Homilia na Procissão de Nossa Senhora de Fátima em Wiltz

Mai 15, 2026

Queridos irmãos e irmãs,
Queridos peregrinos de Maria,
Caríssimos portugueses e lusófonos aqui presentes,
Amados filhos de Deus reunidos neste Santuário de Santuário de Nossa Senhora de Fátima de Wiltz,

Permiti-me que dirija uma saudação muito fraterna e agradecida a Sua Eminência o Senhor Cardeal Arcebispo do Luxemburgo, Jean-Claude Hollerich, agradecendo a sua presença, a sua amizade e o testemunho de uma Igreja aberta ao diálogo, ao encontro e à fraternidade entre os povos.

Saúdo também Sua Excelência o Senhor Primeiro-Ministro do Luxemburgo, Luc Frieden, com gratidão pela proximidade a esta comunidade peregrina e pelo reconhecimento da importância espiritual, cultural e humana da presença portuguesa e lusófona neste país.

E uma saudação muito especial a Sua Excelência o Senhor Presidente da Assembleia da República Portuguesa, José Pedro Aguiar-Branco, aqui presente, sinal da ligação profunda entre Portugal e as suas comunidades espalhadas pelo mundo.

Celebramos hoje, com profunda alegria e emoção, a solenidade de Nossa Senhora de Fátima. Aqui, no coração do Luxemburgo, longe talvez da terra onde muitos nasceram, mas nunca longe do coração de Deus e da proteção da Mãe, reunimo-nos como povo peregrino, como Igreja em caminho, como família que reza, canta, sofre e espera.

Hoje, Maria volta a dizer-nos aquilo que disse aos três pastorinhos na Cova da Iria: “Não tenhais medo.”
E como precisamos de ouvir estas palavras no nosso tempo!

Vivemos dias de inquietação, de guerras, de divisões, de solidões escondidas, de famílias feridas, de jovens sem horizonte, de idosos esquecidos, de migrantes que procuram dignidade e paz. Também aqui, neste país que vos acolheu, muitos carregam no coração a saudade, o cansaço, as preocupações com os filhos, com o trabalho, com o futuro.

Mas Maria aparece sempre como Mãe.
Não vem condenar.
Não vem afastar.
Não vem dividir.
Maria vem aproximar-nos de Jesus.

Em Fátima, Nossa Senhora pediu oração, conversão e paz. E estes três pedidos continuam profundamente atuais.

Primeiro: oração.
Porque um mundo sem oração torna-se um mundo sem alma.
Quando deixamos de falar com Deus, começamos a perder a capacidade de escutar os outros, de acolher, de amar, de perdoar.

Rezemos nas nossas casas.
Rezemos em família.
Rezemos o terço, como Maria pediu.
Não como uma repetição vazia, mas como uma escola de contemplação da vida de Cristo com os olhos da Mãe.

E hoje queremos elevar uma oração muito especial pelo Santo Padre, Papa Leão XIV, evocando com gratidão o primeiro aniversário da sua eleição para a Cátedra de Pedro. Rezamos para que o Senhor o fortaleça na missão de confirmar os irmãos na fé, de construir pontes de paz e de conduzir a Igreja pelos caminhos do Evangelho, da fraternidade e da esperança.

Que Maria, Mãe da Igreja, acompanhe o Papa Leão XIV com ternura maternal, lhe conceda saúde, sabedoria e coragem apostólica, e faça do seu ministério um sinal vivo do amor misericordioso de Deus para toda a humanidade.

Segundo: conversão.
Converter-se não é tornar-se perfeito.
Converter-se é voltar o coração para Deus todos os dias.
É reconhecer que precisamos uns dos outros.
É abandonar a indiferença.
É deixar que o Evangelho transforme as nossas escolhas, as nossas palavras e os nossos gestos.

O cristão não pode viver fechado em si mesmo.
A fé verdadeira abre-nos sempre ao encontro, ao serviço, à fraternidade.

E ontem tive a graça de celebrar a Eucaristia no centro penitenciário do Luxemburgo. Foi uma experiência profundamente tocante. Entre aquelas paredes, tantas vezes marcadas pela dor, pela culpa, pelo silêncio e pela solidão, encontrei rostos humanos, histórias de sofrimento, mas também sede de esperança, vontade de recomeçar e corações à procura de misericórdia.

Ali compreendemos, de forma muito concreta, que ninguém pode ser reduzido ao seu erro. Nenhuma pessoa perde a sua dignidade de filho de Deus. A Igreja não fecha portas. A Igreja é chamada a ser presença, escuta, proximidade e esperança para todos — especialmente para aqueles que mais facilmente são esquecidos pela sociedade.

Maria, Mãe de Misericórdia, entra também nas prisões da vida humana. Entra nas prisões feitas de grades, mas também nas prisões interiores: do medo, da dependência, da tristeza, do pecado, do desânimo. E vem recordar-nos que Deus nunca desiste de ninguém.

E terceiro: paz.
A paz começa no coração.
Começa na maneira como olhamos para quem pensa diferente.
Começa no perdão dentro das famílias.
Começa quando escolhemos construir pontes em vez de muros.

Maria, em Fátima, apresentou-se como Senhora do Rosário. Hoje, continua a apontar-nos para Jesus, Príncipe da Paz.

Queridos irmãos,

Somos chamados a não desistir da esperança cristã. A esperança não é ingenuidade. A esperança cristã nasce da certeza de que Deus nunca abandona o seu povo.

Talvez alguém tenha chegado hoje aqui cansado.
Talvez alguém tenha vindo com lágrimas escondidas.
Talvez alguém esteja a viver uma luta interior silenciosa.

Maria acolhe todos.
Todos.
Sem exceção.

A Igreja deve ser sempre esta casa aberta, onde cada pessoa possa sentir-se amada, escutada e acompanhada.

E permiti-me uma palavra muito especial aos emigrantes portugueses e lusófonos: obrigado!
Obrigado pelo testemunho da vossa fé.
Obrigado porque continuais a transmitir aos filhos a língua, as tradições, os valores humanos e cristãos.
Obrigado porque tantas vezes sois pontes entre culturas, construtores discretos de comunidade e de esperança.

Nunca tenhais vergonha da vossa fé.
Nunca tenhais medo de testemunhar Cristo com simplicidade e alegria.

Queridos amigos,

Fátima não é apenas uma memória do passado.
Fátima é uma missão para o presente.

Sempre que escolhemos o amor em vez do ódio,
a reconciliação em vez da vingança,
a esperança em vez do desânimo,
a solidariedade em vez da indiferença,
aí continua a acontecer Fátima.

Peçamos hoje à Virgem Santa Maria que proteja o Luxemburgo, Portugal, a Europa e o mundo inteiro.
Peçamos pela paz na Ucrânia, na Terra Santa e em tantas regiões marcadas pela violência.
Peçamos pelos doentes, pelos pobres, pelos jovens, pelas famílias e também por todos aqueles que vivem privados de liberdade, para que nunca lhes falte a esperança de um caminho novo.

E entreguemos também a Maria a nossa querida Diocese de Diocese de Setúbal, para que seja uma Igreja sinodal, missionária, próxima dos pobres e capaz de levar esperança ao coração do mundo.

Que Nossa Senhora de Fátima nos ensine a dizer, como Ela:
“Faça-se em mim segundo a tua palavra.”

Ámen.

Newsletter

Em destaque

Conselho Pastoral Diocesano – Comunicado Final

Conselho Pastoral Diocesano – Comunicado Final

  Realizou-se hoje, dia 25 de julho, Festa do Apóstolo São Tiago, na Casa Episcopal, em Setúbal, o segundo Conselho Pastoral Diocesano.  A sessão de abertura foi presidida pelo Cardeal D. Américo...

Últimas notícias

Uma palavra de proximidade e comunhão com o Papa Leão XIV

Uma palavra de proximidade e comunhão com o Papa Leão XIV

  Há momentos em que, mais do que muitas palavras, importa estarmos próximos. E este é, sem dúvida, um desses momentos. Quero, antes de mais, deixar ao nosso querido Papa Leão XIV uma palavra muito sentida de amizade, de carinho, de solidariedade e, sobretudo, de...

Agenda

Out 10
Out 24
Nov 14