No dia 27 de junho, dia em que a Igreja celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a Diocese de Setúbal celebrou, no Santuário de Cristo Rei, o Jubileu Diocesano dos Sacerdotes, um momento de encontro, ação de graças e renovação espiritual, em união com toda a Igreja que nesse dia reza pela santificação dos sacerdotes.
A manhã começou com a inauguração da renovada Avenida Pio XII, um espaço emblemático que simboliza a identidade e missão do Santuário. Nas palavras do reitor, Padre Carlos Silva, esta avenida é um reflexo do projeto de atualização do Santuário, “uma reflexão global e integral do espaço e do tempo”, que responde ao desafio de pensar “quem nos visita, quem são aqueles que passam pelo Santuário de Cristo Rei, o que procuram, o que nos pedem”. O Padre Carlos sublinhou ainda a importância de pensar este espaço com “realidade, identidade e criatividade” de forma a continuar a ser um lugar que acolhe e evangeliza todos, “de proveniências muito variadas, com interesses, sensibilidades e psicologias próprias”.
Na ocasião, o Bispo de Setúbal, Cardeal D. Américo Aguiar, saudou fraternalmente todos os presentes, lembrando, à semelhança do Papa Francisco, a importância de agradecer “a todos, todos, todos” — desde os sacerdotes e seminaristas aos trabalhadores e colaboradores do Santuário.
Seguiu-se uma palestra proferida por D, Pio de Sousa, centrada na vocação sacerdotal e nos desafios atuais. D. Pio sublinhou que o sacerdote é chamado a ser “credível e exemplar”, conscientes das suas limitações, mas “confiantes na graça extraordinária que nos foi confiada”. Inspirado pelas palavras do Papa, lembrou que “a Igreja não poderia caminhar sem o vosso empenho e serviço”, convidando cada padre a reencontrar “o amor da primeira hora”, aquela paixão inicial que motivou a entrega ao ministério. Ao falar da Eucaristia, D. Pio destacou que esta deve ser «o centro da vida pessoal e pastoral do sacerdote», um verdadeiro “encontro pessoal com Jesus Cristo” e não apenas um “serviço mecânico”. Alertou ainda para a necessidade de cuidar da própria saúde e das relações, pois “não podemos cuidar dos outros sem primeiro cuidar de nós mesmos”.
Após a palestra foi celebrada a Eucaristia, presidida pelo Cardeal D. Américo Aguiar. Na homilia, o bispo sadino evocou a vida de doação dos sacerdotes, recordando o exemplo daqueles que “se multiplicam, fazem muito mais do que aquilo que era expectável, com o perigo de se desgastarem fisicamente e espiritualmente”. Sublinhou que “não há presbíteros perfeitos”, mas que o essencial é a “fidelidade, o coração e a ousadia para amar”. O Cardeal convidou todos os sacerdotes a renovarem as suas promessas, num gesto de profunda comunhão e renovação interior. Concluiu com uma súplica: “Senhor Jesus, faz o nosso coração parecido com o Teu, manso, humilde, ardente de amor”.
A celebração culminou com a inauguração do busto de D. Manuel Martins, primeiro bispo de Setúbal, obra da escultora Maria José Brito, seguida do almoço fraterno. Ao honrar a memória de D. Manuel Martins, a Diocese recordou o legado de um pastor que marcou profundamente a história diocesana, inspirando gerações a viverem o Evangelho com coragem e proximidade.
Este Jubileu foi, assim, um sinal vivo da unidade e da missão partilhada, convidando cada sacerdote a regressar ao essencial: “Jesus Cristo, o centro e a fonte de toda a missão”.













