A solicitude da Igreja pelos doentes, idosos e pessoas fragilizadas é uma expressão concreta da ternura de Deus e um sinal vivo da presença de Cristo junto daqueles que mais necessitam de conforto, esperança e companhia.
Por isso, gostaria de dirigir um fraterno convite aos nossos Ministros Extraordinários da Comunhão para que considerem a possibilidade de assumir também o serviço de Visitadores de Doentes, alargando assim a beleza e a riqueza da missão que já desempenham nas nossas comunidades.
Levar a Sagrada Comunhão aos irmãos impedidos de participar na celebração da Eucaristia é um gesto de profundo significado espiritual. Mas a missão da Igreja junto dos doentes não se esgota nesse momento. A visita, a escuta atenta, a oração partilhada, a proximidade humana e a amizade sincera são igualmente formas privilegiadas de manifestar a presença misericordiosa de Cristo e o cuidado materno da Igreja.
Este convite insere-se no caminho promovido pelo Serviço Diocesano da Pastoral da Saúde e articula-se com a missão desenvolvida pelas Capelanias Hospitalares, que diariamente testemunham a importância da presença cristã junto dos doentes, das suas famílias e dos profissionais de saúde. Todos somos chamados a colaborar para que ninguém se sinta abandonado na hora da fragilidade, da doença ou do sofrimento.
Na minha Nota Episcopal Cuidar com o Coração, recordava que cuidar é mais do que prestar um serviço: é aproximar-se do outro com compaixão, escutar com atenção, acompanhar com esperança e tornar presente a ternura de Deus nas circunstâncias mais exigentes da vida. É esta cultura do cuidado, inspirada no Evangelho e no exemplo de Jesus, que somos chamados a cultivar e a fortalecer em toda a nossa Diocese.
Muitos dos nossos irmãos e irmãs vivem momentos marcados pela solidão, pelo isolamento ou pela incerteza. A visita regular de um membro da comunidade cristã torna-se, tantas vezes, sinal concreto de esperança, de pertença e de comunhão eclesial. Ao visitarmos os doentes, não levamos apenas a nossa presença; levamos a presença da comunidade cristã e testemunhamos a proximidade de Cristo, que continua a encontrar-Se com cada pessoa nas suas dores, inquietações e esperanças.
Convido, por isso, os Ministros Extraordinários da Comunhão a discernirem esta possibilidade, em diálogo com os seus párocos e em colaboração com as equipas paroquiais e diocesanas da Pastoral da Saúde, para que possamos fortalecer a atenção aos doentes e tornar cada vez mais visível o rosto próximo, compassivo e samaritano da Igreja.
A Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo recorda-nos que a Eucaristia não termina na celebração, mas prolonga-se na vida e na missão. O Corpo do Senhor que recebemos e adoramos impele-nos a reconhecer e a servir Cristo presente nos irmãos mais frágeis. Levar a Comunhão aos doentes e visitá-los com regularidade é prolongar a mesa da Eucaristia até aos lugares da dor, da solidão e da esperança.
«Estive doente e visitastes-Me» (Mt 25,36).
Que Maria, Saúde dos Enfermos e Mãe da Esperança, acompanhe e fortaleça todos aqueles que se dedicam generosamente a esta missão de cuidado, proximidade e consolação.
Setúbal, 4 de junho de 2026
Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo
† Cardeal Américo Aguiar
Bispo de Setúbal



