O cardeal D. Américo Aguiar, nosso Bispo de Setúbal e coordenador-geral da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, presidiu este domingo à Eucaristia do IV Domingo do Advento, na Basílica dos Mártires da Coreia, no Santuário de Jeoldusan, em Seoul. Na homilia, afirmou que a JMJ é “um caminho que passa de mão em mão, de coração em coração, como uma chama que não se apaga”, sublinhando que “Lisboa não terminou. Lisboa continua em Seoul”.
Celebrando a poucos dias do Natal, D. Américo Aguiar partilhou o significado especial desta Eucaristia, levando consigo “muitos rostos, muitas histórias e muitas orações” da experiência vivida em Portugal, em 2023. Para o cardeal, a JMJ Lisboa 2023 permanece viva e caminha agora rumo à JMJ Seoul 2027, envolvendo uma nova cultura, uma nova história e uma fé profundamente marcada pelo testemunho dos mártires coreanos.
Partindo da figura de São José, apresentada pela liturgia deste domingo, o bispo de Setúbal destacou a “coragem silenciosa” do esposo de Maria, um homem justo que, mesmo sem compreender tudo, confia plenamente em Deus. Essa atitude, afirmou, está intimamente ligada ao lema da JMJ Seoul 2027 — “Tende coragem: Eu venci o mundo” (Jo 16,33) — não como um simples slogan, mas como uma promessa de Jesus a todos os que se colocam ao serviço do Evangelho.
“Não se trata de não haver dificuldades, cruzes ou cansaço, mas de não ter medo, porque o Senhor está connosco e já venceu”, afirmou, dirigindo-se em particular aos jovens e às equipas que preparam a próxima Jornada Mundial da Juventude.
A partir da sua experiência como coordenador-geral da JMJ Lisboa 2023, D. Américo Aguiar recordou as noites longas, as preocupações e os desafios inesperados vividos durante a preparação do encontro internacional, mas também a certeza que nunca falhou: “quando os jovens se colocam ao serviço do Evangelho, Deus nunca falha”. O cardeal evocou o testemunho dos voluntários, das equipas, das famílias de acolhimento e dos jovens que chegaram de todo o mundo e regressaram a casa “com o coração transformado”.
Dirigindo-se de forma especial aos jovens sul-coreanos, afirmou que a JMJ Seoul 2027 “já começou”: começou no dia em que disseram “sim”, nas reuniões, nos planos, nas inquietações escondidas e nas orações feitas em silêncio. Tal como São José, reconheceu, nem sempre é possível ver tudo com clareza, mas o tempo do Advento recorda que Deus continua a agir mesmo quando não O vemos.
Na Basílica dos Mártires da Coreia, D. Américo Aguiar recordou ainda que a fé naquele país nasceu do testemunho corajoso de leigos, jovens e famílias que não tiveram medo de dar a vida por Cristo. Esse testemunho, afirmou, é o alicerce sobre o qual se constrói o caminho para a JMJ Seoul 2027 e um sinal de que a Igreja cresce quando alguém confia totalmente em Deus.
O bispo de Setúbal sublinhou que a próxima Jornada Mundial da Juventude será, para muitos jovens de todo o mundo, o primeiro encontro verdadeiro com Jesus. “Alguns virão cansados, feridos, cheios de perguntas; outros à procura de sentido”, afirmou, desafiando os organizadores a preparar uma casa como São José preparou a casa onde Jesus nasceu: não perfeita, mas habitada pelo amor.
No centro deste caminho, destacou também a presença de Maria, a mulher do Advento, aquela que acreditou quando tudo parecia impossível. A Ela confiou simbolicamente o percurso que liga Lisboa a Seoul, pedindo que ensine a Igreja a dizer “faça-se”, mesmo quando o coração treme.
“A Igreja confia em vós. O Papa confia em vós. Eu confio em vós. E sobretudo, Deus confia em vós”, afirmou D. Américo Aguiar, deixando uma palavra final de esperança e encorajamento aos jovens, à luz do Evangelho: “Tende coragem: Eu venci o mundo.”
O cardeal D. Américo Aguiar encontra-se em Seoul entre os dias 16 e 22 de dezembro, acompanhado por Mariana Frazão e Luís Ponce Gil, para reuniões de trabalho com os organizadores da Jornada Mundial da Juventude Seul 2027, dando continuidade ao caminho iniciado em Lisboa, em 2023.




