Homilia encerramento da Visita Pastoral à paróquia de São Francisco Xavier

Jun 15, 2026

 

Bem, chegámos então ao fim desta caminhada.

É um fim que é uma continuação. Aliás, é uma graça de Deus, eu acho que o Padre Pires foi o primeiro a ser nomeado para a quasi paróquia. Então temos aqui o Antigo Testamento e o Novo Testamento, o Alfa e o Ómega, não é? O Alfa e o Ómega.

E eu dizia há bocadinho ao Padre Pires, como é bonito nas visitas às casas e aos bairros, as pessoas a falarem do Padre Pires, não é? Tem barbas de abrão, mas enfim, mas ainda cá está. E damos graças a Deus por ele e por todos os irmãos da Companhia de Jesus, que ao longo destas décadas e depois nesta formalização da quase paróquia, tenham acompanhado o povo de Deus que aqui permanece e daqui passa.

Ouvir a primeira leitura daqueles que deixam a sua terra e vão e aqui temos tantos e tantas, que eu conheci e que se identificam com a leitura, não é? Com alegria, com esperança, mas também com sofrimento e com cicatrizes, daquilo que significa que é tudo muito bonito, mas quem as viveu ou vive, é que sabe como é que é, não é?

E por isso, esta lembrança de gratidão a Deus por cada um de vocês, pelas vossas famílias e por aqueles que já partiram e acreditamos que estão em paz na casa do Pai. Depois ouvíamos na segunda leitura Paulo lembrar-nos, sublinhar esta nossa identidade- Nós estamos ligados, estamos enxertados neste Cristo vivo que deu a sua vida por todos nós e não podemos deixar de ter presente exatamente isso, esta fonte, esta raiz da qual todos nós usufruímos.

Ao ponto desse próprio Jesus nos enviar e cá estamos nós. Ele há bocadinho dizia que os enviava para aqui e para ali, para isto e para aquilo, enviou dois a dois e cá estamos nós, continuamos a corresponder a esse envio, a esse amor, a esse cuidado, essa unção, essa missão, essa vocação de sermos enviados junto dos irmãos e das irmãs. E nós ontem fortalecemos aqui 15 com o Sacramento do Crisma.

Damos graças a Deus por eles, pelas suas famílias, pelos catequistas e por aqueles que diariamente se esforçam. Eu, nos primeiros dias que aqui cheguei, vi uma coisa bonita que é raro encontrar em qualquer lado, que é meninos pequeninos, estava aí um que queria vir para a catequese, mas, coitadinho, acertou no último dia de catequese. Chegou no último dia para vir para a catequese. Mas é bonito, é bonito nós podermos encontrar tantos e tantos pequeninos e mais crescidos com o desejo e a vontade de conhecerem Jesus.

Isso é bonito e damos graças a Deus por todos e por cada um. E esta missão continua. E nós queremos e desejamos que esta comunidade possa concretizar o sonho da sua igreja.

Nós sabemos da Via Sacra, das várias estações da Via Sacra que têm sido, mas, de vez em quando, há qualquer coisa que corre bem, há uma boa notícia, depois há dez más notícias, depois há mais uma boa e, portanto, isto devagarinho vai e eu estou convencido que daqui a algum tempo isto será apenas uma história daquilo que foram as dificuldades, estando nós já a usufruir daquilo que possa ser o que Deus providenciar dos sonhos que, certamente, vamos alimentando como comunidade. Quero pedir-vos a todos e a cada um que nos sintamos enviados e que a visita pastoral sirva exatamente para isso. Que cada um de vocês, com a realidade das suas vidas, com as dificuldades, com as oportunidades, com as soluções, sempre com Cristo vivo no seu coração, não deixem de testemunhar a alegria de Cristo na nossa vida e a alegria de olharmos para os problemas com a certeza de que os vamos ultrapassar.

E isso é a marca principal que eu levo desta visita. Encontrar pessoas em circunstâncias muito difíceis e que tenham um olhar de esperança. Isso não é fácil, e às vezes falta-nos. Testemunharmos essa alegria, essa esperança, essa confiança no Senhor, mesmo que a gente não saiba como é que vai ser.

Porque quando nós falamos com cada um, quando conhecemos as histórias e estamos fora, é assim, mas como é que vai ser? Que peso, que dificuldade, que obstáculo, que muro tão grande. E as pessoas a falarem-nos com um sorriso aberto e um olhar cheio da esperança de Cristo vivo. E é isso que contagia.

E é isso que eu vos quero agradecer. Que no meio dos problemas e das dificuldades do dia-a-dia, essa capacidade, esses olhos lindos, profundos de Deus, de Cristo vivo, que vocês conseguem testemunhar aos irmãos e às irmãs, apesar de todas as dificuldades. E por isso que levo no coração esse brilho.

Portanto, dar graças a Deus por isso, por cada um de vocês, e pedir ao São Francisco Xavier, já agora, que é ele que “trabalha por aqui”, e mais, pedir-lhe, ele que passou pela nossa diocese, lá nos anos idos, que esteve fisicamente em Setúbal, na sua viagem, que ele possa sempre inspirar-nos e contagiar-nos para a Missão. E a Missão, nós às vezes julgamos que a missão é ir para a África, ou para a Ásia, ou para não sei para onde. E a Missão é em nossa casa, é à nossa porta, é no nosso bairro, é na nossa rua, e é na nossa paróquia, e é na nossa diocese.

E, portanto, não é preciso fazer muitas milhas aéreas para evangelizarmos. Podemos começar a evangelizar já a pessoa que está sentada ao nosso lado.

Deus vos abençoe, vos fortaleça, vos encoraje, e que concretize, ou ajude a concretizar, aquilo que são os maiores sonhos e as maiores dificuldades que no coração e na vida cada um e as vossas famílias possam ter.

Assim seja.

 

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