
Participar em Roma neste Jubileu dos comunicadores cristãos foi para mim ocasião de contacto com uma família alargada apostada em comunicar a verdade de forma positiva.
Muitos dos que ali se encontravam têm a missão de comunicar a Igreja e a proposta cristã a um mundo ansioso por respostas, mas também indiferente a mensagens que não se apresentem nos tons do escândalo ou do drama.
Pelo que acredito e ali confirmei, a comunicação deve propor hoje histórias de gente real, limitada e frágil mas determinada no que faz. Na Igreja não faltam situações destas e as pessoas são sempre sensíveis ao que é “vida” e não simples “encenação”.
Por vezes, o canal informativo católico vai demasiado preenchido com teorias vertidas em auditórios de gente sentada, reuniões que se repetem anualmente com temas conhecidos, quando o que nos pedem é uma Igreja testemunho que arrisca, se aventura e edifica.
Ainda que o Papa não tenha lido o que tinha preparado para nós, quem o antecedeu naquela manhã na Aula Paulo VI (Maria Ressa e Colum McCann) apontou o caminho com grande clareza e entusiasmo.
Uma última nota. É sempre inspirador escutar o nosso Cardeal Tolentino Mendoça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação e também António Spadaro, o jesuíta diretor da “La Civiltà Cattolica. Tivemos essa oportunidade nestes dias, mas também a surpresa de conhecer e escutar a primeira mulher Prefeita de um Dicastério. Simona Brambilla chegou já este ano Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, estivemos com ela e, nas suas palavras, pudemos antever a Igreja que se começa a erguer do impulso sinodal.
Num mundo cheio de tensões e medos, não faltam afinal frestas de luz que importa alargar.
Henrique Matos, jornalista da Agência Ecclesia e diocesano de Setúbal



