No final da Visita Pastoral às paróquias da Costa da Caparica e da Trafaria, estivemos à conversa com o Pe. Casimiro Henriques, pároco de ambas as paróquias, para um primeiro balanço destes dias de acompanhar o nosso Bispo pelas diferentes realidades das suas paróquias.
Que balanço é que se faz desta visita pastoral às paróquias da Costa da Caparica e da Trafaria?
Primeiro, é o positivo, o positivo da proximidade do Bispo, de estar com as suas pessoas e das pessoas também estarem com o seu Bispo. As mensagens que temos recebido são precisamente isso, “obrigado pelo Sr. Bispo ter vindo até cá e até nós”, e eu acho que isso é a grande vantagem.
Tenho aqui uma mensagem que eu queria ler, que efetivamente é a expressão disto: “Caro Cardeal D. Américo, queria agradecer de coração a sua visita pastoral. Ela foi, como o Sr. Cardeal dizia na sua mensagem aos paroquianos, tempo de consolação, de renovação da esperança e de fortalecimento da comunhão entre todos. Ao mesmo tempo, por graça do Espírito Santo, esta visita foi como uma segunda entrada dos nossos padres, Casimiro e Moisés. Agradeço também a ideia brilhante de dar a todos o livro itinerário mistagógico sobre a Missa, por não se tratar de mais um livro dado à porta da Igreja, mas um livro muito inspirado pelo Espírito Santo pelo ensinamento profundo, mas muito acessível sobre a Santa Missa”. E esta mensagem, de facto, reflete isto. Portanto, a proximidade do Bispo com a sua gente, da sua gente com o Bispo, acho que é o ponto mais positivo.
E depois, claro, como nós também entramos há cinco meses atrás, portanto ainda estamos a entrar, isto obrigou-nos, também a nós padres, a conhecer rapidamente o nosso território e as nossas gentes. Portanto, uma entrada mais rápida do que esta é quase impossível. Portanto, fomos aqui a reboque da visita pastoral e esse ponto de vista positivo, também para nós, em particular, é uma mais-valia.
Qual é que foi a preocupação na escolha e definição do programa?
Não houve preocupação. O Sr. Bispo queria ir conhecer todas as realidades e nós convidamos todas as realidades a conhecer o Sr. Bispo. E quando fizemos o convite, fizemos a todos, absolutamente todos, não deixámos ninguém de fora.
Depois, com as respostas, foi tentar perceber o que é que tinha falhado, o que é que nós gostaríamos de visitar, de estar e que não tinham respondido e depois corremos atrás. Portanto, foi uma estratégia como qualquer outra. Isto, na Costa de Caparica. Aqui na Trafaria a Junta de Freguesia foi muito mais viva na coisa dos contactos e, portanto, facilitou esse contacto de proximidade, principalmente com o comércio local, que é muito mais disperso e aí facilitou. Mas, se houver estratégia, foi isso, foi ir a todo lado e fazermos próximos de todos e pronto. E agora colher os frutos disso, não só na visita, mas também na vida pastoral.
Como é que foi a resposta das pessoas? Na resposta ao convite e depois com a presença?
Muito contentes, claro que sim. Dou como exemplo os surfistas: “que pena não estarmos aí porque estamos num campeonato na Austrália. Mas queremos que o Sr. Padre venha e, se possível, o Sr. Bispo”, numa próxima oportunidade, e lá iremos.
Portanto, isso foi imediato. Não tivemos ninguém a dizer, não, não queremos nem pensar. Se pensaram isso, foi na ausência da resposta.
Olhamos para uma Igreja que se diz estar muito afastada da realidade da sociedade, mas percebemos que a sociedade não está assim tão afastada da Igreja.
Sim, a sociedade não está. Também é verdade que temos uma proximidade maior na Trafaria, também por ser uma terra muito mais pequenina, muito mais próxima. A estrutura, a malha é diferente. Na Costa já um pouco mais dispersa. Mas isso pronto, também há razões da própria vida pastoral e dos padres, etc. que ajudam a perceber isso ou a justificar isso.
Mas sim, não sinto que nestas realidades haja divórcio entre a igreja e a sociedade civil, pelo contrário.
A vida pastoral acaba por ser também uma forma de solidificar um bocadinho essa união que se pretende, não é?
Sim. No meu caso, de conhecer e de me aproximar e depois de solidificar, sim.
Que desafios lhe ficam desta visita pastoral?
Então, muitos. Em primeiro lugar, conhecer melhor algumas realidades. Depois, com a questão dos pescadores e dos agricultores, perceber que há um caminho de proximidade a fazer, há um trabalho pastoral a fazer, porque nesta fase, se não é nulo, também não há de estar muito longe. Aqui na Trafaria, por seu lado, o âmbito social é mais preocupante, há esse trabalho de reestruturação da resposta social. E depois há muitos desafios pastorais que eu já tinha identificado e que a visita pastoral veio confirmar. Há aqui um território que é disperso, em bairros que são ilhas, a Cova do Vapor e outros, que são ilhas e que talvez seja mais difícil lá chegar, nos implementarmos.
É difícil respondermos à realidade da Fonte de Telha, está muito longe da paróquia, por isso a resposta pastoral tem que ser lá, porque não pode ser uma resposta integrada, porque geograficamente aquilo não está integrado. A Cova do Vapor é a mesma coisa, a mesma realidade, há uma estrada para ir, há a mesma estrada para vir, não há outras vias de comunicação.
Depois há aqui a Pêra, não é? Portanto, a mesma coisa. Portanto, há aqui núcleos populacionais dispersos que vai ser difícil responder pastoralmente, mas que não deixam de ser desafios que eu já tinha vislumbrado e que agora tenho a certeza.



