Procurar novos modelos nas comunidades

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No passado dia 18 de janeiro celebrou-se o Dia Mundial do Migrante e Refugiado. Uma ocasião que coincidiu com o encerramento do XV encontro de agentes sócio pastorais das Migrações, que se realizou na nossa Diocese de Setúbal, subordinado ao tema «Migrações e Família».

Promovido pela Agência Ecclesia, pela Cáritas Portuguesa, pelo Departamento Nacional da Pastoral Juvenil e pela Obra Católica Portuguesa de Migrações, o XV encontro de agentes sócio pastorais das Migrações decorreu, entre os dias 16 e 18 de janeiro, entre a Casa de oração de Santa Rafaela, em Palmela, e a Casa de Sant’Ana, em Setúbal, terminando com a celebração da Eucaristia Dominical na Sé da cidade sadina.

Cerca de cem participantes refletiram sobre os desafios do fenómeno da mobilidade humana na atualidade. Entre os muitos desafios, a nota de conclusão deste encontro destaca que é necessário «propor atitudes e comportamentos que permitam às comunidades ser ‘família de famílias’ e também dos que não têm família, na certeza de que a humanização da migração é um verdadeiro serviço ao Evangelho, onde o anúncio também acontece através do testemunho dos crentes em contexto de mobilidade».

A mesma nota acrescenta ainda que «chegou a hora de procurar novos modelos de animação pastoral das comunidades católicas a partir de projetos bilingues, inseridos nos contextos de destino, que permitem enriquecimento recíproco, sendo necessário promover uma visão positiva da emigração e criar estruturas e grupos que estejam ao serviço das migrações com um acolhimento ativo, pessoal e comunitário».

Numa época em que o fenómeno migratório em Portugal está a atingir índices próximos daqueles que ocorreram na década de sessenta, a estrutura familiar sobre fortes abalos porque implica alterações a um projeto de vida.

 

É tempo de «arregaçar as mangas»

 

Eugénia Costa Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações, disse ao Notícias de Setúbal que este encontro foi importante para levantar questões, apresentar projetos e provocar um grande desejo de dinamizar as comunidades locais para fazer mais e melhor.

«Ficou a nota da responsabilidade pessoal e da responsabilidade comunitária em viver o Evangelho. A Igreja, dentro do que já faz com a família, necessita de melhorar esse acompanhamento e ser uma vela que vai iluminando nas decisões que cada família tem que tomar. Fica também patente o desejo de ajudar cada membro da família naquilo que tem que ser: uma comunidade de amor, para estar ao serviço da vida, para ter um papel ativo na construção da sociedade e que dentro da Igreja seja uma célula ativa», afirmou.

Também a Irmã Maria Otília Morgado, Scalabriniana ao serviço dos migrantes na Paróquia da Amora sublinhou a necessidade que existe em responder, mais e melhor, ao desafio que é a mobilidade humana, uma realidade esquecida.

«Precisamos de sensibilizar, cada vez mais cristãos, começando pelos Bispos e pelas nossas paróquias, para que possamos acordar e dar um testemunho e um serviço para esta realidade dos nossos dias e que está um pouco esquecida – afirmou a religiosa – O desafio que nos fica deste encontro é o desafio a ‘arregaçar as mangas’ e a tentar proporcionar na nossa paróquia, da Amora, uma paróquia de muitos emigrantes, um serviço atual para o bem de todas as famílias e da igreja».

 

Anabela Sousa

 

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26 de Janeiro de 2015