Reverendo Padre Luís Ferreira do Amaral, SJ,
Queridos Padres da Companhia de Jesus,
Queridas irmãs e irmãos da Paróquia de São Francisco Xavier,
Chegados ao final desta Visita Pastoral, o meu coração enche-se de gratidão e a primeira palavra só pode ser: graças a Deus!
Foram dias intensos de encontro, de escuta, de oração, de partilha e de proximidade. Dias que me permitiram conhecer mais de perto esta comunidade paroquial e as múltiplas realidades humanas, sociais, educativas, empresariais e solidárias que fazem parte da sua vida e da sua missão.
Quero agradecer, antes de mais, ao Padre Luís Ferreira do Amaral, SJ, e aos seus quatro companheiros jesuítas, pelo testemunho de serviço generoso, pela hospitalidade fraterna e pelo trabalho pastoral desenvolvido nesta comunidade. Agradeço igualmente aos membros do Conselho Pastoral, do Conselho Económico, aos catequistas, aos animadores dos grupos e movimentos, aos escuteiros, aos jovens, aos coros, aos ministros, aos leitores, aos voluntários e a todos aqueles que diariamente ajudam a construir esta família paroquial.
Ao longo destes dias pude encontrar crianças, adolescentes e jovens; participar na vida da catequese; escutar os crismandos; visitar escolas, instituições sociais, centros comunitários, obras educativas, estruturas de saúde, forças de segurança, empresas, associações culturais, centros juvenis e tantas outras realidades que testemunham a riqueza humana desta comunidade.
Levo comigo a memória agradecida dos encontros com os mais frágeis: os idosos, os doentes, aqueles que vivem a solidão, as dificuldades económicas ou as limitações próprias da idade e da doença. Em cada um deles reconhecemos a presença de Cristo, que nos continua a desafiar a sermos uma Igreja próxima, samaritana e comprometida com a vida concreta das pessoas.
Ao percorrer bairros, escolas, instituições, empresas e acompanhando de perto a vida das pessoas, não pude deixar de escutar uma preocupação que atravessa muitas famílias e que constitui hoje um dos mais sérios desafios sociais desta região e do nosso país: a falta de habitação acessível e digna.
Muitos jovens veem adiado o sonho de constituir família. Muitos casais enfrentam enormes dificuldades para encontrar uma casa compatível com os seus rendimentos. Muitas famílias vivem situações de grande fragilidade e incerteza perante os custos crescentes da habitação.
Esta realidade interpela-nos a todos. A habitação é muito mais do que uma questão económica ou urbanística. É uma condição essencial para a dignidade da pessoa humana, para a estabilidade das famílias, para a educação dos filhos e para a construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna.
A Igreja não tem soluções técnicas para oferecer, mas tem o dever de recordar que a pessoa humana deve estar sempre no centro das decisões políticas, económicas e sociais. Por isso, faço votos para que esta questão continue a merecer a atenção prioritária dos responsáveis públicos, das instituições e de toda a sociedade, para que ninguém seja privado do direito fundamental a uma habitação condigna.
Também por esta intenção rezamos e continuaremos a trabalhar, promovendo uma cultura de solidariedade, de responsabilidade e de cuidado mútuo.
Foi particularmente significativo viver convosco o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, numa comunidade que é também um belo retrato da riqueza humana, cultural e espiritual do mundo lusófono. Ao longo desta Visita encontrei irmãs e irmãos oriundos de diferentes países de língua portuguesa, que aqui encontraram uma casa, uma comunidade e uma família de fé.
Esta diversidade é uma riqueza e um dom de Deus. Ela recorda-nos que a língua portuguesa é muito mais do que um património cultural comum: é também uma ponte de encontro entre povos, histórias e tradições. Nesta paróquia, a fé fala com diferentes sotaques, mas exprime-se num só coração e numa só esperança em Cristo.
Ao celebrarmos o Dia de Portugal, demos graças pela nossa história comum e pelas comunidades lusófonas espalhadas pelo mundo. E rezámos para que continuemos a construir uma sociedade cada vez mais fraterna, acolhedora e solidária, onde cada pessoa encontre o seu lugar e possa contribuir com os seus dons para o bem de todos.
Igualmente marcante foi a celebração da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, dia dedicado à oração pela santificação dos sacerdotes. Num contexto tão especial como o encontro do clero da Diocese no Santuário de Cristo Rei, pudemos renovar a consciência de que o ministério sacerdotal só encontra sentido quando vivido à imagem do Coração de Cristo: próximo, misericordioso, disponível e servidor.
Nesta Visita esteve sempre presente a inspiração do vosso padroeiro, São Francisco Xavier. Missionário incansável, homem de horizontes largos e de coração sem fronteiras, continua a recordar-nos que a Igreja existe para anunciar o Evangelho e para levar a todos a alegria do encontro com Jesus Cristo. Para nós, Diocese de Setúbal, a sua figura possui um significado ainda mais profundo, pois a sua passagem por estas terras permanece como sinal de uma vocação missionária que continua a desafiar-nos.
A espiritualidade inaciana que marca esta comunidade ajuda-nos a compreender que Deus continua a falar na vida concreta das pessoas, nas alegrias e desafios do quotidiano, convidando-nos continuamente ao discernimento e à missão.
Levo também comigo, na oração e na esperança, o sonho que habita o coração desta comunidade: a construção da nova igreja e do futuro centro social. Ao longo destes dias pude escutar esse desejo, compreender a sua importância pastoral e social e reconhecer o empenho de tantos que trabalham para o tornar realidade.
Trata-se de um sonho que não nasce da procura de melhores instalações, mas da vontade de servir melhor as pessoas, de acolher melhor as famílias, de acompanhar melhor os mais frágeis e de criar condições para que a missão da Igreja continue a crescer neste território.
Como tantas vezes acontece na vida da Igreja, os grandes projetos começam por ser um ato de fé. Por isso, levo comigo este sonho e continuarei a rezar por ele. Confiemo-lo ao Senhor, certos de que Ele continua a conduzir a sua Igreja. Façamos a nossa parte com generosidade, responsabilidade e perseverança.
Deus providenciará.
Trago também no coração todas as comunidades já visitadas neste caminho pastoral da nossa Diocese: São Tiago de Almada, Cacilhas, Pragal, Costa da Caparica, Trafaria, Sobreda, Vila Nova de Caparica, Cova da Piedade, São José Operário do Laranjeiro/Feijó, Vale Figueira e agora São Francisco Xavier. Em todas encontro a mesma fé, a mesma esperança e o mesmo desejo de caminhar juntos como Povo de Deus.
Ao concluir esta Visita Pastoral, volto já o olhar e a oração para a próxima etapa deste caminho diocesano, que nos levará à Paróquia do Monte da Caparica. Como aconteceu em cada uma das comunidades já visitadas, também ali desejo chegar com espírito de escuta, proximidade e esperança. Peço-vos que acompanheis esta intenção com a vossa oração, para que o Senhor continue a abençoar este percurso de encontro, comunhão e missão que estamos a realizar em toda a Diocese de Setúbal.
Esta Visita termina, mas a missão continua. O Evangelho continua a chamar-nos. O Senhor continua a enviar-nos. E a nossa Diocese continua a construir-se através da fé, da dedicação e do testemunho de cada comunidade.
Confio todos vós à intercessão de São Francisco Xavier, pedindo que vos alcance a alegria da missão, a coragem da esperança e a fidelidade ao Evangelho.
Obrigado pelo acolhimento, pela amizade e pela oração.
Contai comigo. Eu conto convosco.
Caminhemos juntos.
Com amizade, gratidão e bênção,
† Cardeal Américo Aguiar
Bispo de Setúbal




