«Falai, Senhor, que o vosso servo escuta.» (1 Sm 3,10)
No dia 25 de julho de 2026, Solenidade de São Tiago, Apóstolo, o Conselho Pastoral Diocesano reuniu-se para escutar, discernir e aprovar o Plano Pastoral da Diocese de Setúbal para o ano 2026/2027. Não é um simples pormenor do calendário. É um sinal providencial. Celebrando aquele que, chamado por Cristo, deixou as redes para se tornar peregrino do Evangelho, também a nossa Diocese se reconhece chamada a continuar o seu caminho, não instalada nas suas seguranças, mas sempre disponível para partir, escutar e servir.
Quero começar precisamente por agradecer. Este Plano Pastoral não nasceu da caneta do Bispo. Nasceu da vida da Diocese. Nasceu da oração, da reflexão, da experiência pastoral, do diálogo e do discernimento do Conselho Pastoral Diocesano, onde tantas sensibilidades, vocações, ministérios e serviços encontraram espaço para procurar, juntos, a vontade de Deus para a nossa Igreja particular. Recebo este trabalho com profunda gratidão, porque ele exprime aquilo que constitui o coração de uma Igreja sinodal: caminhar juntos, escutando o Espírito Santo que continua a falar através de todo o Povo de Deus.
É com alegria que introduzo este Plano Pastoral, acolhendo o caminho que a Diocese discerniu em comunhão. Faço-o não como quem apresenta um programa pessoal, mas como quem confirma e encoraja um percurso que nasceu da escuta do Espírito Santo e da corresponsabilidade do Povo de Deus. O ministério do Bispo encontra aqui uma das suas expressões mais belas: confirmar na fé, fortalecer a comunhão e ajudar a reconhecer a ação de Deus na vida concreta da Igreja.
Depois da celebração do cinquentenário da nossa Diocese, da riqueza espiritual do Jubileu da Esperança e da publicação da Carta Pastoral Semeadores de Esperança, somos convidados a entrar no segundo momento do nosso Triénio Sinodal Diocesano. Se o primeiro ano foi marcado pela escuta, agora somos chamados ao discernimento. Escutar é indispensável; discernir é decisivo. Porque nem todas as vozes conduzem ao Evangelho, mas o Espírito continua a falar à Igreja e convida-nos a reconhecer, entre tantos sinais, aqueles que verdadeiramente nos conduzem à vontade de Deus.
É neste horizonte que acolhemos também o magistério do Santo Padre Leão XIV, que, no início do seu ministério petrino, nos convidou a ser uma Igreja «unida, sinal de unidade e de comunhão, fermento para um mundo reconciliado». Este apelo ressoa profundamente no caminho que a Diocese de Setúbal deseja continuar a percorrer. O discernimento sinodal nunca tem como finalidade fortalecer projetos individuais ou interesses particulares; conduz-nos sempre à comunhão, para que, unidos em Cristo, possamos servir melhor a missão que nos foi confiada e oferecer ao mundo o testemunho credível da esperança que nasce do Evangelho.
O lema que orienta este Plano — «Discernir para Servir com Esperança» — exprime a identidade da Igreja que queremos continuar a construir. Discernimos não para adiar decisões, mas para servir melhor. Discernimos não para defender interesses particulares, mas para procurar o bem da missão. Discernimos não para olhar apenas para dentro de nós mesmos, mas para descobrir onde Cristo nos precede e onde nos espera, especialmente nos pobres, nos frágeis, nos jovens e em todos aqueles que procuram sentido para a sua vida.
Os quatro eixos pastorais que estruturam este Plano traduzem esta visão comum. A sinodalidade e a corresponsabilidade convidam-nos a consolidar uma Igreja onde todos participam na missão; a pastoral da proximidade recorda-nos que o Evangelho se torna credível quando se aproxima das feridas humanas; a caridade e o compromisso social desafiam-nos a transformar a fé em gestos concretos de fraternidade; e a pastoral da juventude, das vocações e dos ministérios faz-nos olhar com esperança para aqueles que Deus continua a chamar e enviar.
Este Plano Pastoral será vivido, da minha parte, num tempo particularmente intenso de proximidade às comunidades da nossa Diocese. A prioridade da minha agenda pastoral continuará a ser a realização das Visitas Pastorais, verdadeira graça para o Bispo e para toda a Igreja diocesana. Até ao presente, tive a alegria de realizar doze Visitas Pastorais. Permanecem ainda quarenta e cinco comunidades a visitar, um caminho que desejo continuar a percorrer com disponibilidade, espírito de escuta e coração de pastor.
Se Deus permitir, durante este ano pastoral realizaremos as Visitas Pastorais às Vigararias do Seixal, entre 26 de setembro e 6 de dezembro de 2026; do Barreiro-Moita, entre 9 de janeiro e 25 de abril de 2027; e do Montijo, entre 1 de maio e 4 de julho de 2027. Estas datas constituem uma previsão e poderão sofrer os ajustamentos que as circunstâncias pastorais ou outras situações o aconselharem.
Peço às comunidades que preparem estes momentos com a oração, a participação e a alegria de quem acolhe o seu Bispo como irmão na fé e servidor da comunhão. Mais do que cumprir um programa, desejo encontrar pessoas, escutar histórias, celebrar a fé, reconhecer o bem que o Espírito Santo continua a realizar entre nós e confirmar cada comunidade na esperança e na missão.
Este ano pastoral será igualmente marcado por um momento de especial significado para a nossa Igreja diocesana. No dia 20 de janeiro de 2027 celebraremos o centenário do nascimento de D. Manuel Martins, primeiro Bispo de Setúbal, pastor que marcou profundamente a identidade desta Diocese pelo seu testemunho evangélico, pela coragem profética, pela proximidade aos mais frágeis e pela defesa incondicional da dignidade da pessoa humana. Ao longo do ano procuraremos assinalar condignamente esta efeméride, dando graças a Deus pelo dom da sua vida e procurando redescobrir a atualidade do seu legado para a missão evangelizadora da nossa Diocese.
Há, neste ano pastoral, um sinal particularmente eloquente desta esperança: a preparação da peregrinação dos nossos jovens à Jornada Mundial da Juventude Seul 2027. Eles partirão em nome próprio, mas também em nome de toda a Diocese de Setúbal. Levarão consigo a nossa fé, as nossas alegrias, as nossas preocupações e o desejo de sermos uma Igreja jovem, missionária e aberta ao mundo. Por isso, convido todas as paróquias, comunidades, movimentos, famílias e fiéis a acompanharem estes jovens com a oração perseverante e também com uma generosa partilha material. Que nenhum jovem deixe de responder a este chamamento por falta de recursos económicos. Investir nos nossos jovens é investir no presente e no futuro da Igreja; é acreditar que o Senhor continua a chamar, a enviar e a realizar maravilhas através deles.
Nada disto será possível sem uma profunda vida espiritual. O discernimento não nasce das nossas estratégias nem dos nossos cálculos. Nasce da oração, da escuta da Palavra, da celebração da Eucaristia e da docilidade ao Espírito Santo. Por isso, este Plano Pastoral não pretende ser apenas um instrumento de organização das atividades diocesanas. Quer ser, antes de tudo, um itinerário espiritual para toda a Diocese, ajudando-nos a crescer como discípulos missionários que caminham juntos.
Ao iniciar a leitura deste Plano Pastoral, convido todas as paróquias, comunidades religiosas, movimentos, serviços, secretariados e organismos diocesanos a acolhê-lo como um verdadeiro instrumento de comunhão, discernimento e missão. Que ninguém o considere um documento «de outros». Que todos o sintam como expressão da nossa responsabilidade comum na missão que o Senhor nos confia.
Ao iniciarmos este novo ano pastoral, reconhecemos que o Senhor continua a conduzir a história da nossa Diocese através de acontecimentos concretos que alimentam a nossa fé e renovam a nossa esperança. O caminho sinodal que continuamos a percorrer; as Visitas Pastorais que me permitirão encontrar, escutar e confirmar as nossas comunidades; a celebração do centenário do nascimento de D. Manuel Martins; e a preparação da peregrinação dos nossos jovens à Jornada Mundial da Juventude Seul 2027 são dons de Deus que nos convocam a viver este tempo com renovado entusiasmo missionário.
Não sabemos tudo o que o Senhor nos pedirá ao longo deste ano. Mas sabemos em quem colocamos a nossa confiança. Caminhemos juntos, com humildade, coragem e alegria, deixando-nos conduzir pelo Espírito Santo. Que nunca percamos a coragem de discernir, a humildade de caminhar juntos e a alegria de servir.
Confiemos este caminho à proteção de Santa Maria da Graça, nossa Padroeira, e de São Tiago, Apóstolo. Que eles nos ensinem a escutar antes de decidir, a discernir antes de agir e a servir antes de procurar reconhecimento. Que o exemplo de D. Manuel Martins continue a inspirar-nos a ser uma Igreja próxima, livre, profética e servidora.
E, como nos recorda o Santo Padre Leão XIV, procuremos ser sempre uma Igreja «unida, sinal de unidade e de comunhão, fermento para um mundo reconciliado». Que este seja o rosto da Diocese de Setúbal: uma Igreja que escuta para discernir, discerne para servir e serve para anunciar, com esperança, Jesus Cristo, Senhor da História.
Setúbal, 29 de julho de 2026
Memória litúrgica Santos Marta, Maria e Lázaro
✠ Cardeal Américo Aguiar, Bispo de Setúbal
Plano Pastoral Diocesano
Discernir para Servir com Esperança
A Diocese de Setúbal entra no ano pastoral 2026/2027 num tempo particularmente significativo da sua caminhada eclesial. Depois da celebração do cinquentenário da sua criação e do impulso renovador lançado pela Carta Pastoral Semeadores de Esperança, este novo ano pastoral apresenta-se como uma etapa de consolidação, discernimento e aprofundamento do caminho sinodal que o Espírito Santo continua a suscitar no seio da Igreja sadina.
Inspirada pela visão pastoral do Cardeal D. Américo Aguiar, pela herança profética de D. Manuel Martins e pelo testemunho dos pastores que marcaram a história desta Igreja particular, a Diocese sente-se chamada a fortalecer uma identidade marcada pela proximidade, pela escuta e pela corresponsabilidade. Num contexto social e eclesial atravessado por profundas transformações culturais, económicas e demográficas, a missão evangelizadora exige uma renovada capacidade de ler os sinais dos tempos à luz do Evangelho e de responder aos desafios do presente com criatividade, coragem e esperança.
O ano pastoral 2026/2027 insere-se no segundo momento do Triénio Sinodal Diocesano, dedicado ao discernimento e à reflexão. Depois do tempo de escuta e acolhimento vivido em 2025/2026, somos convidados a procurar juntos a vontade de Deus para a nossa Diocese, escutando a Palavra, acolhendo a voz dos irmãos e irmãs, interpretando a realidade e discernindo os caminhos que conduzem a uma presença mais fiel e significativa da Igreja no território. Como o jovem Samuel, também nós queremos dizer: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta» (1 Sm 3,10), reconhecendo que o discernimento é antes de mais uma atitude espiritual que nasce da docilidade ao Espírito Santo e da disponibilidade para caminhar em comunhão.
Neste horizonte, o primeiro eixo pastoral, dedicado à Sinodalidade e Corresponsabilidade, pretende consolidar uma cultura eclesial fundada na participação, na comunhão e na missão partilhada. A sinodalidade não é apenas um método organizativo, mas uma forma de ser Igreja, na qual todos os batizados são chamados a contribuir, segundo os seus dons e ministérios, para a construção do Corpo de Cristo. O discernimento comunitário exige espaços de escuta recíproca, estruturas de participação efetiva e uma renovada valorização da vocação laical, para que as comunidades cresçam como verdadeiras escolas de comunhão e laboratórios de missão.
Ao mesmo tempo, a Igreja é chamada a manifestar concretamente o rosto misericordioso de Cristo através da Pastoral da Proximidade e Fragilidade. As fragilidades humanas que marcam o nosso tempo — a solidão, a doença, o sofrimento psicológico, o envelhecimento, a exclusão social e tantas outras formas de vulnerabilidade — constituem um apelo permanente à presença compassiva da comunidade cristã. À imagem do Bom Samaritano, a Diocese deseja reforçar uma pastoral que se aproxima, escuta, acompanha e cuida, reconhecendo em cada pessoa a dignidade de filho amado de Deus e promovendo uma cultura do encontro e da ternura.
Esta atenção aos mais frágeis encontra uma expressão privilegiada no eixo da Caridade, Solidariedade e Compromisso Social, dimensão constitutiva da missão da Igreja. A evangelização torna-se credível quando é acompanhada por gestos concretos de justiça, partilha e promoção humana. Num território marcado por desigualdades sociais, novas pobrezas e situações de exclusão, a comunidade cristã é chamada a ser sinal profético do Reino de Deus, promovendo a dignidade da pessoa humana, a defesa do bem comum e a construção de uma sociedade mais fraterna. Inspirada pela Doutrina Social da Igreja, a Diocese deseja fortalecer redes de solidariedade e corresponsabilidade social que testemunhem a caridade de Cristo no coração do mundo.
Por sua vez, o eixo da Juventude, Vocações e Ministériosrecorda-nos que a esperança da Igreja passa necessariamente pelo acompanhamento das novas gerações e pela promoção de uma autêntica cultura vocacional. Os jovens não são apenas destinatários da ação pastoral, mas protagonistas da missão evangelizadora. Num contexto frequentemente marcado pela incerteza, pela fragmentação e pela busca de sentido, a Igreja é chamada a caminhar ao lado dos jovens, ajudando-os a descobrir Cristo como fundamento da sua vida e a reconhecer a própria vocação como resposta ao amor de Deus. Ao mesmo tempo, importa valorizar a riqueza dos diversos ministérios, carismas e formas de serviço presentes na comunidade eclesial, promovendo uma Igreja onde cada batizado encontre o seu lugar e contribua para a missão comum.
Assim, através destes quatro eixos prioritários, a Diocese de Setúbal deseja continuar a ser uma Igreja sinodal, próxima e missionária; uma Igreja que escuta, discerne e acompanha; uma Igreja comprometida com os mais frágeis e atenta aos desafios do seu tempo; uma Igreja que investe na formação das novas gerações e promove a corresponsabilidade de todos os fiéis. Confiados à intercessão de Santa Maria da Graça, padroeira da Diocese, queremos avançar juntos neste caminho de discernimento, certos de que o Espírito Santo continua a conduzir a Igreja e a abrir horizontes de renovação, comunhão e esperança.
Eixo 1 – Sinodalidade e Corresponsabilidade
O caminho sinodal iniciado em 2021 e culminado na XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos constitui um apelo à renovação permanente da vida da Igreja. A fase de implementação agora em curso convida cada Igreja local a discernir os frutos deste percurso e a oferecê-los como dom à Igreja universal.
Em sintonia com as orientações da Secretaria Geral do Sínodo para o processo que conduzirá às Assembleias Eclesiais de 2027 e 2028, a Diocese assume como questão orientadora deste eixo pastoral a pergunta proposta a todas as Igrejas locais:
«À luz do caminho empreendido após a conclusão do Sínodo 2021-2024, e com vista a oferecer os seus frutos como dom às outras Igrejas e ao Santo Padre: qual o rosto concreto de Igreja sinodal missionária e que novos caminhos de sinodalidade estão a surgir na nossa comunidade?»
Esta interrogação constitui o horizonte de todo o trabalho pastoral relativo à sinodalidade e corresponsabilidade. Mais do que avaliar atividades realizadas ou estruturas existentes, somos chamados a reconhecer os sinais da ação do Espírito Santo na vida da Diocese, a identificar as transformações ocorridas nas relações, nos processos e nas estruturas eclesiais e a discernir os novos passos que o Senhor nos convida a dar.
O percurso desenvolver-se-á segundo o itinerário proposto pela Secretaria Geral do Sínodo — Fazer Memória, Interpretar, Orientar e Celebrar — procurando reconhecer o rosto concreto de Igreja sinodal missionária que está a emergir entre nós e os caminhos pelos quais somos chamados a crescer na comunhão, participação e missão.
Passo a passo neste percurso, queremos conjugar 4 verbos que nos ajudarão neste caminho e que atravessam todo o documento “Rumo às Assembleias 2027-2028”: discernir, reconhecer, consolidar e oferecer.
Numa perspetiva de corresponsabilidade pastoral, assume particular relevância na concretização deste Eixo a Comissão Diocesana do Sínodo bem como a rede Sinodal.
Objetivo Geral
Avaliar, consolidar e desenvolver a receção da sinodalidade na vida da Diocese, promovendo processos de discernimento comunitário que fortaleçam a corresponsabilidade, a participação e a missão evangelizadora.
Objetivos Específicos
1. Fazer Memória
● Reconhecer os frutos, desafios e resistências surgidos na receção do Documento Final do Sínodo.
● Identificar experiências significativas de participação, corresponsabilidade e discernimento comunitário.
● Recolher testemunhos e práticas sinodais das comunidades, movimentos, serviços e organismos diocesanos.
2. Interpretar
● Discernir os sinais do Espírito presentes na experiência diocesana.
● Identificar convergências, tensões e questões emergentes na vida pastoral.
● Ler pastoralmente os desafios encontrados à luz da missão evangelizadora.
3. Orientar
● Definir prioridades pastorais que promovam uma Igreja mais participativa e missionária.
● Integrar os frutos do discernimento nos organismos de decisão e planeamento pastoral.
● Reforçar a corresponsabilidade entre ministérios, carismas e vocações.
4. Celebrar
● Reconhecer e agradecer os frutos do caminho percorrido.
● Tornar visível a comunhão diocesana construída através do processo sinodal.
● Renovar o compromisso missionário de toda a Diocese.
Eixo 2 – Pastoral da Proximidade e Fragilidade
A Igreja nasce do amor misericordioso de Deus revelado em Jesus Cristo, que se fez próximo de todos, particularmente dos pobres, dos doentes, dos excluídos e dos que carregavam o peso do sofrimento. Ao longo dos Evangelhos, encontramos um Senhor que escuta, acolhe, toca as feridas humanas e restitui dignidade e esperança àqueles que a sociedade, frequentemente, marginaliza. Esta dimensão samaritana constitui um elemento essencial da identidade cristã e da missão evangelizadora da Igreja.
No contexto atual, marcado pelo envelhecimento da população, pelo aumento da solidão, pelas fragilidades emocionais e psicológicas, pelas situações de doença, luto e pobreza, a comunidade cristã é chamada a tornar visível a ternura de Deus através de uma presença próxima, atenta e compassiva. Muitas pessoas vivem hoje situações de vulnerabilidade que exigem não apenas respostas assistenciais, mas sobretudo relações humanas significativas, capazes de gerar pertença, esperança e sentido para a vida.
A Diocese de Setúbal deseja, por isso, fortalecer uma verdadeira cultura do cuidado, inspirada na parábola do Bom Samaritano e na espiritualidade da proximidade proposta pelo Papa Francisco. Trata-se de promover comunidades que saibam reconhecer as fragilidades presentes no seu território, aproximar-se daqueles que sofrem e desenvolver uma pastoral capaz de acompanhar as pessoas nos diversos momentos da sua existência, especialmente nas situações de maior vulnerabilidade.
Este caminho exige uma renovada atenção à pastoral da saúde, ao acompanhamento dos idosos e das pessoas isoladas, ao cuidado das famílias que enfrentam o sofrimento e ao apoio daqueles que vivem a experiência do luto. Ao mesmo tempo, convida toda a comunidade diocesana a assumir uma maior consciência da dignidade inviolável de cada pessoa humana, criada à imagem de Deus e chamada à plenitude da vida em Cristo.
Através deste eixo pastoral, a Diocese pretende testemunhar uma Igreja que não passa ao lado das feridas humanas, mas que se faz companheira de caminho, sinal da misericórdia divina e instrumento da esperança que nasce do Evangelho. Assim, o cuidado dos mais frágeis torna-se não apenas uma ação pastoral específica, mas uma expressão concreta da vocação missionária de toda a comunidade cristã.
A concretização deste eixo requer uma ação pastoral integrada e sinodal, capaz de envolver os diversos organismos diocesanos que, pela natureza da sua missão, se dedicam ao cuidado da pessoa humana, à promoção da dignidade, à ação sociocaritativa e ao acompanhamento das situações de maior fragilidade. A articulação entre estes serviços favorecerá uma resposta mais coordenada, próxima e eficaz aos desafios sociais e humanos do território diocesano, fortalecendo o testemunho de uma Igreja que, à imagem de Cristo Bom Samaritano, se faz presença acolhedora, solidária e comprometida com os mais vulneráveis.
Objetivo Geral
Promover uma cultura de proximidade e cuidado, tornando as comunidades cristãs sinais da misericórdia de Deus junto dos mais frágeis.
Objetivos Específicos
1. Reforçar a pastoral da saúde e o acompanhamento dos doentes e idosos.
2. Desenvolver redes de proximidade junto das pessoas e famílias mais vulneráveis.
3. Acompanhar e apoiar quem vive situações de luto e sofrimento.
4. Promover a dignidade da vida humana e a solidariedade comunitária.
Eixo 3 – Caridade, Solidariedade e Compromisso Social
A missão evangelizadora da Igreja encontra na caridade uma das suas expressões mais autênticas e credíveis. O anúncio do Evangelho torna-se plenamente significativo quando é acompanhado por gestos concretos de justiça, solidariedade e promoção da dignidade humana. À semelhança de Cristo, que veio anunciar a Boa Nova aos pobres e libertar os oprimidos (cf. Lc 4,18), também a Igreja é chamada a fazer da caridade um testemunho vivo da presença do Reino de Deus no meio da sociedade.
O contexto social da Diocese de Setúbal continua a revelar desafios significativos, marcados pelo aumento das desigualdades, pela precariedade laboral, pelas dificuldades no acesso à habitação, pelo envelhecimento da população, pela solidão, pelos fluxos migratórios e pelo surgimento de novas formas de pobreza material, relacional e espiritual. Estas realidades interpelam toda a comunidade cristã a assumir uma presença mais comprometida junto das pessoas e famílias em situação de maior vulnerabilidade, respondendo não apenas às necessidades imediatas, mas promovendo processos de inclusão, autonomia e esperança.
Inspirada pela Doutrina Social da Igreja, a Diocese deseja fortalecer uma verdadeira cultura da fraternidade e da corresponsabilidade, onde cada comunidade paroquial seja sinal da caridade de Cristo e espaço de promoção da justiça, da paz e do cuidado pelo bem comum. A opção preferencial pelos pobres não constitui apenas uma dimensão da ação social da Igreja, mas faz parte integrante da sua identidade e da sua missão evangelizadora, desafiando todos os batizados a viverem uma fé que se traduz em compromisso concreto com os mais necessitados.
Este eixo pastoral pretende, por isso, dinamizar uma ação articulada entre as paróquias, instituições, movimentos e organismos diocesanos, promovendo uma pastoral social integrada, capaz de responder aos desafios emergentes do território. Simultaneamente, procura sensibilizar toda a comunidade para uma gestão solidária dos bens, para o voluntariado, para a cidadania responsável e para uma economia ao serviço da pessoa humana, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e inclusiva.
A implementação deste eixo pastoral pressupõe uma ação sinodal e corresponsável entre os diversos organismos diocesanos, chamados a colocar em comum os seus carismas e competências ao serviço da missão evangelizadora, permitindo desenvolver uma pastoral social integrada, atenta às necessidades concretas das pessoas e das comunidades, testemunhando a misericórdia de Deus e contribuindo para a edificação de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.
Objetivo Geral
Fortalecer a dimensão social da evangelização, promovendo uma cultura de caridade, solidariedade e compromisso com os mais vulneráveis, para que as comunidades cristãs sejam sinal da justiça, da fraternidade e da esperança do Evangelho.
Objetivos Específicos
1. Promover a dimensão social da evangelização à luz da Doutrina Social da Igreja.
2. Reforçar a corresponsabilidade solidária e a partilha de bens nas comunidades cristãs.
3. Desenvolver respostas pastorais e sociais às novas formas de pobreza e exclusão.
4. Promover projetos de inclusão, defesa da dignidade humana e participação comunitária.
Eixo 4 – Juventude, Vocações e Ministérios
A Igreja reconhece nos jovens uma presença viva do Espírito Santo e uma esperança para o presente e o futuro da sua missão. Longe de serem apenas destinatários da ação pastoral, os jovens são chamados a assumir um papel ativo na vida das comunidades, colocando os seus dons, capacidades e entusiasmo ao serviço da evangelização. Acompanhá-los nos seus percursos de crescimento humano, espiritual e vocacional constitui uma prioridade pastoral que interpela toda a Diocese.
Num contexto marcado por profundas mudanças culturais, pela procura de sentido e por desafios que afetam a construção da identidade pessoal e comunitária, torna-se essencial oferecer aos jovens espaços de encontro com Cristo, de escuta, de formação e de participação. A comunidade cristã é chamada a caminhar com eles, ajudando-os a descobrir que a vocação é uma resposta ao amor de Deus e que toda a vida encontra a sua plenitude quando é vivida como dom e serviço aos irmãos.
Este eixo pretende igualmente promover uma autêntica cultura vocacional, onde todas as vocações – ao matrimónio, ao ministério ordenado, à vida consagrada e ao compromisso laical – sejam reconhecidas como expressões da única vocação cristã recebida no Batismo. Ao mesmo tempo, procura valorizar a diversidade dos ministérios, serviços e carismas presentes na Igreja, fortalecendo a corresponsabilidade dos fiéis e a participação ativa de todos na missão evangelizadora.
A Diocese de Setúbal deseja, assim, favorecer processos de discernimento vocacional, formar discípulos missionários comprometidos e criar comunidades capazes de acolher, acompanhar e enviar aqueles que o Senhor continua a chamar para o serviço da Igreja e do mundo. Sustentados pela oração e pela ação do Espírito Santo, queremos cultivar uma pastoral juvenil dinâmica, missionária e sinodal, que desperte nos jovens a alegria do Evangelho e o desejo de servir.
A dinamização deste eixo pastoral implica uma estreita cooperação entre os diversos serviços, secretariados e realidades eclesiais que desenvolvem a sua missão junto das crianças, adolescentes e jovens. A ação concertada destes organismos permitirá potenciar um acompanhamento mais próximo dos percursos de crescimento humano, cristão e vocacional, promovendo experiências de formação, discernimento e participação ativa na vida da Igreja. Ao mesmo tempo, favorecerá o desenvolvimento de uma autêntica cultura vocacional, na qual cada batizado seja ajudado a reconhecer a sua vocação, a acolher os dons recebidos do Espírito Santo e a colocá-los generosamente ao serviço da comunhão e da missão evangelizadora.
Objetivo Geral
Promover uma pastoral juvenil e vocacional que acompanhe os jovens no seu crescimento humano, espiritual e missionário, favorecendo o discernimento da sua vocação e a valorização dos diversos ministérios e carismas ao serviço da Igreja.
Objetivos Específicos
1. Desenvolver uma pastoral juvenil missionária e participativa.
2. Promover a cultura vocacional e o discernimento cristão em toda a Diocese.
3. Reforçar a oração pelas vocações e o acompanhamento dos jovens.
4. Valorizar os ministérios, serviços e carismas ao serviço da missão evangelizadora.
Calendarização
(Elaborada por cada secretariado/comissão depois de elaboradas as ações a desenvolver)
Setúbal, Conselho Pastoral diocesano, 25 de julho de 2026, Solenidade de São Tiago, Apóstolo
✠ Cardeal Américo Aguiar, Bispo de Setúbal
Comissão Permanente: Augusta Delgado, Bruno Moreira, Diácono Jonas Cardoso e Luís Painço
Fontes de referência:
† Cardeal Américo, Bispo de Setúbal




