“Quando estamos aqui [na Igreja], jogamos todos em casa”, diz Bispo de Setúbal

Jun 1, 2025

 

O Cardeal D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal, dirigiu uma mensagem de inclusão e fraternidade à comunidade multicultural da paróquia da Amora, durante a homilia proferida hoje nas celebrações do Dia de S. João Batista Scalabrini, santo padroeiro dos migrantes.

Perante uma assembleia que reflete a diversidade de pelo menos 13 nacionalidades com grupos organizados na paróquia, o prelado sublinhou que a verdadeira integração passa por todos se sentirem verdadeiramente em casa. “Quando estamos aqui, jogamos todos em casa. Somos todos da equipa da casa”, afirmou o Cardeal, rejeitando qualquer sentimento de marginalização.

D. Américo Aguiar foi claro ao rejeitar rótulos que possam criar divisões. “Não quero que ninguém se sinta visitante, nem se sinta migrante, nem se sinta não sei o quê”, defendeu. Para o Bispo de Setúbal, esta perspectiva representa uma mudança de paradigma fundamental na forma como a sociedade deve encarar a diversidade cultural.

O prelado considerou a chegada de pessoas de outras nacionalidades como uma homenagem ao país de acolhimento. “Qual é a maior e melhor homenagem que alguém pode fazer a uma comunidade, a um país? A melhor é alguém querer, desejar, juntar-se a nós e construir a sua vida, a sua família, aqui”.

Dirigindo-se a uma comunidade conhecida pela sua multiculturalidade, o Cardeal enfatizou que a diversidade é parte do plano divino. “Deus não fez assim o mundo monocromado. Todos iguais, vestidos iguais, a pensar o mesmo. Mas Deus não fez assim o mundo. E, muito menos, não criou assim a humanidade”, afirmou.

Esta mensagem ganha particular relevância numa paróquia onde convivem pessoas de múltiplas nacionalidades, criando um mosaico cultural que, segundo D. Américo Aguiar, reflete “a presença de Deus na diversidade dos filhos e filhas de Deus”.

Citando o Papa Francisco, D. Américo Aguiar lembrou que “durante doze anos, o nosso querido Papa Francisco tentou dizer aos homens e às mulheres do mundo inteiro que nós somos irmãos”. Esta fraternidade universal foi apresentada como a chave para superar dificuldades, já que, “quando nos descobrimos irmãos, os problemas, não digo que se resolvam automaticamente, mas são mais fáceis de resolver e de ultrapassar”.

O prelado alertou ainda para a necessidade de vigilância constante na defesa dos valores de inclusão: “Nada está garantido, nunca. E, por isso, temos que estar todos de mãos dadas, de coração unido, para que os problemas e as dificuldades não nos esmaguem”.

A celebração do Dia de S. João Batista Scalabrini, santo que morreu há 120 anos e se dedicou ao apoio aos migrantes, serviu de contexto para D. Américo Aguiar agradecer “o trabalho que os scalabrinianos fazem para que seja possível ultrapassar problemas, dificuldades e obstáculos”.

 

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