
Em Roma, cidade onde arte e fé se encontram a cada passo, o Jubileu dos Artistas voltou a ganhar forma entre os dias 15 e 18 de Fevereiro de 2025. Este evento ofereceu aos participantes a oportunidade de peregrinar, refletir e celebrar a sua vocação artística à luz da fé. Apesar de alguns desafios, a graça de Deus fez-se notar ao longo de cada dia.
A fragilidade da organização levou ao cancelamento de momentos aguardados, e a tão esperada audiência com o Papa Francisco não aconteceu, devido à sua hospitalização. Apesar dos imprevistos, a essência do Jubileu manteve-se transformando-se numa verdadeira peregrinação de fé, oração e arte.
Apesar da ausência do Papa Francisco, tive a graça de poder participar na missa de Domingo, presidida pelo Cardeal José Tolentino Mendonça. Um momento de profundo encontro com Deus, através das palavras proferidas na homília, dirigidas a todos os que se encontravam presentes, e que ainda hoje ressoam em mim, não me deixando esquecer que os dons devem ser colocados ao serviço do próximo, criando pontes em vez de muros.
O momento mais marcante para mim deu-se na “Noite Branca”. Uma experiência única onde a escuridão reinava na majestosa Basílica de São Pedro, sendo vencida somente por alguns focos de luz, estrategicamente colocados e que nos levavam por um percurso artístico, musical e de fé que nos envolvia por completo, convidando-me a pensar e meditar sobre o meu sofrimento e na forma como Cristo me ama e me salva dessa morte profunda que pode envolver a humanidade. Da mesma forma me fez pensar como posso dar aos outros que não conhecem este amor, um vislumbre da paz que em Cristo encontramos quando entramos na Sua vontade e nos transformamos em Suas testemunhas.
Apesar das dificuldades e mudanças de planos, abracei o espírito de peregrinação a que fui convidada, fazendo uma passagem pelas quatro Portas Santas de Roma, levando comigo as intenções e os sofrimentos daqueles que ficaram em Portugal, mas que me pediram que pudesse rezar por eles e pelas suas famílias.
Levo ainda, comigo, a graça de poder ter sido acolhida pelos irmãos Dehonianos da Casa do Sagrado Coração de Jesus em Roma. Acima de um lugar onde pude ficar, foi um refúgio espiritual onde encontrei momentos de partilha e também de profunda oração. Para além de recuperar as forças a cada dia, pude experimentar o acompanhamento de uma comunidade de vive o Evangelho de uma forma profunda no seu dia-à-dia.
No fim desta jornada, este Jubileu foi uma experiência que me marcou para a vida e me mostrou como o dom que durante tempo deixei adormecido, pode servir para ajudar o meu próximo e como a oração é verdadeiramente uma das Armas da Luz, uma arma que não mata mas salva os corações atribulados. Fui para Roma com o coração pesado e na Sua imensa misericórdia, o Senhor mostrou-me o seu amor por mim das formas mais inesperadas. Os problemas e sofrimentos continuam a existir na minha vida, mas a Arte e a oração que faço a partir dela também me concede a paz para poder entrar na vontade do meu Criador e aceitar a história que ele tem para mim.
Agora, de regresso, tenho de continuar a colocar os meus dons a render, e mostrar àquele que se encontra a meu lado, as maravilhas que Deus tem feito por mim.
Daniela Luís, artista da Diocese de Setúbal e dona da “Traço Azul”



