Homilia na Missa do Corpo de Deus 2026

Jun 4, 2026

 

Caros irmãos e irmãs, muito obrigado àqueles que sobreviveram à formação e que estão aqui, a quem os acompanhou na formação também. Mas acima de tudo é esta disponibilidade para a vida de fazer amplificar, fazer prolongar a Eucaristia, seja na própria Eucaristia ajudando o sacerdote a distribuir a comunhão, seja a levar a Eucaristia para além do edifício da Igreja, àqueles que por alguma razão não podem participar na Eucaristia.

Isso transforma cada um de vós em algo muito especial e eu agradeço muito que Deus vos tenha provocado, certamente através do Padre ou através de alguém, porque é preciso um coração e uma vida, enfim, cristã, verdadeiramente cristã, transparente, que seja poço de bondade e a presença de Cristo para levar a comunhão até aos irmãos e às irmãs, por alguma razão, pontualmente ou permanentemente, não podem aceder à celebração na Igreja. Mas, queridos irmãos e irmãs, este feriado, este dia especial do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, nós dizemos vulgarmente o Corpo de Deus, é mais fácil, é mais imediato, mas deve-nos fazer refletir exatamente naquilo que ele significa, neste alimento que é o próprio Cristo que se dá. Nós ouvimos na primeira leitura dizer “não vos esqueçais de Deus”, aquilo que significa é que nós somos herdeiros deste povo de Deus, que se libertou da escravatura no Egito, tudo aquilo que aconteceu do Egito para a Terra Prometida, as dificuldades, os problemas, os obstáculos, as infidelidades, a presença de Deus, os sinais de Deus, a aliança de Deus com o seu povo.

Ora, nós quando nos abeiramos da Eucaristia, cá estamos nós em volta do altar, em volta da mesa, todos convidados em volta da mesa e vamos nos alimentar do corpo e do sangue de Jesus, do pão e do vinho que se fazem corpo e sangue de Jesus.

Nós acreditamos, é a nossa Fé. Isto não há maneira de explicar aos outros porque é que eu acredito que aquele pão e que aquele vinho são o Corpo e o Sangue do Senhor. É dom, é graça, é Fé.

E eu tenho que viver a minha vida de acordo com isso. Eu fazia um exercício, principalmente lá no Norte, eu ia para as celebrações, agora sendo bispo é mais difícil, mas como padre a gente mete-se por aí e ninguém dá por nós.

E, portanto, eu ia para as celebrações e punha-me ao fundo quando o Santíssimo está no altar principal. E as pessoas entram e nós vemos como é que as pessoas se comportam perante o Santíssimo, o Sacrário. Uma boa percentagem de gente não liga a nenhuma. E depois eu costumo estar atento aos catequistas e aos miúdos da catequese.

Porquê? Porque os miúdos repetem o que fazem os catequistas. E a gente vê, se o catequista entra na igreja e vai ao Sacrário e vai fazer a sua oração, os miúdos lá vão, com mais ou menos esforço, mas vão. Se o catequista passa a 100 à hora e vai para o lugar e não sei o quê, os miúdos fazem exatamente o mesmo.

Ora, cada um de nós agora que pense o que é que nós fazemos quando vamos a uma igreja? Eu tenho a preocupação, sempre possível, quando entro numa igreja que não conheço, procuro onde é que estará o Santíssimo. Às vezes não é fácil porque tem tanta tralha, tantas velas, tantas luzes, tantas não sei o quê, que a gente procura qual delas é que será. Outros é mais fácil, está devidamente individualizado.

Ora, nós temos que purificar, temos de procurar não ter grandes teorias sobre a importância da presença do Santíssimo, mas dar o exemplo pelo testemunho e pelas nossas ações. Os pequenos gestos que fazemos, como a genuflexão ou a vénia, ou ainda o tempo de oração que dedicamos, são muito importantes para que nos vamos todos habituando à presença de Deus no sacrário, mas também nas nossas vidas.

É por isso que peço a todos, e em particular a vós, que hoje iniciam o vosso ministério de Ministros Extraordinários da Comunhão, que sejam este exemplo para os outros, não apenas no que dizem, mas principalmente nos vossos gestos, seja na eucaristia, seja junto de quem levam a comunhão, seja no vosso dia-a-dia, que sejam gestos de amor para com o próximo e de respeito pelo Corpo e Sangue de Jesus, presente no Sacrário e nas nossas vidas.

Assim seja.

 

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