Aos pais, encarregados de educação, clero, agentes de pastoral, dirigentes do CNE e a todos, todos, todos…
A educação é hoje, como sempre foi, um dos maiores desafios e responsabilidades que enfrentamos enquanto país, comunidade e, de modo ainda mais particular, como pais. A realidade que enfrentamos é complexa e desafiadora. Como recorda insistentemente o nosso querido Papa Francisco, “O mundo contemporâneo está em transformação contínua, vendo-se agitado por variadas crises. Vivemos uma mudança epocal: uma metamorfose não só cultural, mas também antropológica, que gera novas linguagens e descarta, sem discernimento, os paradigmas recebidos da história. A educação é colocada à prova pela rápida aceleração —a chamada rapidación —, que prende a existência no turbilhão da velocidade tecnológica e digital, mudando continuamente os pontos de referência” (1).
A rapidez das transformações tecnológicas, o impacto das alterações climáticas, as tensões sociais e culturais, a crise de valores éticos e as desigualdades económicas e sociais exigem um novo olhar sobre a realidade, mas também, e sobretudo, sobre a educação. Estamos cada vez mais convictos que estes desafios não se resolvem apenas com conhecimentos técnicos ou soluções práticas, cujo alcance, a existir, se centra no curto prazo. É urgente, como reforça o Papa Francisco, “ter a coragem de colocar no centro a pessoa” de todo o processo educativo e resistir à tentação de soluções “mágicas” — fáceis e rápidas.
A escola, na sua especificidade organizativa, é mais do que um espaço de transmissão de conhecimentos. É, com a integração dos diferentes saberes do currículo, mas também com toda a sua vida (“currículo oculto”), um Iugar privilegiado para a construção do conhecimento, cultura, liberdade e diálogo.
Neste contexto de educação integral, a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), impõe-se na organização da escola em Portugal, como um contributo inegável e inestimável para uma educação integral e humanista iluminada pelos Textos da Sagrada Escritura e alicerçada nos valores de uma mundividência cristã aberta à ciência, arte e cultura. Como disciplina curricular da escola, com a mesma exigência e rigor das demais disciplinas da escola, a EMRC é “oferecida a todos os alunos, independentemente da sua diversidade de crenças e opções religiosas: com fé católica ou outra, em situação de procura, indiferentes ou descrentes (CEP)” (2).
Sendo uma disciplina de oferta obrigatória, mas inscrição facultativa, desafio-vos, enquanto pais, a inscrever os vossos filhos na disciplina de EMRC, usufruindo deste contributo alinhado com as exigências e esperanças do Pacto Educativo Global, que “ajuda a amadurecer as interrogações sobre o sentido da vida” (CEP), o conhecimento do facto religioso como elemento estruturante da sociedade num espaço aberto e dialogante com TODOS, TODOS, TODOS…
Interpelo também os meus irmãos no sacerdócio e todo o Povo de Deus para, nas suas comunidades, serem portadores deste desafio de inscrição na disciplina de EMRC não como substituição ou alternativa à catequese, mas assumindo a especificidade, distinção e importância de cada uma das propostas como, aliás, vinca a CEP: “A relação entre o ensino religioso escolar e a catequese é uma relação de distinção e complementaridade”.
Setúbal, 31 de janeiro de 2025
Festa litúrgica de S. João Bosco
† Cardeal Américo Aguiar, Bispo de Setúbal
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(1) Pacto Educativo Global
(2) Conferência Episcopal Portuguesa – Educação Moral e Religiosa Católica. Um valioso contributo para a formação da personalidade.




