Caos irmãos e irmãs,
Permiti que faça uma pequena reflexão nesta oportunidade que Deus nos dá de celebrarmos em conjunto a eucaristia. Quero agradecer ao mais anónimo dos filhos e filhas desta comunidade, até àqueles que têm maiores responsabilidades, mesmo aqueles que têm diversas responsabilidades, que ao fim do mês depois o IRS é uma trapalhada porque têm tantas tarefas que depois ao fim do mês é complicado [risos]. Ora, é complicado mas Deus retribui, acreditamos profundamente e cremos que Deus retribui mil por um aquilo que é o empenho, a dedicação e a entrega de tantos e tantas e permitir que sublinhe uma coisa que para mim é muito importante e muito urgente e nesta comunidade acontece já há alguns anos, tem a ver com o facto da igreja poder estar aberta.
É muito importante que as nossas igrejas possam estar abertas. A realidade que nós temos na diocese é muito diferente e uma maioria significativa abre a porta para a missa e fecha-a no fim da missa. Ora, nós temos de fazer um esforço e nesta comunidade é feito há muitos anos e agradeço a todos aqueles e aquelas que garantem que esta igreja esteja aberta tanto tempo, durante todos os dias, com exceção do dia em que encerra para que o Espírito Santo descanse um bocadinho também.
E depois também, enfim, não é preciso voltar a dizer e a sublinhar, independentemente da cultura, dos conhecimentos ou de saber de cada um, mesmo religiosos, quando a gente entra nesta nossa igreja é interpelado. Há muita coisa que nos provoca, que nos pica, que nos faz despertar e queremos dar graças a Deus à sensibilidade de quem vai fazendo, na pessoa do Pe. Pedro e na sensibilidade daqueles que vão partilhando para que as coisas possam acontecer.
Bem, alguns de vocês estão aqui para receber o sacramento do Crisma e eu desejo, espero e rezo que não seja o costume, que o Bispo crisma e para a semana desapareceram todos, já ninguém cá põe os pés, a data não é fácil, estamos nas férias, não é? Mas mesmo assim espero que o Crisma não seja qualquer coisa que é última que recebemos para desaparecermos.
Pelo contrário, a igreja deseja, quer e reza que seja início, ou que seja compromisso de fidelidade, de caminharmos juntos para darmos testemunho de Cristo vivo. Nós ouvíamos há pouquinho no Evangelho o Senhor dizer que o Pai escondeu estas coisas de Deus, escondeu aos sábios, revelou aos pequeninos, aos frágeis, a cada um de nós. O estarmos aqui significa que nos descobrimos na nossa pequenez, na nossa infantil caminhada como filhos e filhas de Deus.
E se estamos aqui é porque o Senhor nos tocou em circunstâncias diversas da nossa vida, em momentos diferentes da nossa vida, uns são mais novos, outros são mais novos há mais tempo, outros têm uma caminhada, preparação longa, outros têm uma preparação imediata. Cada um é a sua realidade, ninguém é melhor e ninguém é pior. Cada um está aqui porque Deus decidiu tocar e tocar profundamente no seu coração.
E vamos levar daqui uma unção na nossa testa, na nossa fronte, que Deus quer significar, nos vai encher plenamente do Espírito, para que a nossa vida, como ouvíamos na 2ª leitura, não seja, na sua totalidade, corresponder ao que o corpo, a carne, a carcaça pede. E nós sabemos todos, muito bem, que se formos fazer sempre o que ela quer, às vezes as coisas correm mal. Nós às vezes, muitas vezes, e todos aprendemos em muitas áreas da nossa vida, temos que disciplinar a carcaça, porque esta carcaça às vezes é indisciplinada.
E só o Espírito Santo de Deus para disciplinar este corpo, esta carcaça, esta vida, e por isso ao receber-lhes a plenitude do Espírito, se permitirdes, Deus vai providenciar. Se não permitirdes, não vai acontecer nada. A única coisa que nos dá asas para voar é uma bebida chamada Red Bull.
O Crisma não dá asas para voar. Mas o Crisma permite que aconteça na nossa vida o dom da totalidade deste Espírito Santo de Deus, que faz com que os mais pequeninos, os mais frágeis, os mais anónimos, descubram na sua vida e no seu coração a presença de Deus.
E era isso que ouvíamos na primeira leitura quando é dito, exulta de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo, filha de Jerusalém, tudo aquilo que aconteceu, tudo aquilo que vai acontecer, Deus providenciará sempre nas nossas vidas. Podemos não saber quando, nem como, nem quem, mas podemos ter a certeza que Deus providencia sempre. Confiemos sempre no Pai, confiemos sempre no Espírito Santo, confiemos sempre em Jesus, confiemos sempre, sempre, sempre.
Deus providencia sempre. Também temos que ter consciência que às vezes somos semeadores, mas não somos aqueles que vão colher os frutos. Nós temos muitos frutos que usufruímos, que foram plantados, que foram tratados com sangue, suor e lágrimas de muitos outros.
E nós agora ficamos com a frutinha, ficamos com os frutos. Mas há muita coisa que nós semeamos que não vamos ter a graça de usufruir diretamente delas. Vão ser as novas gerações, vão ser os filhos e vão ser os netos, vão ser as novas gerações.
E por isso temos também que colocar no coração que quando Deus providencia, providencia naquilo que é o seu tempo. E nós temos que ter consciência que o nosso tempo, os nossos caminhos, os nossos critérios nem sempre são aquilo que são os tempos, os critérios e os caminhos de Deus. Mas acreditamos que às vezes podemos, com o nosso esforço e com o Espírito Santo de Deus no nosso coração, podemos nos aproximar daquilo que são os seus passos, os seus tempos, os seus caminhos.
E por isso, meus queridos irmãos e irmãs, pedimos ao Espírito Santo de Deus que neste dia de modo especial, sobre aqueles que vão receber o sacramento do Crisma, possa enchê-los plenamente de maneira a que cada um de vocês possa ser para nós e para toda esta grande comunidade sinal vivo de Cristo vivo. Nós visitámos tanta gente, nós visitámos tantas instituições, nós cruzámos com tantíssima gente durante todos estes dias e fiquei com a certeza que a esmagadora maioria, 99,99%, espera, deseja, quer que nós lhes testemunhemos o rosto de Cristo vivo. E por isso, todos somos poucos para corresponder a esse mandato que Deus nos dá de darmos testemunho da alegria do Evangelho, que é de verdade a nossa missão.
Nós vamos agora proclamar a nossa fé. Quero que os que vão ser crismados respondam com o pulmão mais forte e todos os outros respondem mais suavezinho para que nós possamos ouvir que, de facto, estes crismandos estão devidamente preparados para acolher no seu coração o Espírito Santo de Deus.
Assim seja.




