Queridos irmãos e irmãs,
Celebrar a Solenidade da Santíssima Trindade é contemplar o coração de Deus. E o coração de Deus não é solidão. O coração de Deus é comunhão, relação, amor.
O Evangelho de hoje diz-nos algo absolutamente decisivo: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho.»
Reparemos: Deus não se fecha sobre Si mesmo. Deus oferece-Se. Deus aproxima-Se. Deus salva. A Trindade não é um problema de matemática religiosa. É a revelação de um Deus que é amor vivido e partilhado entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
E isso muda tudo na nossa vida.
Porque se fomos criados à imagem deste Deus, então também nós somos chamados à comunhão, à fraternidade, ao encontro e ao cuidado uns dos outros.
Num mundo tantas vezes marcado pela divisão, pela agressividade, pelo individualismo e pela indiferença, os cristãos são chamados a testemunhar outro modo de viver: viver em relação, viver em paz, viver em comunhão.
São Paulo dizia hoje: «Vivei em paz. E o Deus do amor e da paz estará convosco.»
Que palavra tão necessária para o nosso tempo.
Do Santuário de Cristo Rei, olhando o Tejo, Almada, e Portugal inteiro através de cada um dos telespectadores, no somos convidados a alargar o coração. A rezar pelo mundo. A rezar pelas famílias, pelos jovens, pelos pobres, pelos que sofrem, pelos que perderam a esperança.
E somos chamados a recordar que Deus não desiste da humanidade. Deus continua a acreditar em nós. Continua a caminhar connosco.
Na primeira leitura, Moisés escutava esta definição maravilhosa de Deus: «Um Deus clemente e compassivo, cheio de misericórdia e fidelidade.»
É este Deus que anunciamos. Não um Deus distante ou condenador, mas um Deus próximo, misericordioso e fiel.
E talvez hoje o maior testemunho que podemos dar seja precisamente este: mostrar, através da nossa vida, que acreditamos num Deus que ama, que perdoa e que nunca abandona.
Confiemos a nossa Diocese de Setúbal, as nossas comunidades e as nossas famílias ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
E peçamos a Maria, Senhora do Cristo Rei, que nos ensine a viver sempre na alegria da fé, na esperança e na comunhão.
Assim seja.




