Comissão do Novo Mapa Diocesano promoveu as Jornadas «Territórios, Fé e Futuro: História e Património da Diocese de Setúbal. Um Roteiro para o Jubileu dos 50 Anos»

Dez 2, 2024

 

 

No dia 30 de novembro, dia em que a igreja católica celebra Santo André, a Comissão do Novo Mapa Diocesano promoveu, no Convento dos Capuchos, as Jornadas «Territórios, Fé e Futuro: História e Património da Diocese de Setúbal. Um Roteiro para o Jubileu dos 50 Anos».

Estas Jornadas tiveram como objetivo principal expor os primeiros resultados e fazer um ponto de situação àquele que tem sido o trabalho desta Comissão. “Fazemo-lo agora também por uma questão de transparência deste processo”, afirma o Pe. Francisco Mendes, presidente da Comissão do Novo Mapa Diocesano.

Assim, reuniram historiadores, geógrafos, sociólogos, sacerdotes e leigos, assim como todos os que, de uma forma ou de outra, terão contribuído para este processo de elaboração do novo Mapa Diocesano.

A elaboração deste mapa, conta a engenheira geográfica Elsa Mendes, está ainda em processo evolutivo tendo sido preciso estudos de vários documentos e até o próprio estudo da população residente da nossa Diocese e da sua história.

Para melhor conhecer a população da Diocese de Setúbal foram realizados, em maio de 2024, os censos da prática dominical, que terão sido divulgados por todo o território de Setúbal junto de todos os fiéis com idade superior a 6 anos. O objetivo destes censos era dar a conhecer as características principais dos fiéis da Diocese de Setúbal e das suas práticas dominicais, “avaliarmos quem somos e conhecermo-nos como comunidade”, afirma o historiador e Padre Francisco Mendes. Estes censos foram já avaliados pela Comissão e nesta Jornada foram apresentados alguns resultados.

Assim, foram apresentadas pela socióloga Nélia Vicente algumas informações gerais, sendo a mais alarmante a descida significativa do número de praticantes em quase todas a vigararias comparativamente a 2014.

Acerca desta descida, o nosso bispo, Cardeal D. Américo Aguiar, afirma: “fazer o mesmo e aguardar resultados diferentes é insanidade, e nós estamos num território de insanidade há demasiado tempo. Temos de arriscar fazer diferente”.

No decorrer desta Jornadas foram também apresentadas diversas palestras sobre as várias épocas da história não só da Diocese como da própria Península de Setúbal que farão também parte da síntese histórica

Com palestras dos historiadores Inês Lourinho, Rui Mendes, Pe. Francisco Mendes e João Francisco Pereira, foi apresentada a história do território de Setúbal desde as influências dos povos muçulmanos, anteriores à criação do Reino de Portugal e da importância da Ordem de Santiago para o povo sadino, até à instituição como Diocese, em 1975, e a evolução das diversas paróquias até aos dias de hoje.

Para além de história, foi dado também destaque ao património da Península de Setúbal, passando pelas diversas romarias e devoções espalhadas um pouco por todo o território, desde o Santuário do Cabo Espichel, a Almada, passando por Sesimbra, entre outros, onde se frisou a importância de “conhecer melhor estes centros de história e de culto pois a tradição também nos ensina parte daquilo que nós somos”, afirmou o historiador Rui Mendes.

No campo do património diocesano Maria Cristina Branco e a conservadora e restauradora Joana Rosário, apresentaram, respetivamente, a arquitetura religiosa, passando por diversas igrejas da Diocese de Setúbal e mostrando a forma como estas representam diversas correntes arquitectónicas ao longo do tempo, e a escultura e pintura, onde se expuseram algumas das peças artísticas que se encontram um pouco por toda a Diocese e se refletiu sobre a fé presente em cada uma: “só Deus poderia inspirar um artista a criar peças como estas”, afirma Joana Rosário.

Nesta vertente do património, as palestrantes procuraram igualmente destacar o trabalho realizado na Diocese de Setúbal para preservar este património e a sua importância para que as gerações futuras possam usufruir do mesmo. “Que património estamos a criar para o futuro?”, reflete Maria Cristina Branco.

A autora do livro “Santuários de Portugal”, Maria do Rosário Barardo, apresentou ainda uma palestra sobre os santuários da Diocese de Setúbal: o Santuário de Nossa Senhora do Cabo, a Igreja de Santa Maria da Graça, Sé de Setúbal, o Santuário de Nossa Senhora da Atalaia e o Santuário do Cristo Rei, revelando partes das suas histórias e relembrando a importância que estes centros de culto têm para a vida religiosa dos fiéis de Setúbal desde as suas criações.

Deste dia fez também parte a Comissão Diocesana da Pastoral da Cultura da Diocese de Setúbal, representada pela sua responsável, Maria Isabel Melo. Esta comissão, criada no ano de 2024, apresentou alguns dos seus objetivos para o próximo triénio, entre os quais se destacam: a promoção de momentos de diálogo e interação entre os diversos grupos da Diocese, com seminários, lançamento de livros, exposições, etc.

Destaca-se também a cooperação com artistas e com os mais variados grupos étnicos e culturais presentes no território de Setúbal, sempre visando a cultura do encontro e a vontade de sermos continuamente “Peregrinos da Esperança”.

“O dia correu bem, apesar de ter sido feito de um mosaico de variados temas que estão, neste ano jubilar na nossa Diocese, em cima da mesa. Todos eles são pontos que são importantes e nos ajudam a conhecermo-nos a nós mesmos e a darmos uma resposta muito mais efetiva de futuro. Este trabalho não é para simplesmente nos ficarmos a conhecer para nos congratularmos connosco próprios. Eu creio que o que é mais importante de um trabalho deste género é darmos bases para conhecermos o nosso passado, para fundamentarmos aquilo que somos no nosso presente e sobretudo, com muita consciência de passos a dar, da nossa realidade e do que queremos alcançar, tomarmos outras decisões para o futuro, sejam elas quais forem. Com oração, com reflexão, com a racionalidade a funcionar e olhando para os dados concretos, creio que podemos chegar lá”, afirma o Pe. Francisco Mendes em jeito de conclusão destas Jornadas.

Prevê-se que documento final que irá resumir o trabalho desempenhado pela Comissão do Novo Mapa Diocesano ficará disponível ainda durante o ano jubilar de 2025.

 

Artigo: Lara Franquelim Alves
Fotografias: Lara Franquelim Alves e Ricardo Perna

 

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