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Reflexão/Moita: ‘Mês de maio’ – com Maria rezamos pelos continentes

Fotografias de estúdio da Imagem de Nossa Senhora de Fátima

Reflexão do Padre António Sílvio Couto, Pároco da Moita

‘Maio’ como que evoca, para boa parte das pessoas, algo que tem a ver com natureza florida, flores (muitas, bem cheirosas e coloridas), sinais de alegria e de festa e, porque não dizê-lo, para os crentes algo invocativo de Nossa Senhora, na devoção ou na religiosidade popular mais simples e atrativa.

Que tem ‘maio’ a ver com flores e na sua profusão? Que pode fazer para aspirarmos a situações de contacto com a natureza? Como explicar certas festas – por exemplo das ‘Cruzes’, em Barcelos, ou do Senhor das Chagas, em Sesimbra – no início do mês de maio, onde se entrecruzam as flores com a expressão de Cristo na Cruz ou mesmo na representação de crucificado? Como conciliar ou explicar a cruz florida – na frente e no reverso – nesta visão cristã mais popular? Haverá algo na longa história dos tempos e dos povos, que expliquem tais tradições?   

1. Desde os tempos mais antigos que o mês de maio tem um caráter de ligação à dimensão da feminilidade na sua expressão social e mesmo cultural. Maio (em latim, ‘maius’) é referido em relação à deusa grega Maya, mãe de Hermes que foi identificada, na mitologia romana, com a deusa da fertilidade ‘Bona Dea’, cujos festivais os romanos celebraram neste mês. Alguns dos ritos, em contexto rural, colocam sobretudo as jovens a celebrar certos rituais festivos e de iniciação, onde as grinaldas com que se enfeitavam eram alusivas a momentos festivos, que foram deixando resquícios nalgumas culturas ocidentais. Repare-se na tradição das maias com que eram enfeitadas as portas e janelas, deixando uma nota festiva e de salvaguarda para os possíveis ‘males’ sociais ou morais.  É digno de ser referido ainda que ‘maio’ é um mês de primavera no hemisfério norte e de outono no hemisfério sul… na leitura do despontar ou no despedir da força da natureza…

2. Sobre o sentido do culto a Nossa Senhora no mês de maio diz o Catecismo da Igreja Católica (n.º 971) : «’Todas as gerações me hão-de proclamar ditosa’ (Lc 1, 48): «a piedade da Igreja para com a santíssima Virgem pertence à própria natureza do culto cristão». A santíssima Virgem «é com razão venerada pela Igreja com um culto especial. E, na verdade, a santíssima Virgem é, desde os tempos mais antigos, honrada com o título de “Mãe de Deus”, e sob a sua proteção se acolhem os fiéis implorando-a em todos os perigos e necessidades […]. Este culto […], embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta por igual ao Verbo Encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo, e favorece-o poderosamente». Encontra a sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração mariana, como o santo rosário, «resumo de todo o Evangelho».

3. Este ano – depois das provações da pandemia – na paróquia da Moita propomos, como forma de oração comunitária, que rezemos pelos cinco continentes, atendendo a cada um nas diferentes semanas. Sugerimos ainda que, nos diversos dias da semana, rezemos por intenção específicas. Na primeira semana (1 a 7) – pela Ásia; da segunda semana (8 a 14) – pela Europa; da terceira semana (15 a 21) – pelas Américas; quarta semana (22 a 28) – pela África; nos últimos dias (29 a 31) – pela Oceânia… Houve a atenção em colocar alguns dos ‘dias’ específicos, como o da Europa, a 9 de maio, e o de África, a 25 de maio, inseridos na semana respetiva de oração.
Quanto às intenções para cada dia propomos: domingo – pela paz; 2.ª feira – pela fome; 3.ª feira – pelo trabalho; 4.ª feira – pela família; 5.ª feira – pelos regimes políticos: 6.ª feira – pelas condições religiosas; sábado – pela situação ambiental. À semelhança dos anos ‘normais’ é proposto que, em cada uma das freguesias que compõem a paróquia, haja uma procissão noturna: no Rosário, a um de maio; em Sarilhos Pequenos, a 13 de maio e na Moita, no dia 31 de maio.

Eis um breve itinerário, que desejamos que possa ajudar todos.

Padre António Sílvio Couto

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03 de Maio de 2022