“Deixemos que a luz do Menino Jesus entre no nosso coração e nos faça perceber o sentido da vida”

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No dia 24 de dezembro, o Bispo de Setúbal, D. José Ornelas presidiu à Missa da Noite da Solenidade do Natal do Senhor, na Sé Catedral de Setúbal, deixando uma mensagem de esperança associada ao nascimento do Deus Menino, que veio ao mundo numa gruta escura e fria, em Nazaré, para “iluminar a Humanidade que andava nas trevas”.

Na sua homilia, D. José Ornelas começou por referir que todos os anos celebramos o Natal com alegria, justiça e paz com as nossas famílias e que o mundo precisa que criemos uma cultura de respeito, amizade, de dignidade e de reconhecimento dos direitos da vida e da integridade de cada pessoa.

“Infelizmente – assinalou o Prelado – hoje não é esse o panorama que encontramos, desde os desastres naturais, como os incêndios que vitimaram tantas pessoas no nosso país este ano, às calamidades provocadas pelos homens, como as guerras, os atentados terroristas, os refugiados, o flagelo da pobreza e da guerra fazem-nos escutar com muito realismo a primeira leitura que solenemente se proclama nesta noite santa”.

A primeira leitura do profeta Isaías remete-nos para um tempo em que Israel estava completamente destruída e parecia não haver esperança. “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte, uma luz começou a brilhar”.

Criar novos dinamismos de dignidade e de paz

De acordo com as palavras de D. José Ornelas, “o Natal não é um tempo mítico de bem-estar que todo o sistema comercial utiliza para nos fazer entrar num frenesim de despesas no meio de uma alienação constante, mas o tempo propício para olhar para a nossa condição e para a humanidade”. O Menino Jesus traz-nos a Luz e Esperança “para criar novos dinamismos de dignidade e de paz”.

Tanto a leitura do profeta Isaías como o Evangelho mostram duas realidades distintas: por um lado, a guerra e a destruição das cidades e, por outro, um Menino acabado de nascer, para dar a vida ao mundo. A Luz que o Natal traz faz-nos perceber que há mecanismos e atitudes que só produzem morte e destruição, e que não podemos subsistir com a lógica do mais forte.

D. José Ornelas chamou a atenção para a vinda silenciosa do Senhor. “Jesus vem como filho de Deus e Salvador, aquele que é capaz de regenerar e tornar possível o projeto de Deus”, que tem que ser acolhido como se acolhe uma criança, e apelou ao cuidado das fragilidades do mundo como caminho para uma vida de conversão.

“A lógica do Natal é simples, concreta, linda, possível – afirmou ainda o Prelado – é preciso multiplicá-la nas nossas casas, nas nossa comunidades e cidades, na Igreja e no mundo. É a lógica dos cuidadores, em lugar da agressividade dos predadores e aproveitadores”.

No final da Eucaristia, cumprindo-se a tradição, foi dado o Menino a beijar aos fiéis.

Carolina Bico

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26 de Dezembro de 2017