Mensagem no I Encontro Diocesano dos Conselhos Pastorais Paroquiais

Fev 28, 2026

Santuário de Cristo Rei, 28 de fevereiro de 2026

Caríssimos irmãos e irmãs, saudações fraternas a todos, todos, todos.

Reunimo-nos como Igreja convocada pelo Espírito Santo. Não por estratégia humana, mas por fidelidade Àquele que continua a dizer às suas comunidades: «Quem tem ouvidos, oiça o que o Espírito diz às Igrejas» (Ap 2,7).

Antes de mais, desejo elevar a Deus uma palavra de profunda gratidão pelos nossos Padres e pelas comunidades paroquiais que já tive a alegria de encontrar no contexto da Visita Pastoral.

Esses dias de encontro, escuta e partilha foram, para mim, verdadeira experiência espiritual. Não encontrei apenas estruturas, agendas ou atividades: encontrei Cristo Vivo em todos os rostos — nos que servem, nos que rezam, nos que sofrem, nos que esperam, nos que, silenciosamente, sustentam a vida das comunidades.

Guardo no coração, com particular gratidão, as comunidades já visitadas, pela ordem em que foram acontecendo: São Tiago de Almada, Cacilhas, Pragal, Costa da Caparica e Trafaria, todas pertencentes à Vigararia de Almada – Caparica.

Confirmo, com emoção de pastor, que o Senhor continua presente e atuante na nossa Diocese. Como nos recorda a Escritura: «Eu próprio cuidarei das minhas ovelhas e velarei por elas» (Ez 34,11) e ainda: «Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me» (Jo 10,14).

Celebramos, neste contexto de caminho e proximidade, o I Encontro Diocesano dos Conselhos Pastorais Paroquiais e a tomada de posse do Conselho Pastoral Diocesano, hoje reativado, recordamos, com sincera gratidão, o último Conselho Pastoral Diocesano que foi constituído em 2014 pelo nosso Bispo D. Gilberto Canavarro dos Reis. A sua dedicação permanece semente viva na história da nossa Diocese.

A nossa memória recua ainda mais: foi São Paulo VI quem, a 16 de julho de 1975, criou a Diocese de Setúbal. Nascemos do coração do Concílio Vaticano II, chamados a ser Igreja missionária, servidora e em saída.

Na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi — verdadeira carta magna da evangelização — recordava-nos: «A Igreja existe para evangelizar» (EN 14) e acrescentava: «O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres» (EN 41). Estas palavras continuam a iluminar o nosso caminho. Por isso deixo ressoar no coração da nossa Igreja uma pergunta decisiva: O que diz hoje o Espírito Santo às mulheres e aos homens sadinos? Quais são os sonhos de Deus para este Seu amado Povo que peregrina em Setúbal?

O Espírito continua a cumprir a promessa: «Derramarei o meu Espírito sobre toda a carne» (Jl 3,1; cf. At 2,17).

No discernimento que somos chamados a fazer, há realidades concretas que, como vosso Bispo, trago no coração e confio à corresponsabilidade de todos.

Preocupa-me, em primeiro lugar, a nossa presença na Escola, particularmente a frequência e a lecionação da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica. Trata-se de um espaço privilegiado de encontro com as novas gerações, de diálogo entre fé e cultura e de proposta de sentido. Não podemos desistir deste campo missionário.

Preocupa-me também a proximidade da Igreja — a proximidade do próprio Jesus — nas horas da doença, da morte e do luto nas nossas comunidades. A forma como acompanhamos quem sofre é medida da autenticidade do nosso Evangelho. Somos chamados a ser Igreja samaritana, que não passa ao largo da dor humana.

Trago ainda no coração o apelo a igrejas abertas para além dos horários das celebrações. Uma igreja aberta é sinal de um Deus acessível. É espaço de silêncio, de refúgio, de oração e de encontro para quem procura, crê ou simplesmente entra.

Quero igualmente elevar uma ação de graças pelo funcionamento da Escola da Fé na nossa Diocese. Ela é sinal de maturidade eclesial e de sede de aprofundamento espiritual. Sinto, porém, a necessidade de alargar o seu funcionamento ao território de maior proximidade possível, para que a formação chegue a todos.

Precisamos de crescer numa maior intimidade e conhecimento da Sagrada Escritura. Uma Igreja que não se alimenta da Palavra perde vigor missionário. Como nos recorda São Paulo:

«A fé vem da pregação, e a pregação pela Palavra de Cristo» (Rm 10,17).

Desejo também elevar a Deus uma sentida ação de graças por todos os leigos e leigas empenhados na pastoral da nossa Diocese, homens e mulheres que dão tempo, coração e vida ao anúncio do Evangelho.

De modo muito particular, agradeço a todos aqueles que, nos últimos tempos, têm dado corpo ao caminho sinodal diocesano e, de forma especial, aos membros da nossa Comissão Diocesana, que com generosidade e espírito eclesial têm sustentado este processo de escuta, discernimento e comunhão.

Permitam-me ainda dirigir uma palavra de gratidão e alento aos nossos seminaristas, sinais de esperança para o futuro da Igreja; aos pré-candidatos em discernimento para o Diaconado Permanente; aos nossos diáconos permanentes, testemunhas de serviço no meio do mundo; e a todo o nosso presbitério, que quotidianamente entrega a vida ao Povo de Deus com fidelidade tantas vezes silenciosa.

Queridos irmãos, obrigado pela vossa disponibilidade, perseverança e testemunho. A Diocese precisa de vós. A Igreja conta convosco. O Senhor caminha convosco.

Neste contexto, lanço alguns desafios à reflexão de toda a Diocese.

Encomendei a uma Comissão Diocesana a apresentação de uma proposta de esboço de um novo mapa paroquial. Não se trata de um exercício meramente administrativo, mas de um discernimento missionário.

Somos chamados a olhar para o território à luz da Missão da Evangelização. A presença da Igreja não pode ficar prisioneira de mapas herdados ou de estruturas fixas. Precisamos de garantir a presença dos Ministros Ordenados onde o Povo de Deus vive — não como escravos do mapa, mas como servidores do Evangelho.

O que vier a resultar deste processo passará obrigatoriamente pelos vossos corações e pelas vossas orações — nos Conselhos Pastorais Paroquiais e no Conselho Pastoral Diocesano. Nada será imposto sem escuta. Nada será decidido sem discernimento. Nada avançará sem comunhão.

Coloco igualmente à reflexão sinodal a questão da sustentabilidade económica e financeira das nossas paróquias e da Diocese. Não apenas como tema administrativo, mas como condição para a missão.

Urgem novos paradigmas de corresponsabilidade, transparência e partilha. A sustentabilidade está ao serviço da Evangelização.

Vivemos uma hora que exige renovado ardor missionário. Falamos de Nova Evangelização — mas para muitos ela será primeira evangelização. Somos enviados a todos.

O Senhor continua a dizer-nos: «Eis que faço novas todas as coisas» (Ap 21,5).

Vivemos este caminho em comunhão com a Igreja universal, guiada pelo Papa Leão XIV, chamados a crescer no estilo sinodal: escutar, discernir e caminhar juntos.

Confiamos este novo tempo pastoral à intercessão de Santa Maria da Graça, nossa Padroeira, para que nos ensine a dizer “sim” aos sonhos de Deus.

E, como Igreja reunida, elevamos a nossa oração:

 

Oração ao Espírito Santo

Vinde, Espírito Santo,
Alma viva da Igreja,
Sopro de Deus que renova a face da terra.
Descei sobre a Diocese de Setúbal,
sobre as suas paróquias e comunidades,
sobre os seus pastores e fiéis,
sobre as mulheres e os homens sadinos
chamados a ser Povo de Deus em caminho.

Vinde, Espírito de Sabedoria,
para que saibamos discernir os sonhos de Deus.

Vinde, Espírito de Conselho,
para que os nossos Conselhos Pastorais
sejam lugares de escuta, comunhão e missão.

Vinde, Espírito de Fortaleza,
para que não tenhamos medo de renovar caminhos.

Vinde, Espírito de Ciência,
para que leiamos os sinais dos tempos
à luz do Evangelho.

Vinde, Espírito de Piedade,
para que cresçamos na ternura
e no cuidado dos mais frágeis.

Acendei em nós o fogo de um novo Pentecostes.
Fazei das nossas paróquias casas abertas,
dos nossos jovens profetas de esperança,
das nossas famílias igrejas domésticas,
dos nossos pobres o centro do nosso cuidado.
Ensinai-nos a caminhar juntos,
a discernir juntos,
a sonhar juntos.
Que nada em nós resista à vossa graça.
Que nada em nós impeça os sonhos de Deus.
Sob o olhar de Santa Maria da Graça,
fazei de nós uma Igreja viva, missionária e servidora.

Vinde, Espírito Santo.
Renovai-nos.
Enviai-nos.
Conduzi-nos.

Ámen.

Com a minha bênção e estima fraterna,
† Cardeal Américo Aguiar
Bispo de Setúbal

Newsletter

Em destaque

Conselho Pastoral Diocesano – Comunicado Final

Conselho Pastoral Diocesano – Comunicado Final

  Realizou-se hoje, dia 25 de julho, Festa do Apóstolo São Tiago, na Casa Episcopal, em Setúbal, o segundo Conselho Pastoral Diocesano.  A sessão de abertura foi presidida pelo Cardeal D. Américo...

Últimas notícias

Agenda

There are no upcoming events at this time