abrir caminhos ao encontro. E como sublinha o Papa Leão XIV, os jovens não são apenas o futuro da Igreja: são o seu presente vivo. A Jornada Mundial da Juventude é esse presente de Deus para a Igreja e para o mundo.
E no centro de tudo está Maria, a mulher do Advento, aquela que acreditou quando tudo parecia impossível. Entreguemos-lhe este caminho que liga Lisboa a Seul. Peçamos-lhe que nos ensine a dizer “faça-se”, mesmo quando o coração treme.
Queridos jovens, deixo-vos uma palavra muito simples e muito verdadeira: a Igreja confia em vós. O Papa confia em vós. Eu confio em vós. E sobretudo, Deus confia em vós.
Quando o cansaço apertar, quando surgirem dúvidas ou medos, escutai de novo a voz de Jesus:
“Tende coragem: Eu venci o mundo.”
Que este Advento vos prepare para acolher Jesus no Natal e para O oferecer ao mundo em 2027. Como São José, levantai-vos, não tenhais medo e caminhai com o sonho de Deus.
Ámen.
+ Cardeal Américo Aguiar
Coordenador Geral da JMJ Lisboa 2023




