Converter – se em Família

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Celebrar a Quaresma , neste biénio em que a nossa Diocese de Setúbal focaliza a sua atenção no tema da Família , constitui uma ocasião e um desafio de renova ção para cada uma das nossas famílias, para as nossas paróquias e para toda a diocese.

Converter – se à Família

“Converter – se em família” s ignifica, antes de mais , que o caminho de conversão quaresmal, assumido por cada um de nós diante de Deus , tem de começar no relacionamento com os membros da nossa família, aqueles que nos são próximos e com os quais partilhamos o mais importante da vida. Tantas vezes, vivemos na família como se e la fosse simplesmente um endereço postal comum, uma pensão onde passamos a noite e usufruímos de alguns outros serviços funcionais . ” Converter – se em família” significa, dirigir para ela a atenção, o coração, o afeto ; transformar os relacionamentos frios e simplesmente “funcionais” , dando – lhe s o calor do amor, do interessar – se, do cuidar, do estar próximo, a começar pelo tem po que dedicamos uns aos outros. A proximidade e o afeto são particularmente importantes quando alguém está fra gilizad o pela idade, pela doença, pelo desemprego e a precariedade económica, pelas dificuldades da vida. Este é o desafio que se coloca individualmente a cada um de nós: converter – se em família , no sentido de converter – se à família : ao marido, à mulher, a os pais, aos filhos, aos avós e a todos aqueles com quem constituímos esse ninho fundamental da vida.

Converter – se como Família

“Converter – se em família” quer dizer também que o caminho de conversão não pode ser apenas uma questão individual. Temos de est ar juntos como família para que ela mude. Nesta Quaresma , somos chamados a sentar – nos juntos, em família, e decidir que sinais vamos dar, que atitudes vamos assumir para sermos mais família , mais família cristã. A fé tem de ter uma expressão c oncreta no d ia – a – dia da nossa família. Neste sentido, converter – se quer dizer, entre outras coisas, habituar – se a elevar o coração para Deus na oração comum , por exemplo, às refeições; ler diariamente uma passagem da Palavra de Deus que oriente o nosso caminho e alimente a nossa fé . É importante estarmos frente a frente na partilha familiar, mas é igualmente importante voltarmo – nos todos para Deus, nosso Pai comum, no silêncio e na oração da família. Essa presença de Deus no nosso lar, vai ajudar – nos a perdoar un s aos outros como Ele nos perdoa, a superar o egoísmo que impede a nossa comunhão, a criar a alegria que cura e anima os membros da família que se encontram em dificuldade. Vai ajudar – nos a sermos, uns para os outros, as mãos e o rosto de Deus que cuidam e infundem confiança e alegria.

Que não passe esta Quaresma sem que cada família se ponha de acordo sobre o seu caminho de converter – se como família . Converter – se em Família Solidária A conversão ao Evangelho comporta sempre uma dimensão de atenção aos outros, para além da porta da nossa casa, do círculo dos amigos, da coesão étnica ou nacional. Significa alargar os horizontes da nossa atenção e preocupação ativa à totalidade da família humana, como faz Deus, o Pai comum de toda a família humana. É esse o sentido da penitência e do jejum da Quaresma . É o privar – se de algo de que gostamos e que nos faz falta, para acudir a quem está em maior necessidade. No caminho de cada família, não pode faltar este elemento concreto de conversão que a abre às necessida des de outras famílias, na partilha dos bens e da ajuda fraterna. A Quaresma desafia cada família a fazer este caminho em conjunto com a participação de todos os seus membros, para poupar para quem precisa mais. Converter – se em Família – Igreja “Converter – s e em família” tem igualmente um horizonte fundamental que é a família de Deus, a Igreja, que é uma família de famílias. Assim como não se entende uma família em que os membros não se reúnam à mesa, não falem uns com os outros e não se ajudem e amem, assim também não se entende a família de Deus sem que nos reunamos à volta da mesa da Eucaristia, da Palavra que Ele nos dirige, do encontro com os irmãos e irmãs filhos e filhas do mesmo Pai do céu. Embora nunca seja perfeita, a Igreja precisa de todos e de tod as as famílias para se renovar, anunciar o Evangelho, colaborar na construção de um mundo mais humano e solidário. Se alguém falta , se faltam famílias, a Família – Igreja não está completa, não realiza o projeto do Senhor, seu Pastor e Mestre. A conversão de sta Quaresma , apresenta a cada um de nós o convite e o desafio par a estar mos presente s e participar mos ativamente na vida da comunidade paroquial e diocesana, a começar pela parti cipação na Eucaristia dominical e nas atividades quaresmais oferecidas, onde se destaca a celebração do sacramento da reconciliação. Converter – se em Igreja atenta e solidária Como cada uma das nossas famíl ias, também a nossa Diocese é chamada, em cada Quaresma , a realizar sinais concretos de conversão, na escuta da Palavra, na comunhão fraterna e na partilha dos bens. Este ano, entre as várias iniciativas previstas a nível das paróquias e vigararias, desejo sublinhar duas, a nível de toda a diocese: a) As cate queses quaresmais , que têm como tema a família e que pretendem ajudar – nos a viver com alegria e seriedade a conversão familiar e participar como tal na construção da nossa Igreja e da nossa sociedade . Terão lugar ao s domingos, às 16:00 h, nos seguintes loc ais: 

3 – 12 de Março – Santa Maria do Barreiro 19 de Março – Sé Catedral – Setúbal 26 de Março – Santuário da Atalaia 02 de Abril – Santuário de Cristo Rei – Almada b)

A Renúncia Quaresmal , que pretende reunir aquilo que cada família conseguiu poupar com a sua penitência solidária em favor dos que se encontram em maior necessidade. Cada paróquia terá disponíveis envelopes especiais para recolher estes contributos nos dois últimos domingos da Quaresma , e enviá – los para a Diocese. A exemplo de outros anos, uma pa rte d o produto da Renúncia Quaresmal destina – se a um objetivo interno da diocese e outra a uma necessidade solidária com os que mais desprotegidos. A nível interno, vamos em auxílio da comunidade paroquial de Arrentela, a braços com uma grande dívida, que está a impedir a sua vida e de senvolvimento. A nível externo , o que for recolhido destinar – se – á a constituir um fundo para auxiliar famílias de refugiados que buscam um a vida livre da destruição e da guerra nos seus países. Que o Espírito do Senhor nos con duza, nesta Quaresma , a uma verdadeira conversão das nossas famílias e da nossa Igreja, na escuta da sua Palavra, na oração nas nossas famílias e comunidades, na abertura à s necessidades daqueles que nos cercam, tornando – nos ativamente misericordiosos e so lidários na construção de um mundo mais humano, fraterno e em paz.

+ José Ornelas Carvalh o Bispo de Setúbal

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28 de Fevereiro de 2017