VI Jornadas Nacionais da Pastoral do Turismo – A esperança de uma nova sustentabilidade

Fev 24, 2026

A 13 e 14 de fevereiro tiveram lugar no Santuário do Cristo Rei as VI Jornadas Nacionais da Pastoral Turismo, subordinadas ao tema “A esperança de uma nova sustentabilidade”.

A sessão de abertura contou com a presença do Bispo da Diocese – Cardeal D. Américo Aguiar, que disse: “que o turismo seja um instrumento de paz, permitindo que todos se descubram como «irmãos». A Igreja deseja que o turismo sirva como oportunidade, para que alguns entrem como turistas e saiam como peregrinos”.

D. José Traquina, presidente da Comissão da Pastoral Social e Mobilidade Humana da CEP, falou do turismo como uma experiência que “leva a descobrir novos amigos” e de ir ao encontro do património natural e artístico. “ uma grande oportunidade de humanização e de enriquecimento pessoal”, destacou o bispo de Santarém.
Ivan Gonçalves, vereador da Câmara Municipal de Almada, destacou a importância e necessidade de “facilitadores” no trabalho de promoção da região e o padre Miguel Neto, diretor da PTP, assinalou o impacto do “cenário de catástrofe” que se vive no país, destacando o programa das Jornadas com o objetivo de colocar em debate a questão da “sustentabilidade”, para lá da dimensão económica.

O arcebispo italiano D. Rino Fisichella, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização (Santa Sé), associando-se às jornadas, numa mensagem em vídeo, referiu que o turismo deve ser um espaço de encontro e diálogo, “O turismo, quando vivido como responsabilidade e espírito de fraternidade, pode tornar-se um espaço privilegiado de encontro, de diálogo e da verdadeira amizade social. É uma oportunidade concreta para redescobrir a dignidade das pessoas, o valor das comunidades locais e o cuidado da criação”.

O programa apresentado foi deveras rico e foram apresentados temas que propõem repensar as novas formas de Turismo Religioso, tendo presente que muitos dos que visitam as igrejas e os Santuários não são católicos, alguns são de outras religiões, outros são descrentes, e muitos dos católicos não têm conhecimentos adquiridos na matéria para facilmente perceberem uma tela, uma talha dourada, ou um painel de azulejo, e por isso a necessidade da informação clara e concisa.
A formação para os guias, também eles fruto do mundo descristianizado, desconhecedores do espaço Sagrado, foi um ponto abordado nas Jornadas, para o qual a Equipa da Pastoral do Turismo irá apresentar um plano formativo a ter lugar já em 2026.
Uma exigência apresentada teve a ver com a necessidade imperiosa das Igrejas estarem de portas abertas, em bom estado de conservação e com horários ajustados às realidades e fluxos turísticos; um dos conferencistas – Padre Edgar Clara, empenhado na recuperação de arte sacra, como Prior na zona de São Cristóvão e Igreja da Santa Cruz do Castelo, Lisboa, apresentou formas concretas de subsistência efetiva para o espaço sagrado e para a valorização do património religioso.
A Diretora do Museu do Funchal trouxe à reflexão o museu como espaço de diálogo e referiu “O turista tem sede do Sagrado”. A Drª Madalena Abreu disse: “É preciso trabalhar com estratégia, simplicidade e autenticidade”.

O turista de hoje quer ter acesso ao máximo de informação, devidamente organizada, de rápida absorção e quer poder construir algo que mais tarde lhe recorde a experiência tida anteriormente e recordá-la ao olhar o objeto feito ou construído in loco e por si – vive-se num turismo experiencial, num turismo de fazer, sentir e saborear; por isso os responsáveis pelo turismo são convidados a pensar em formas efetivas em que a visita não seja apenas “tirar uma fotografia instagramável” – é por isso necessário refletir na forma de saber acolher os que visitam os espaços sagrados, proporcionar informação organizada e de fácil leitura, preparada para todos, tendo em conta que a comunicação é um pilar fundamental e que o investimento necessário nessa mesma comunicação pode ser condição para que o visitante “entre como turista e possa sair como peregrino”.

A Drª Fátima Eusébio, diretora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja disse: “O património da Igreja exige “tempo” e silêncio para ser compreendido”, rejeitando a transformação destes espaços em locais meramente tecnológicos ou museológicos.  “Este património só tem sentido se for habitado, se for vivenciado por todos”.  Na conferência dedicada ao tema ‘A Esperança: Experiência imersiva de turismo religioso’ sublinhou que “o sagrado, por si só, tem uma natureza imersiva”, distinguindo esta realidade dos recursos digitais – “Experiência imersiva é ter as Igrejas abertas.”.

Na Capela do Monumento do Cristo Rei, o Reitor do Santuário, Padre Carlos Silva, apresentou a história do monumento levando os presentes a imergirem na arte presente em todo o espaço, grande parte dela da autoria do Arquiteto Sousa Araújo e como corolário, rezou-se ao som do fado, um deles retirado da liturgia das horas e outros deles dedicados a Nossa Senhora, Rainha da Paz, num Santuário, Nacional, pensado como símbolo de paz.

Um dos painéis com representantes do setor do turismo destacou o papel central dos mediadores humanos como ponto fulcral nesta dualidade entre o turista e o peregrino. A Drª Sandra Cortes Madeira, membro da equipa da Pastoral do Turismo do Algarve e da equipa Nacional, referiu “como agentes de turismo temos que passar a nossa identidade também pelo nosso comportamento, pelas várias formas como nos expressamos”; e o Dr. José Pimenta da Pastoral do Turismo de Lisboa e também membro do Secretariado Nacional referiu “o turista não pode ser visto como um número, mas sim como uma pessoa”.

O Professor João Ferrão alertou para o risco de perda de identidade e propôs propostas ao “deslaçamento social”.

O reitor do Santuário, Padre Carlos Silva, deixou para reflexão a frase “Os tempos são marcados com muito turismo e pouca peregrinação” e D. Manuel Quintas deixou uma palavra de agradecimento aos presentes e à equipa envolvida na organização das jornadas.

No período da tarde do 2º dia, as equipas das várias Pastorais Diocesanas reuniram-se e refletiram sobre o caminho a trilhar, olhando para as prioridades e as exigências do setor.

 

Jonas Cardoso, diácono
Coordenador da Pastoral do Turismo da Diocese de Setúbal
Membro da equipa da Pastoral Nacional do Turismo

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